Plínio ‘vence’ debate soporífero

Ironicamente, foram de dois blogueiros expoentes do PIG que vieram duas das análises mais generosas sobre o desempenho de Dilma Rousseff no debate da TV Bandeirantes de ontem. Ricardo Noblat, de O Globo, e Lauro Jardim, da Veja, foram precisos no que aconteceu ali ao lembrarem que o discurso dos tucanos era o de que o seu candidato iria “estraçalhar” a petista e isso não chegou nem perto de acontecer.

Dilma e Serra, expoentes do debate, estavam, literalmente, em pânico. Marina idem. E Dilma, um pouco mais do que esses dois adversários.

Mas quem acha que nervosismo determina alguma falta de qualidade do candidato ou lhe tira votos, está enganado. E se o nervosismo do tucano e da petista não lhes tirou votos, a serenidade e o bom humor de Plínio de Arruda Sampaio devem lhe render alguns poucos milhares de intenções de votos após um debate de baixíssima audiência.

Apesar do argumento válido de que Plínio estava calmo e bem-humorado porque é um franco-atirador que nada tem a perder, e de que se candidatou mais para puxar votos para o seu partido, foi estimulante ver a lucidez e o vigor de um homem de oitenta anos que foi o mais jovem e arrojado naquela arena eleitoral.

Pena que as idéias de Plínio sejam inexeqüíveis e malucas. Se acordasse de seus ideais intransigentes – que não são de todo maus –, poderia dar grande contribuição ao país em vez de ser mera curiosidade eleitoral.

Voltando ao que interessa, digo que quem mais perdeu nesse debate foram José Serra e Marina Silva. Dele, esperava-se que triturasse Dilma e não chegou nem perto disso, o que dá uma vitória por pontos à adversária. De Marina, também se esperava que brilhasse para dar algum salto nas pesquisas, mas ela, como disseram os desanimados blogueiros do PIG, em vez de brilhar, deu sono.

O lado bom do debate, foi o nível. Depois da invertida que Alckmin tomou nas pesquisas em 2006 quando, no primeiro debate, começou agredindo Lula verbalmente, Serra foi um docinho diante de Dilma. Todo meigo, tentou dar uma de Lula e deu até uma choradinha básica. Um momento patético e doloroso do fim de carreira de um político que um dia considerei promissor e no qual até votei, nos anos 1980.

Por outro lado, dizer que Dilma precisa melhorar nos debates será uma bobagem, pois Serra é extremamente experiente e estava extremamente nervoso, ainda que, a meu ver, menos do que a principal adversária. Lula, em 2006, com tantas eleições nas costas, também teve momentos de nervosismo.

Além disso, a petista marcou tentos como o de trazer o governo FHC para o debate e ao fazer Serra entrar no jogo dela pedindo-lhe avaliações sobre o popularíssimo governo Lula. A estratégia obrigou o tucano elogiar o governo a que se opõe. Depois, foi só Dilma se vincular ao mesmo governo e correr para o abraço.

Apesar de que a petista foi se soltando com o passar do tempo, ainda que de forma insuficiente, nas entrevistas de cada presidenciável depois de encerrado o debate ela estava extremamente tensa, de novo.

Finalmente, peço que reflitam o seguinte: se pessoas politizadas como eu, que escrevo um blog político, e como vocês, que lêem este e outros blogs políticos, achamos que o debate foi chato, imaginem o cidadão comum. Com 6 pontos de audiência, esse debate talvez gere algum benefício exclusivamente para Plínio, porque, com a irrisória situação que apresenta nas pesquisas, qualquer pontinho lhe fará alguma diferença estatística.

O que se viu no debate da Band, pois, nada mais foram do que propostas genéricas, platitudes disputando primazia e discursos tecnocratas absolutamente incompreensíveis para a quase totalidade da população. Quanto mais vejo esse pessoal instruído se perdendo na própria instrução, mais percebo que não viverei para conhecer político com a capacidade sobrenatural de Lula de falar de forma que o povo entenda.



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150 Comentário

  1. A Dilma pode ir tranquila pro debate da record e da globo! Deixa a mulher falar!

  2. Dilma estava realmente nervosa no primeiro bloco. Mas não nos esqueçamos do que se passou quando de sua primeira participação, e que certamente contribuiu para ela iniciar insegura: a Band, como não poderia deixar de ser, lhe aplicou uma de suas constumeiras sacanagens: enquadrou uma câmera frontal, como o fez para os demais candidatos, mas abriu uma câmera lateral para a sua fala. Resultado: Dilma ficou esperando o sinal da câmera frontal para iniciar sua explanação, enquanto que a câmera lateral, que estava já com a cena no ar, a mostrava inerte, como que petrificada. Quando se deu conta, Dilma teve que se virar para a câmera lateral, numa posição totalmente desconfortável, e tão desenquadrada que os dois microfones ficaram quase que sobrepostos. Além de passar ao público a impressão de estar desconcentrada, perdeu preciosos segundos neste embaraço. Uma "casca de banana" certamente premeditada pela equipe técnica do debate. Nada que surpreenda alguém como eu, que conheço as tramóias dos debates da Band de longa data.

    • Muito interessante esta observação. Esse "truque" da Band fez com que Dilma parecesse vacilante, e, sem dúvida, surtiu algum efeito na estabilidade emocional dela.

  3. Entdendo o motivo, mas é uma pena que Ciro não esteja participando. Seria enriquecedor para o debate. Com sua verve Ciro estraçalharia a tucanagem. Não deixaria pena sobre pena. Entretanto entendo que não podemos deixar magem para divisões como ocorreu no Chile e Ciro candidato iria disputar o eleitorado de Dilma beneficiando serra que já tem marina como aliada. Adorei a participação de Plinio como franco atirador. Taxar Serra de hipocondríaco foi ótimo e Marina de ecocapitalista melhor ainda. Torço para que Dilma melhore cada vez mais. O primeiro debate é sempre mais dificil. A experiência lhe dará a calma necessária.

  4. Boa análise

  5. Placar do debate? 0X0. Resultado serve mais a Dilma
    JOSIAS DE SOUZA (FOLHA)

    Ficou no zero a zero o primeiro debate presidencial da sucessão de 2010, promovido pela TV Bandeirantes.

    Ninguém saiu de campo contundido. E nenhum candidato fez um golaço capaz de levar a arquibancada a trocar de time.

    Melhor para Dilma Rousseff. Ruim para José Serra. Por quê? A oposição alardeara durante meses que, nos debates, Serra faria picadinho da rival.

    Ao deixar a arena inteira, a candidata de Lula cumpriu a tabela. Quanto a Serra, foi como se tivesse cedido o empate num campo que era considerado seu.

    De resto, em termos de audiência, o debate perdeu de goleada para o outro evento da noite: a partida entre São Paulo e Internacional.

  6. Debatezinho chato, sô.

  7. Achei que Dilma Rousseff é mesmo um luxo de candidata.
    Nunca dantes na história deste país tivemos a oportunidade de ver uma Presidente pronta e acabada aspirando ao cargo.
    Pequeno nervosismo, modos de falar mineiros, a gentileza de não esmigalhar o Serra quando houve chance de nocauteá-lo de vez e para sempre – com uma boa esquerda bem aplicada – só agregaram valor à sua performance.
    Um debate tem que ser visto, na sua totalidade. Ver pedaços apenas não possibilita ter uma visão global. O fracionamento não ajuda a análise. Uma árvore sozinha é só uma árvore. É preciso olhar a floresta toda. E cada árvore, na floresta.
    A Dilma só fez confirmar como foram acertadas as escolhas de Lula e da maioria do povo brasileiro, que a está apoiando já maciçamente.
    Até o Serra a apoiou, quando identificou o governo de Lula com a Dilma. Se Lula está com 80% de aprovação pessoal e o seu governo com 77%. o que se pode inferir?
    É Dilma e não tem erro. Com a força do povo!

  8. BomDilma a Todos,

    Dilma não é um politico profissional. Daquele tipo, bateu levou e “eu prometo acabar com a falta de segurança…” etc. e é isso que gosto nela. Uma certeza eu tenho, com ou sem debate:

    – DILMA é
    – Preparadíssima para o cargo
    – Honesta,
    _ competente;
    – compenetrada na medida certa;
    – inteligente;
    – com a idade adequada para o cargo;
    – mulher de fibra.
    – E tem Lula como mentor e conselheiro
    – Tem um histórico de sucesso nos cargos em que exerceu. – Tudo que toca vira ouro (sucesso como Ministra Minas e Energia e show na casa Civil.

    Ao contrário do oponente.

    – Patético;
    – com a filosofia do embromeixo:
    – mente,;
    – cheios de vícios politicos ultrapassados;
    – Perseguidor;
    – Rancoroso
    – politicamente incorreto quando prega que o homem tem que ter amante; (isso é coisa pra ele e a mulher dele resolver. Não precisa pregar)
    – relativamente idoso para o cargo (ser idoso não seria, por si só, um problema, se não fosse o tal índio na vice),

    Eu estou tranquila. Dilma tem conteúdo e o Serra não tem.

    Ponto.

  9. Alguém tem que dar uma chegada forte no marqueteiro da Dilma.

    Ela ficou engessada o tempo inteiro. Quando Dilma dá entrevistas, ela é outra pessoa. Aliás, ela "é" uma pessoa. Ali na Band parecia que estava apresentando um seminário de quarta-série primária.

    Ela se comportou como se Serra não tivesse passado, não tivesse sido minsitro da saúde e governador. Dilma ficou nas cordas. É como se Mike Tyson no auge da carreira optasse por apenas se defender.

    A ministra do governo mais popular da história ficou nas cordas.

    Avisem a Dilma que ela deve falar ao povo sobre o que José Serra fez com o dinheiro da saúde em São Paulo. Tem que falar de como Serra lidou com a educação e com a segurança.

    Dilma tem que ser Dilma.

    Se ficar ouvindo a conversa mole de marqueteiro, vai tomar porrada em todos os debates, sem precisar.

  10. Debate dos Presidenciáveis – Uma opinião (quase) imparcial
    O sonho (Plínio)
    A luta tem que ser contra o capital e sua força devastadora, promotora da desigualdade e calcada na exclusão da maioria em benefício dos donos dos meios de produção (primários, industrial e “cultural”). O desenvolvimento das condições sociais tem que ser pautado pela igualdade, combate aos privilégios e quebra do paradigma de felicidade imposto pelo capitalismo.
    O único a assumir um projeto verdadeiramente popular, com propostas radicais, sempre focadas na distribuição em contraponto à concentração. Fez questão de explicitar a semelhança dos outros três projetos e do preconceito sistêmico sofrido por aqueles que defendem uma proposta alternativa.
    Deu seu recado, com respeito, segurança e uma boa dose de ironia.
    (continua)

  11. A iluminada (Marina)
    Um ser humano invejável. Sua história de vida, marcada pela superação de todas as adversidades geradas pela falta de oportunidade, somada a uma capacidade intelectual extraordinária, transformou-a em um ícone da luta pela ascensão social atrelada ao respeito à natureza. Respeito à diversidade regional, valorização dos aspectos culturais e, sobretudo, ao acesso universal aos meios educacionais.
    Muito segura e habilidosa com as palavras, conhece o funcionamento da democracia representativa, não omitindo do eleitor a importância do legislativo na implementação dos programas de governo. Sua sinceridade é latente e emociona. Finalizou sua participação com uma poesia sobre o menino pobre, Dado, cujo futuro depende inexoravelmente da garantia de oportunidades proporcionadas pelo futuro governo do país.
    (continua)

  12. O deserto (O blefe)
    Profundidade não é seu forte. Visão ampla sobre as condições do país, muito menos. Apega-se a questões menores e generalizações prosaicas sobre que tipos de investimentos são necessários para o desenvolvimento do país. O discurso não condiz com suas (falta de) realizações quando prefeito e governador. O vazio evidente na exposição das idéias é o reflexo cristalino da ausência de sinceridade das propostas.
    Mostrou-se seguro e controlado, mas carrega a empáfia característica dos que desconhecem a real condição de grande parte da população brasileira.
    (continua)

  13. Dificuldades na estréia
    Muito nervosa e titubeante. O discurso não era espontâneo, mostrando claramente a dificuldade em se comunicar de uma forma na qual não está acostumada. As frases construídas pelo marketing soavam falsas. Teve dificuldade em explicitar as conquistas do governo Lula.
    Não entrou em conflitos. Melhorou quando conseguiu trazer números comparando a herança do governo FHC perante a condição atual, sobretudo, no quesito emprego formal. Valorizou contundentemente a importância dos movimentos sociais no desenvolvimento das políticas públicas. Trouxe a luz do debate, a importância crucial dos programas sociais (Bolsa-Família, Luz pra Todos e PROUNI), como indutor inicial da ascensão social e melhoria na qualidade de vida da população brasileira. Enfatizou a importância do crescimento das universidades públicas federais, bem como da reativação da antes falida indústria naval brasileira. Demorou dois blocos para falar a palavra “Lula”. (continua)

  14. Dilma é um quadro técnico (um dos melhores, sem dúvida), conhecedora profunda das questões administrativas envolvidas na gestão dos projetos do governo. Não tem o traquejo do discurso político eleitoral. Suas virtudes se destacam nas questões objetivas. É este aspecto, juntamente com a confiança depositada pelo Presidente Lula, que deve ser explorado pelo seu marketing eleitoral. Tem que se concentrar nas conquistas do governo, em especial, as do segundo mandato, quando ela foi a grande líder. Tem que mostrar que ela é o Governo Lula, que tem resultados substanciais e incontestáveis. Ao assumir um discurso que não é seu, passa a falsa impressão de despreparo administrativo. Acredito que, num segundo debate, ausente o nervosismo intrínseco a qualquer estréia, tende a melhorar seu desempenho.

    • Dilma inaugura um aspecto novo da politica. Mais que Lula que encontrou nela a EXECUTORA das ações de ESTADO. Vamos aprender a saber o que é administrar um Estado eficaz. A maquina precisa de uma gestora politica. A eleição de Dilma se encaixe em um novo paradigma planetário.

  15. Tive a mesma impressão que voce e todos do 6%;apenas quanto quem lucro, acredito que Dilma quebrou a barreira, "desbundou"como diz ou dizia a garotada. Daqui prá frente Serra vira alvo de Dilma e não resisto, o chororo do Serra no final ele deve ter treinado com o Arruda e suas declarações quando violou,junto com o ACM, o placar de votações no congresso.

  16. Caro Eduardo, ninguem, em sã consciência, deve esperar que os problemas nacionais sejam debatidos lucidamente e coerentemente em um ou dois minutos ( tempo para exposição de cada candidato)…mas algo salta aos olhos : como são FRACOS nossos debatedores..Uma por inexperiência completa( Dilma), outro (Serra) usando o egocentrismo a todo momento ;. A marina completamente inócua e o Plínio sampaio destoando da realidade aceitável. No mais, saudades do Brizola, Lula, Jânio quadros, Covas e ,pasmem, até do Maluf( este com sua demagogia visível, mas usando-a com esperteza ).

    • Pelo amor de deus, Jean Carlos. Com saudade do Jânio e do Maluf???? Que que é isso, meu caro!!!!

  17. Se esse Plínio é um candidato de esquerda, não sei. Sei que suas idéias seriam boas se não fossem utópicas, devaneios de um mundo irreal. São muito bonitos esses sonhos mas não são possíveis. A natureza não dá saltos e o desenvolvimento social também não.Temos que passar por Lula-1, Dilma, Lula-2, Dilma-2… e assim vamos melhorando a condição social.

  18. Para mim vence o debate quem demonstra sinceridade nas respostas, e neste quesito a Dilma, de longe, foi a mais sincera. O nervosismo dela não diminuiu em nada o seu poder de convencimento, muito pelo contrário, a favoreceu para aqueles que têm o mínimo de sensibilidade. Os outros são políticos profissionais; políticos carreiristas. A Dilma é uma administradora.

    Numa enquete do IG, ela venceu o debate engessado da BAND, com 47% dos votos. O Serra 30%. A Marina 17%. E o Plínio 07%. O Plínio foi apenas engraçadinho!

    • Está tendo uma enquete na Folha de São Paulo para saber quem venceu o debate, até quando eu votei o Serra estava ganhando, vamos reverter este quadro?

  19. Resumo do debate:

    Plínio: fanfarrão, descompromissado.

    Serra: previsível; irônico e falso.

    Dilma, visivelmente nervosa e engasgando, certamente por ser seu primeiro debate.

    Marina: também previsível; cheia de apelos ambientalistas (parece a cantiga da minha vó: “as flores do jardim, são feitas para mim”).

  20. Achei o debate chato, quanto a Dilma, por ser o primeiro, foi muito bem, nervosismo é natural, quem não ficaria. A forma desses debates é que deveriam mudar, acredito até que a participação do público ao vivo, com perguntas aos candidatos seria mais interessante.

  21. Debate sem sal, os candidatos falaram pra eles mesmos. A Marina se orgulhava de seu talento, quis aplausos , declamando, ao final, uma poesia em homenagem ao menino Dado, que, a meu ver serviu-lhe, somente, para levantar o próprio ego. Gostei do candidato Plínio dá-lhe uma chamadaao real, quando disse que ela era a candidata ecocapitalista. A Dilma deu o seu recado, perdendo algumas oportunidades de colocar o Serra no seu devido lugar de sucessor do FHC, na questão dos portos e aeroportos. Mas isso vale pra quem está na tranquilidade do lar, doce lar. O Serra, com sua pegadinha e mentiras quanto ao próprio governo que fez na cidade de Sâo Paulo e estado, mostra-se um candidato vazio, se propondo a engordar a própria bancária e dos amigos que aparelharão o Estado chamado Brasil.

  22. Talvez o Plínio tenha um papel importante, de chamar para si a imagem de candidato radical, assustador, tirando essa pecha de Dilma.

    Além disso, acho que um lutador de mais de meio século, como Plínio, merece estar num debate como esse, mesmo que não tenha chance de vencer as eleições. É como se fosse o coroamento de todos esses anos de luta contra o capitalismo desse guerreiro incansável.

    • Também concordo com você, quando ele disse que as terras tinham que ter no mínimo 1 hectare, ou 100 sei lá. A Dilma entrou com sua lucidez e disse que do Oiapoque ao Chuí, não dá para ter todas as terras com o mesmo tamanho. Achei que alí ela foi muito bem. Acho este contraponto com o Plinio favorece a Dilma. Mostra para os assustados (vide Regina Duarte) que ela não é comunista de comer criancinha.

  23. O problema foi o dia do debate – mesmo dia do jogo São Paulo X Internacional, decisivo para indicar o finalista da Taça Libertadores. A maioria preferiu ver o jogo, que estava muito mais eletrizante. Não fosse isso, talvez a audiência teria sido maior.

    • isso demonstra que debates são ineficazes, inúteis e sem a mínima relevância .. porque futebol, na verdade, é menos relevante ainda …

  24. Edu, assisti ao debate e cheguei as seguintes conclusões:

    + Foi civilizado, apesar do deboche do Plínio, que acabou por humorar um pouco aquilo que de tão civilizado tava chato;

    + Dilma se preparou para falar de determinados assuntos, mas são tantos os assuntos a serem tratados, que acabou não conseguindo, nem dizer o que tinha preparado para dizer, nem responder claramente o que lhe foi perguntado;

    + O tempo era curto demais para desenvolver um raciocínio técnico. E Dilma, como técnica, delonga mais na explicação do que quer dizer. Isso não significa que o tucano, mesmo sendo puramente político, conseguisse sintetizar suas ideias. Ao contrário, o tempo de resposta foi injusto com ele também;

    + Serra pediu a Dilma para jogá-lo no limbo. Ela não o fez. Inexperiência? Talvez. Mas essa de fazer mutirões para realizar procedimentos cirúrgicos, foi pedir para relembrar da incompetência de FHC, e dele próprio no ministério da saúde, de fazer com que as instituições públicas funcionem adequadamente. Dilma poderia ter desmoralizado o cara naquela hora e não o fez;

    + Faltou à Dilma clareza da situação dos aeroportos, que no período FHC era um caos;

    + Dilma poderia ter explorado mais a situação de São Paulo. No tocante aos portos, Dilma poderia ter explorado o fato de não exportarem pelo porto de Santos porque a quantidade de pedágios em São Paulo torna o frete mais caro. Seria uma boa pergunta pra saber se, já que o tucano diz que as estradas federais não estão boas, ele faria o mesmo que fez em São Paulo para melhorar as estradas, ou seja, pedágios.

    + Ela acertou em não entrar em confronto com Marina (que não fede nem cheira) e com o Plínio. Este, concordando com você, se não fosse pelas ideias ultrapassadas, inexequíveis e reprovadas pela sociedade, teria mais a ganhar, pois sua lucidez, bom humor, firmeza na exposição dos seus motivos o mostrou um bom debatedor;

    + O tucano acertou em explorar a questão dos aeroportos (pre-anunciados pela mídia). Dilma ficou muito nervosa, assim como acertou em explorar a questão das APAEs. Dilma não tinha argumentos para contrarresponder. Isso não significa que a política educacional do governo LULA para excepcionais esteja equivocada. Pelo contrário. Dilma é que não estava preparada para esta resposta.

    + Marina foi tão insonsa que não há o que comentar dela. Deu-nos a parecer que ela tinha jogado a toalha e tentava ajudar Dilma.

  25. Qualquer candidato em debate que não vai chegar lugar nenhum acaba sendo o que melhor se apresenta, não tem nenhuma preocupação com o que fala, pode se dar ao luxo de dizer tudo que todos gostariam de dizer mas não podem.
    É muito facíl a posição do Plínio, comoda e tranguila, se estivesse no páreo agiria como os outros.

  26. Eduardo, não concordo com sua analise, o Plínio quis dar uma de Brizola, mas está a anos-luz dele. Quem sabe quando tiver 100 anos cheque aos pés dele.

    Abraços,

  27. Minhas homenagens ao povo paulista pelos 100 anos de Adoniran Barbosa. Grande sambista. http://blogdomarciotavares.blogspot.com/2010/08/h

  28. Vejo um erro em considerar apenas a audiencia de 3 a 6% de ontem, como sendo a audiencia do debate. Muita gente que preferiu assistir o jogo ontem, e que se interessa por política, já viu a integra do debate hoje na Internet, desde ontem mesmo.

    Vcs esqueceram que já gastamos mais tempo na internet do que na televisão? e quantos ficaram de olho no jogo e ouvido no debate? via radios ou internet ? Enfim, estão enganados os que acreditam que este debate foi visto por poucos.

  29. Não entendi a sua análise. Serra perdeu em razão de não ter metido uma goleada na Dilma? Tenha paciência, Edu… A nossa candidata perdeu e o seu post, querendo desmerecer o evento, quer minimizar os danos. Na boa, você tá deixando a torcida contaminar a sua análise. Eu vi o debate e fiquei preocupada. Muito preocupada. Até a Marta Suplicy ficou…

    • concordo plenamente. Pq a Dila não entra com aquela contudência quando respondeu ao Agripino na comissão da CPI, lá no senado

  30. Eo debate da band que estão falando pq o que eu vi foi um desastre,somente sendo muito cego pra acreditar que dilma foi bem no debate,se estão mentindo pra si proprios não vou desmerece-la no fundo vcs sabem o que aconteceu ,talvez não tenham coragem para pensar por si mesmos.
    O que estranho e o PT ter escolhido a dilma pra lhes representar tendo tanta opções antonio palloci,jose dirceu,jose genuino,marta suplicy,joão paulo cunha,joão magno tanta gente boa e colocam um fantoche pra candidata .
    Agora queria saber quem vai ser o novo regente da republica pq se a dilma vencer não vai governar vai ser outra pessoa .

    • Oneide, grite bem alto que quem vai governar, por detrás de Dilma, será Lula. Mas, como tucana, reze para o pessoal não acreditar!

  31. Alo Eduardo: Um fora de pauta interessante no blog do Amigos da Presidente Dilma, com o titulo "OS da Kombi fazem a hora", sobre a militancia heroica de alguns blogueiros, citando inclusive o seu Blog da Cidadania. Muito bom vale a pena ler.

  32. Realmente Eduardo, Lula eclipsa sem sombra de dúvidas qualquer um neste país em termos de comunicação e empatia.
    Só Leonel Brizola foi seu rival nesse aspecto. Dois monstros que dificilmente serão superados.

  33. Com exceção do pito que o Plínio passou na Marina (ecocapitalista caiu como uma luva), foi monótono.

  34. eduardo, tenho duas observações a fazer:
    1) a Operação Segundo Turno está a todo vapor no PIG. Cansado de esperar pelo crescimento do Serra ou da Marina, o PIG resolveu inflar agora o Plínio. Apesar de ele não ter sequer 1% de intenção de votos, a Globo passou a cobrir agenda dele também. Folha e Estadão também descobriram de onde podem tirar alguns pontinhos para garantir o segundo turno.
    2) Sistematicamente as aparições de Serra estão sendo em ambientes abertos (com ajuntamento de populares); a de Dilma, ao contrário é em ambientes fechados, atrás de microfones.

    • Rubens,concordo com sua opinião e vou um pouco além:já fazem alguns dias que o jn tem mostrado o 'dia-a-dia' dos candidatos e tenho percebido outra artimanha.Quando mostram DILMA,aparece muito mais a(o) jornalista falando do que a figura dela.é só prestar atenção e vocês verão.

  35. Tive a impressão de que a Band preparou a coisa para evitar tanto quanto possível a possibilidade de Dilma demonstrar a diferença abissal dos governos Lula e FHC, primeiro impondo os temas saúde, segurança e educação, de responsabilidade predominantemente estadual e municipal, e depois dando apenas 2 minutos para respostas que exigiam mais tempo para as explanações necessárias, como para desmentir certas afirmações falsas de Serra, principalmente sobre infraestrutura, sem falar na pegadinha inicial de tirar a câmera frontal na hora de Dilma iniciar o primeiro pronunciamento. Sutil, mas relativamente eficaz.

  36. A Dilma deu uma boa resposta inicial sobre prioridades entre Educação, Saúde e Segurança. Ela sabe articular os conceitos e já deu entrevistas interessantes mas, realmente muito nervosa, em alguns momentos se enrolou e em outros deu respostas corretas. Sua fala final foi muito boa e espontânea; pra mim o ponto alto do debate, já que é impossível, dentro das regras desses debates, sair algo consistente, seja de qualquer um dos candidatos.
    Serra, experiente nesse tipo de coisa e autocontrolado (mesmo que no limite, como sempre) teve facilidade em articular o tipo de discurso vazio e pretencioso a que está acostumado há anos. Aliás esse tipo de discurso não estabelece mais empatia com as massas que, tenho a certeza, tendem a acreditar muito mais em um nervosismo espontâneo. A massa “parece” ter aprendido a distinguir a vacilação resultante de falsidade e de um discurso falacioso, da vacilação resultante de nervosismo normal para uma debuntante. Lula também ficou muito nervoso no debate com Collor em 89.
    Plínio, que, como Serra, também já tem muito experiência nesse tipo de coisa, soube fazer piadinhas, gracinhas, auxiliar a direita, mas só não explicou e precisa explicar, “como” faria pra implantar seu paraíso, seu governo perfeito. Seria através de uma ditadura? Como todos sabemos e ele, por sua experiência, sabe melhor do que ninguém, um presidente precisa jogar com uma conjunção de forças que, bem ou mal intencionadas,fazem parte do sistema democrático estabelecido politicamente. Piadinhas servem pra animar, mas não convecem mais ninguém. Muitos dos conceitos de Plínio são corretos, mas inaplicáveis na conjuntura imediata. Primeiro é preciso fortalecer a população em geral para que ela dite o jogo; mudar radicalmente, como querem os extrema esquerda, seria suicídio. Um povo fortalecido, com mais oportunidades vai, aos poucos, tomando as rédeas e traçando o seu destino. Se Lula tentasse fazer um governo perfeito dentro dos moldes utópicos da extrema esquerda, não teria alianças quantitativas, nada seria aprovado no congresso e não haveria mudanças.
    Debates são inúteis quando se busca conhecer os projetos e propostas de candidatos. Muito mais eficazes são as entrevistas individuais.
    Discordo da análise que diz que gostaria dos confrontos “quentes”, entre, por exemplo, um Brizola e um Maluf. Os debates políticos não provocam mais o clima competitivo como antes, como se fosse uma disputa entre Corinthians e Palmeiras, ou um Flaflu. A política não é entretenimento, não é espetáculo, mas dela depende o destino de milhões de seres humanos.
    Acho que as pessoas aprenderam a não acreditar mais em debates de TV, mas em resultados
    práticos.

  37. …"pena que as idéias de Plínio sejam inexeqüíveis e malucas". Não concordo Edu. Temos aí um grande homem e um grande líder. O nosso Fidel. TÔ pensando seriamente e mtirar meu voto da Dilma e apostar no Plínio> Por que? porque ele é verdadeiro. Até meus filhos (formados em universidades públicas e privadas)que não querem mais votar (embora gostem do lula), amaram o Plínio. Sentimos emoção diante de suas falas!
    Diferentemente de trololós programados dos demais candidatos.

    Infelizmente o nivel das alianças políticas dos que poderão ser eleitos ainda prova que estamos aquém do país que desejamos para as a atuais e futuras gerações. Até acredito que a Dilma seja a eleita, porém esta certeza não traz alento de mudanças fora de esquemas e conluios e divisão de cargos e verbas públicas a bem de quem não se sabe. Esquema do atraso, nojento e politiqueiro de alianças escusas para o bem de grupelhos interessados em seus negócios . Serra ou Dilma é tudo do mesmo. Um pouquinho mais de esmolas aqui ou acolá, porém longe de um projeto de País, ou da construção de um Povo ou uma Utopia.

    • A mídia ensaia inflar Plínio pra levar a eleição pro 2o turno, mas não funcionará. Ele é só uma curiosidade. Uma versão melhorada de Marina Silva

      • Eduardo, qual é sua opinião, como um sem-mídia, sobre a visão que as famiglias detentoras da mídia têm sobre os partidos ditos radicais, afora o contexto atual deste pleito? Vc já fez defesa do MST, do Movimento Negro, Movimento Gay, pela saúde pública -caso febre amarela-, Renan Calheiros, Sarney, Chavez, Fidel, Evo… contra fraudes em pesquisas… Vc acha que os ditos radicais são marginalizados por esta mídia e isso tem alguma conseqüência para estes partidos? Não mereciam uma defesa frente a sede dos meios? Por último, gostaria de saber onde posso encontrar no estatuto do MSM a lista dos fundadores presentes no dia da assembléia.

    • Nesse período que antecede as eleições muitas ondas surgirão. Isso é muito interessante porque permite aprofundar a análise política, enseja muitas reflexões.
      Falar é fácil. O problema é que a "igualdade social" que o Plínio com justeza tem como meta principal só pode existir quando for superado o sistema capitalista. E isso não acontece só porque alguém é eleito e assim o deseja. Basta consultar a história para ver que a igualdade social só se obtem à medida que o processo social avança, de acordo com a acumulação de forças real.

  38. PVou mais volto, se o spin deus quiser
    http://www.josecarloslima3.blogspot.com

  39. Em termos políticos, penso que é uma fraude tentar convencer o povo brasileiro que "igualdade social" é algo que se consegue com canetadas de um presidente eleito, como fez o Plínio.
    Um político de larga trajetória,como ele, obrigatoriamente sabe que há uma diferença objetiva entre o possível,o provável e a fantasia. Quando opta por pregar a fantasia, não está defendendo o direito de se sonhar um sonho impossível. Está, na verdade, praticando o ilusionismo político.
    Um ilusionismo que não provoca nenhum acúmulo de forças para as massas trabalhadoras mas, em compensação, em face de sua inutilidade torna-se um fator de desalento para o povo e um fator de reforço para as classes dominantes.
    Foi assim que se perdeu a última eleição no Chile.Plínio é a esquerda que a direita adora.

  40. Debates não servem pra coisa alguma … Dilma já mostrou que é boa de palanque e de entrevista …. que são muito mais relevantes …

  41. Plínio pode tirar muitos votos da Dilma e se ele não ganhar o careca ganha, isso que é o pior. Uma parte dos eleitores da Dilma pode ir para o Plínio e no fim nem um e nem outro ganhar. E o nosso sonho de ver o Brasil progredindo se vai.

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