A motivação do atirador de Realengo
Posted by eduguim on 07/04/11 • Categorized as Análise
O Brasil ainda tenta entender o que levou o soturno e jovem Wellington a praticar aquela insanidade. Reflexão mais fria sobre o caso, porém, permite identificar um ponto em comum entre casos como o de Realengo e os que acabaram se tornando “comuns” nos Estados Unidos. Os autores dos massacres aparecem sempre como jovens retraídos e, no mínimo, evitados pelos colegas. E esse é o elo, o convívio social turbulento entre adolescentes.
No caso do atirador brasileiro, circulou pela internet informação de que teria escolhido preferencialmente as meninas bonitas. Seu ataque visou, objetivamente, o gênero dos alvos, pois quase todas as vítimas são do sexo feminino.
Esses fatos, associados a informações de que Wellington fora alvo de zombarias, tendo sido alcunhado como “Al Qaeda” por se mostrar interessado e se parecer, nos hábitos, com extremistas muçulmanos, além do histórico de que meninas lideravam as zombarias, induzem a crença de que o bullying pode ter gerado mais essa tragédia.
Não são poucos os casos de jovens que relatam que chegaram a pensar em suicídio diante do assédio de colegas de escola quando “elegem” uma vítima para verdadeiras sessões de tortura psicológica – e até física – de crueldade e insensibilidade espantosas. Quando dizem que crianças e adolescentes são cruéis, pois, não estão brincando.
Recentemente, um rapaz australiano obeso, farto de ser vítima de bullying na escola, resolveu reagir e agredir com violência quem o insultava. O caso se tornou verdadeiro hit sobretudo na internet após um vídeo da reação do alvo da chacota dos colegas ter sido postado no You Tube. Uma reação, percebem? Para esses jovens, é tudo uma reação…
Os ataques desses jovens assassinos a colegas ou ex-colegas de escolas em que estudavam ou nas quais haviam estudado – no caso de Wellington, muito mais velho do que as vítimas, percebe-se intenção de acertar contas com o passado – deixam poucas dúvidas de que a sociedade tem que se concentrar em impedir que jovens retraídos sejam torturados pelos colegas com “brincadeiras” cruéis.
Ano passado, relatei, neste blog, um caso impressionante de “bullying eleitoral” ocorrido com filha pequena de um amigo. Crianças na faixa dos dez anos de idade de escola de São Paulo que, em grande maioria, eram filhas de pais contrários à eleição de Dilma Rousseff perseguiram a filha de meu amigo, simpatizante do PT, e agrediram a menina com socos e pontapés enquanto gritavam slogans políticos. Crianças de DEZ anos.
O bullying vai se mostrando um fenômeno cada vez mais intenso, imprevisível e de conseqüências devastadoras para os alvos da prática. Quem tem a menor noção do nível de sofrimento que experimentam as vítimas – aliás, uma preocupação que, nos Estados Unidos, tem mobilizado a sociedade – certamente já percebeu que, apesar de ser positivo que se combata a venda de armas, não será assim que se evitará casos como o de Realengo.
No caso específico desses atos de insanidade como o do jovem Wellington, armas podem ser conseguidas em qualquer parte. Os telejornais relataram que as usadas por ele na chacina eram de origem ilegal, não tendo sido compradas em loja. Mesmo que não houvesse armas sendo vendidas no Brasil, armas são contrabandeadas para dentro do país.
Além do que, para quem quer matar, se não entrar em uma escola com um revolver ou em um cinema com uma submetralhadora, pode entrar com uma espada, um facão, qualquer arma branca e fazer estragos talvez até maiores – algumas armas brancas têm um poder de ferir extremamente alto, como espadas samurais, afiadíssimas e que podem ser levadas em vários tipos de invólucros.
O que é preciso combater, portanto, é a motivação desses jovens. Mesmo sendo psicopatas, sem o estopim do bullying podem se limitar a ser retraídos, antissociais. E, aliada ao combate à zombaria organizada de grupos contra uma vítima, outra providência indispensável é a avaliação de professores sobre jovens com esse perfil, de forma a lhes ser oferecido – ou até imposto – tratamento psicológico.
Mas, acima de tudo, cabe aos pais, às famílias, repensarem a educação que estamos dando aos nossos filhos. Quantos exemplos de intolerância milhões de pais e mães dão aos filhos estigmatizando pessoas por ideologia, etnia, religião, convicção política, classe social etc., tornando-as alvos potenciais dos filhos se surgirem-lhes no ambiente escolar?
Em um momento em que um deputado federal vai a uma televisão de alcance nacional e diz frases estúpidas sobre pais agredirem filhos “gayzinhos” para “curá-los”, quantos comportamentos parecidos não estarão sendo inspirados em jovens que julguem que algum colega se enquadra nesse estereótipo criminoso?
Toda esta reflexão nos leva de volta ao assunto que este país tanto tem discutido desde que aquele inominável parlamentar disse as atrocidades que todos conhecem. Os jovens nascem insensatos. Cabe aos adultos lhes ensinar tolerância com a diferença, generosidade, respeito ao próximo, valores humanistas, em vez de comportamentos diametralmente contrários a estes.
Sem profunda reflexão da sociedade sobre o que discursos intolerantes de adultos diante de jovens podem causar, continuaremos criando monstros que acabarão atacando a todos, cedo ou tarde. Até a você que se delicia com uma aberração como o deputado racista e homofóbico ou que apenas defende a continuidade de seu discurso odioso em nome de uma “liberdade de expressão” que, como se vê, termina de enlouquecer mentes como a de Wellington.
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Caro Edu
Excelente post!
Chamo sua atenção para uma postagem no Nassif de há pouco:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/orkut-perfil-falso-de-bolsonaro-anunciou-massacre
A sociopatia mostra sua medonha cara.
Edu,
ótima reflexão sobre esta tragédia. Vc viu a capa do jornal A Tribuna de Santos?
http://midiacidada.blogspot.com/2011/04/o-olhar-infame-da-midia.html
O que acha???
Abs
Caro Edu, desculpe fugir do escopo do seu texto, mas você viu a nota do Onipresente sobre a prova aplicada pelo governo de Minas, aos alunos da rede estadual de ensino, que apresenta charge com calúnia e difamação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva?? Em uma das questões de uma prova do Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar (PAAE), Lula é retratado entregando dinheiro a políticos. http://blogdoonipresente.blogspot.com/2011/04/governo-tucano-de-minas-gerais-usa.html .
Mais uma absurdo o que os tucanos tentam fazer, querendo impor suas teses, na tentativa de um resgate da política de entrega do patrimônio público, a preço de banana.
Os adultos são responsaveis pela sociopatia de seus filhos nas escolas. O proximo passo é matar mendigos e indigenas queimados nas ruas e achar que é apenas uma diversão. O passo derradeiro é quando entram sorrasteiramente em casa, se dirigem ao quarto dos pais e os matam a pauladas, como a richithofem. O crack é um forte aliado para a insanidade. Quando adolescente assisti estarrecida bullyng praticado por colegas contra um menino pelo seus modos femininos, que não aguentou tanta agressão e teve um descontrole emocional dentro da sala de aula: gritou de tanta dor e desespero. Ali tive certeza que o ser humano é cruel.
Concordo plenamente com o que você colocou. Oi controlamos os nossos jovens ou teremos uma vida cada vez mais violenta e discriminatória, INFELIZMENTE!!!!!
Concordo. Infelizmente, as nossas crianças não estão aprendendo o que é respeito e compaixão ao próximo em casa. Ao invés de classificá-lo como ¨monstro¨¨, deveríamos verificar que ele só ficou tão alucinado, pela falta de respeito que sofreu de muitas pessoas (inclusive adolescentes). Considero muito importante o respeito ao próximo. Quando alguém parece ser estranho¨, devemos ajudá-lo¨e não zoá-lo. Ele foi um acidente, criado pela nossa própria sociedade.
Como reflexão…
Toda vez que vejo uma atrocidade dessa natureza, eu me faço à seguinte pergunta:
Qual a minha responsabilidade nisso?
Enquanto sociedade…
Colocarmo-nos sempre no lugar do bonzinho, do mocinho da história e chorar as perdas, decididamente não fará de nós pessoas melhores!
Quantas vezes, durante o dia passamos por crianças que suplicam atenção? Um dia, elas crescerão…
E como elas conseguem notoriedade? Matando!
Wellington não tirou unicamente a vida das crianças (ele já havia matado a sua criança interior, a idéia do suicídio faz sentido), mas arrancou o coração dos pais, o objetivo era feri-los ( ou ferir-nos) cruelmente!
Será que isso não quer dizer nada?!
Foi a opinião mais lúcida e sóbria que li/ouvi nesses dias. Parabéns Edu.
PORQUE ESSE MALUCO NAO INVADIU O PLENÁRIO?
PARA LEVAR ESSES FDPS COM ELE…….QUE NAO TOMAM NENHUMA PROVIDENCIA SOBRE ESSA NOSSA LEI DO TEMPO DA PEDRA(1940)!!!
JA TA NA HORA DO POVO BRASILEIRO SE REVOLTAR…..PROTESTAR!!!!
JA TIVEMOS FORÇA DE TIRAR ATE PRESIDENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!
VAMOS LA PESSOAL……JA CHEGA!!!!!!!!!
VAMOS LUTAR PELOS NOSSOS DIREITOS!!!!! CHEGA DE FICARMOS CALADOS VENDO ESSAS BARBARIES SEM VAZER NADA!!!!!!!!!!!!!!
Esse é um caso de violencia que me causa a mais profunda sensação de impotencia e a mais profunda angustia,até mesmo porque,eu tenho me perguntado insistentemente,que tipo de futuro nós estamos criando para nossos filhos e netos?Numa sociedade do¨se dar bem a todo custo¨sentimentos nobres são descartados,valores basicos de civilidade são considerados obsoletos e assim,neste tipo de comunidade em que a exclusão e o preconceito é a regra,seres humanos,sentimentos humanos,afetos não são prioridade.O importante é consumir,não importa o que,o importante é seguir a moda do momento,o importante é ser chique,o importante é viver no mundo do faz de conta.Wellington era portador de algum tipo de disturbio mental?Talvez,porem,o certo é que a sociedade que o gerou é tambem uma sociedade doente que se nega a assumir que está doente.No momento em que ocorre a tragedia,Wellington nos faz encarar,como num espelho,o nosso proprio horror,o horror de nossa condição humana degradada em uma sociedade em que tudo se transforma em mercadoria e justamente porque tudo se transforma em mercadoria,até mesmo seres humanos,tudo tem que ser bonito,perfeito,maravilhoso.Possivelmente por não ser bonito,nem perfeito e nem maravilhoso,mas apenas um ser humano,Wellington era discriminado,como o¨diferente¨que tem de ser isolado dos seres ditos¨normais¨.Com sua morte,algumas pessoas experimentam por curtos momentos um certo alivio como se a encarnação de um mal tivesse eliminada e o problema estivesse definitivamente resolvido.Isto porque as pessoas precisam se iludir desesperadamente diante do pesadelo da realidade,para não enlouquecerem.Porem uma coisa é certa,precisamos urgentemente repensar os valores que continuam a ser disseminados pela nossa sociedade,caso contrario,novos Wellingtons surgirão e é questão de tempo.
Eduardo
Tanto tempo sem postar aqui, mas acompanhando sempre. Ninguém conversou com nenhum dos professores. Alguns deles chegaram a criar barricadas em suas salas de aula e nenhum fugiu…
Estou muito emocionada, enquanto educadora e acho que ese fato requer uma grande reflexão sobre ele que envolve alunos, professores, segurança nas escolas e esse fenômeno, recentemente identificado, mas antigo: o bulling.
Com muita emoção.
Eduardo, penso também que seja um momento oportuno pra que a sociedade reflita sobre a responsabilidade de cada um sobre o sofrimento psiquico de quem nos rodeia. Vários foram os relatos de que o atirador estava “estranho”, “arredio”, “esquisito”. Esse e outros casos de menor repercussão muitas vezes causam o mesmo tipo de constatação, a posteriori. Entendo que é difícil reconhecer, tanto por questões egóicas quanto até por comodidade ou desconhecimento de como e onde procurar ajuda profissional para o parente ou amigo que notadamente não está mentalmente equilibrado, saudável. Mas há sinais e eles não devem ser ignorados sob pena de um custo alto. Social ou individual. Penso ser necessária e urgente uma campanha de esclarecimentos à população pra que ela seja encorajada a buscar por essa ajuda em prol da segurança e bem-estar de todos – inclusive dos portadores de sofrimento mental. abçs
Meus sinceros cumprimentos ao autor deste texto. Finalmente alguém escreve sobre a questão de forma séria e isenta. Foi simplesmente vergonhoso ouvir afirmações de pessoas credenciandas a falar sobre o assunto.O clichê imperou, as “autoridades” estavam sem preparo para lidar com um fato como esse.
Precisamos desarmar os espíritos, nos despir dos nossos preconceitos. Quantas e quantas vezes ouvimos pais e mães passando seus conceitos truncados para os filhos ou dando carta branca para que cometam atos desumanos contra outras crianças, adolescentes até adultos que estão em uma posição desfavorável economica e socialmente.
Meus filhos foram vitmas de racismo na escola particular qm que estudavam,com a coninvencia de professores, diretores(as) e dos outros pais e mães. Tive grande dificuldade para reverter os males e traumas que o fato deixou nos meus dois filhos. Se eu fosse uma mãe leviana ou ausente teria ajudado a criar mais monstros, ensinado-lhes a serem vingativos.
Sempre que algum colega agredia meus filhos, gratuitamente, com adjetivos depreciativos, eu tentava conversar com as pessoas e sentia como se estivesse falando sozinha, o gesto das pessoas,na mairoia das veze, não era de solidariedade, mas de conivencia, aquele silencio,muitas vezes era uma forma de concordancia cruel.
Foi muito triste tanto o que fizeram com o rapaz na escola, quanto odesfechotrágico da situação. precisamos trabalhar para evitar que isso volte a acontecer. Hácasosem que a vitima de bullying comete atos contra si própria. Desta vez a situação foi tristemente diferente. Nós pais e mães, cidadãos de bem, que amamos o próximo,precisamos agir.
Consegui, a duras penas, reverter os males causados aos meus filhos, mas gostaria que tivesse sido diferente, que houvesse respeito acima de tudo, na escola e também na sociedade em geral, pois o fato causou grande sofrimento à minha familia.
CAMPANHA CONTRA O BULLYING É IMPERATIVA!
O jéórsuis é rápido para conferir os dízimos — e as doações que seriam pra para as vítimas de calamidades — com os pastrófilos e padrerastas; mas quando os sacrificadores de crianças estão atirando, ou as calamidades estão acontecendo, ele sempre está no banheiro com seu cachorrinho no colo, e joga os papéis com que se limpa nas mãos dos fiéis que “oram”.
O atirador de Realengo matou covardemente os que não tinham nada a ver; um verdadeiro “irmão” de igrejas .. Um verdadeiro seguidor da doutrina da Menina Pastora Louca; “Si êrli num derxá tu passá, tu pássa pu cima da cabeça dele”; “discirrêba a cabeça dele” … Esse é um discípulo capataz-fiel, um crápula seguidor das crenças pregadas pelos parasitas-mandantes-chefetas-de-crenças sacrificadores de crianças pra lotar igrejas, desesperar, vigiar, e dominar a Sociedade em senzalas-fiéis.
o atirador de Realengo no RJ, Brasil, deve ter se inspirado no filme “O livro de Eli”; e se tornou um “varão fogo-puro”.