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Posted by eduguim on 11/02/11 • Categorized as Crônica
Após quase três semanas de luta, dezenas de milhões de egípcios conseguiram fazer renunciar um dos ditadores “do bem” da direita mundial, Hosni Mubarak, encastelado no poder havia trinta anos. Um déspota contra quem nunca se ouviu ou leu um milésimo do que a imprensa internacional não pára um só dia de dizer contra Cuba ou contra o Irã.
De repente, de algumas semanas para cá, no entanto, a ditadura egípcia entrou no noticiário e não saiu mais. Não era mais possível esconder que um dos tentáculos dos Estados Unidos no Oriente Médio estava se putrefazendo em alta velocidade.
Mas a questão que me acorre à mente diante de um desfecho da crise institucional no Egito que muitos – este blogueiro incluído – duvidaram de que pudesse ocorrer é sobre a natureza das ditaduras, sobre como vão levando as sociedades sobre as quais se abatem a um ponto de esgotamento como esse a que chegou o país do Oriente Médio.
Ditaduras são insustentáveis. Podem durar décadas valendo-se da força, mas não conseguem se manter indefinidamente. Vejam o caso da ditadura egípcia. Nem o apoio americano ou da grande mídia internacional foi suficiente para impedir que o povo colocasse um ponto final naquilo. E não foi por falta de tentativas.
Mubarak, a mídia e os EUA tentaram enrolar o mundo com aquela tal de transição “lenta, gradual e segura” que já foi imposta ao Brasil, mas no Egito não rolou. Na manhã de hoje, já se falava em uma mobilização de VINTE MILHÕES de pessoas. Além disso, o país estava paralisado. Nada funcionava. Imaginem tudo parar por quase três semanas.
Nesse momento, lembro-me de Cuba. Jamais houve nada parecido por lá. Não se tem nem notícia de repressão de manifestações contra o governo. Figuras isoladas promovem greves de fome que são recebidas com frieza pela população, apesar de a mídia lhes dar extrema visibilidade, como se tais ações tivessem alguma representatividade.
O regime cubano não cai e não é contestado pelo povo. Por que? Os cubanos não saem às ruas porque são covardes? A repressão em Cuba seria maior do que em qualquer outra nação supostamente submetida a ditadura? Não creio. O que me parece é que não há, naquele país, um sentimento de que vive sob regime ditatorial.
Acima de tudo, portanto, o que se deve extrair do que aconteceu no Egito é um modus operandi de luta pela liberdade que promete infernizar ditaduras nos quatro cantos da Terra. O povo mostrou que tem o poder. Que é só sair as ruas e se recusar a permitir que o país funcione sob o jugo de ditadores.
Ditaduras não têm base popular e, assim, não têm o peso de governos legitimamente constituídos, ungidos pelo desejo das maiorias democráticas. Essa “leveza” das ditaduras, portanto, é o que as torna insustentáveis, como o Egito acaba de mostrar ao mundo, para desespero de todos aqueles aos quais as ditaduras beneficiam.


O inferno dele não sei, mas o meu está fervendo (risos).
Texto irrepreensível, sr. Eduardo “Kundera” Guimarães. Título sabiamente adaptado às ditaduras, parabéns!
Concordo com tudo, principalmente com sua didática análise sobre Fidel. Um ditador do Bem, um herói a serviço de um ideal, por amor a seu povo. Os poucos dissidentes são os que se deixam seduzir pela possibilidade de obter o supérfluo dentro do capitalismo selvagem.
Não tenho notícia de que Fidel tenha se locupletado no cargo e leve uma vida de fausto, enquanto oferece o básico aos cubanos. Observe-se que o “básico” castrista é acesso a educação, incentivo aos esportes e saúde de qualidade mundialmente reconhecida. Viva Fidel!
Parabéns pelo artigo Eduardo, sempre lúcido e objetivo!
Ó timo post. O povo na rua sempre comove. A foto da criança com a bandeira é comovente e um documento de extraordinário valor.
Valeu Edu.
Texto excelente, muito bem escrito e de uma profundidade ímpar. Fico até feliz por ler algo tão consciente e conscientizador assim, me faz ver que há mais pessoas do que se imagina que enxergam a podridão da mídia, o descaso da elite pró EUA que só critica os inimigos do “império” mas fecha os olhos para ditaduras financiadas pelos interesses estado-unidenses.
Vou divulgar no meu blog, com os devidos créditos. Quando puder, dá uma passada por lá pra conferir o material
Abraços, Luccas
outro abraço
Engraçado que nenhums dos “trolls amestrados” habituais apareceu para comentar esse texto! Cuba vive um regime muito mais democrático do que a grande maioria dos regimes mundiais, já disse e repito isso há muito tempo!Para espanto dos reacionários, o regime cubano é mais democrático não apenas porque permite iguais oportunidades a todos : já que TODOS têm condições de estudar e ter acesso a bens culturais, assim terão chances de desenvolvimento iguais, e as diferenciações ocorrerão apenas pelas naturais variações de capacidade, embora ninguém seja condenado às prisões da ignorância e da alienação! Mas não apenas por isso. Também por isso, mas ainda por outros motivos que o regime cubano é democrático : em Cuba há sim participação política(não há outros partidos políticos porque, quando existiram no passado, vários pártidos foram usados pela CIA como agências de espionagem e de golpismo ianque. E, na Constituição de Cuba, na do Brasil e na da maioria dos países civilizados do mundo, atentar contra a soberania nacional é um das causas do fechamento de um partido político). Pois bem, não há partidos, mas a população participa, tanto elegendo os membros da Assembléia Nacional, órgão que de fato governa o país(o regime cubano é um presidencialismo com toques parlamentaristas); como elegendo os membros dos Comitês Populares locais(espécies de Câmaras de Representantes de cada localidade, criadas para resolver os problemas específicos dessas comunidades); e ainda participando das diversas Comissões Populares Permanentes, existentes no país para debater nacionalmente diversos temas, como as Comissões de Mulheres, Economia, Saúde, Homossexualismo, Cultura, etc. Infelizmente, não ficamos sabendo disso~, e nem de muitas outras coisas, graças à ação de uma outra ditadura : A DITADURA MDIIÁTICA, essa sim que precisa cair rapidamente, se desejamos ter acesso à informação livre.