A república dos canalhas

Mais um degrau foi galgado na escalada de canalhice que começou no fim do ano passado com aquela garota do interior de São Paulo que pregou o assassinato de nordestinos pelo Twitter, passando pelo crime impune de racismo cometido pelo deputado Jair Bolsonaro e que acaba de desembocar na apologia ao estupro pelo integrante do programa CQC Rafinha Bastos.

O “humorista” do programa da TV Bandeirantes faz piadas com estupro, aborto, doenças e deficiência física. Acaba de dizer que toda mulher que reclama de estupro é “feia” e deveria “agradecer” a violência. Segundo os adeptos desse tipo de “humor”, este não pode ser feito sem mau gosto, sem desumanidade e insensibilidade. A “graça” estaria em pisotear os que já foram pisoteados pela vida.

Esse homem, em reportagem do jornal The New York Times, foi considerado a pessoa mais influente do mundo no Twitter. Mas o que isso quer dizer? O que é ser influente nessa rede social que cada vez mais vai abrigando toda sorte de horrores? Significa ser “retuitado”, ou seja, as pessoas que lêem esse tipo de “pensamento” passam para frente, em efeito multiplicador.

Bastos é influente no Twitter porque tem cerca de DOIS MILHÕES de seguidores na rede social e eles não só compram as aberrações que diz, mas as difundem. Ele os influencia, portanto. Ou seja: faz com que essas pessoas, sobretudo jovens, emulem seu comportamento e suas idéias doentias. E o sucesso que vem fazendo só o estimula a ir cada vez mais longe.

Parece bastante razoável, portanto, dizer que a sociedade brasileira – e, sobretudo, nossos jovens – está moralmente doente. Uma geração em que há tantas pessoas frias, cínicas, empedernidas é a que irá governar o Brasil do futuro. Uma geração diferente de todas as que a terão precedido, capaz de rir das desgraças alheias e de pregar atos criminosos como afogar ou estuprar pessoas.

Como sempre, os adeptos dessa “ideologia” virão dizer que seu ícone não disse o que disse, ou buscarão desculpas para alguém que difunde (com inegável sucesso) um tipo de comportamento que, entre as mentes mais fracas, acabará incentivando a que passem da retórica à ação…

Como não é crime desejar, pregar, incentivar o desprezo pelos valores humanos mais essenciais, e como as autoridades de todos os níveis e instâncias parecem não dar a menor bola para o assunto, essa onda amorfa e repugnante só tende a crescer.

Caberia uma campanha publicitária de iniciativa do Estado exaltando valores humanistas e condenando esse tipo de mentalidade. Contudo, devido à sua crescente popularização a classe política demonstra claramente que não pretende se indispor com contingentes tão amplos de cidadãos. Enquanto isso, a onda vai crescendo.

Está se formando uma geração de bestas-feras, insensíveis, truculentas, perversas, que, um dia, terá poder sobre as vidas de todos os brasileiros. E não há autoridade que faça a menor menção de se opor a esse horror por conta dos interesses mesquinhos e da covardia da classe política. Espero não viver o suficiente para ver esse Brasil que está sendo gestado.

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259 Comentário

  1. Se Rafinha Bastos faz um humor canalha é porque uma parte da sociedade brasileira adora esse tipo de humor canalha.Se Rafinha Batos faz um humor preconceituoso é porque uma parte da sociedade brasileira parece achar graça nesse tipo de humor preconceituoso.É um humor violento e de gosto bastante duvidoso?Sim é o que parecer ser,mas não devemos esquecer que nossa sociedade é tambem violenta e tem um gosto bem para lá de duvidoso.Mas Rafinha bastos não está sozinho,junto a ele existem os Zorras Total,Os panicos na TV,Os domingões do Faustão,programas das Xuxas,programas das Ana Maria Braga,os Super Pop, programas esses que são verdadeiras fabricas de produção de imbecis em serie.Portanto os dois milhões de seguidores no Twitter desse cidadão,Rafinha Bastos,tem uma explicação bastante plausivel:o baixo nivel da educação que os brasileiros vem recebendo nas escolas e a péssima programação das tvs abertas.

    • o pior de todos,
      pole position,
      o mais radical,
      é o calabocagalvão
      na transmissão da formula um.
      ninguem merece.

    • O mais interessante dessa questão é a ambiguidade entre criatura e o criador. Se temos público, há quem o forme. Na dúvida de quem surgiu primeiro, se ovo ou galinha, os donos da voz bem podiam dar algum exemplo. O que se vê, então, à moda chique, é um prostíbulo onde a publicidade banca a bestialidade que atrai as almas perdidas. E tudo se repete, no nada se cria, tudo se copia.

    • Concordo e minha atitude foi o boicote definitivo. Não assisto mais a esse programa que se especializou em bestialidades. O Tas, Rafinha, Luke e Gentilli são os mais misantropos do programa. Na verdade, são os mais ignorantes, pois não consweguem fazer humor sem agredir, sem humilhar, sem atentr contra a dignidade das pessoas. Liberdade de expresão, humor, seja lá o que for, há que respeitar a dignidade das pessoas, prevista inclusive na CF. Se eles querem parecer os paladinos do Brasil, que comecem a ler nossa Constituição. Parabéns por seu comentário e tomara que os telespectadores cheguem à conclusão de que esse programa é uma afronta.

    • Sem contar as novelas, maiores fábricas de lunáticos pseudoconhecedores da realidade brasileira. Se existe algum instrumento com maior poder de alienação das pessoas do que novelas, eu aidna desconheço.

    • Baixo nivel da educação que os brasileiros vem recebendo nas escolas? péssima programação das tvs abertas? Mas meu caro, o assunto em pauta versa, basicamente, sobre uma parte da população que tem acesso a computador, seguidora de twiter, garotos e garotas “descolados” que incorporam valores deturpados e passam da teoria à prática: preconceito contra pretos, pobres, nordestinos, bolivianos, paraguaios, homossexuais, enfim, toda sorte de pessoas que não se encaixem em seu padrão de “mundinho perfeito”. Esses aventureiros da moral são filhos da classe média e estudam em escolas consideradas de alto padrão e, bem, TV aberta não condiz com a realidade dele.
      Embora se saiba que as escolas públicas(e também as particulares) precisam melhorar, embora também se saiba que a programação da tv aberta (e da tv paga também) precisa melhorar, colocar a culpa dessa pandemia de imbecilidade da forma como foi colocado é atribui-la somente aos pobres, o que não condiz com a realidade dos fatos.

    • Eu acredito que até o humor tem que ter um limite ético e do bom senso, então pegou muito mal a brincadeira realizada pelo integrante do programa CQC. Mas acontece, em linhas gerais o programa CQC é muito bom e recomendo.

      Também recomendo o blog http:cidadaniaemcordel.blogspot.com

  2. Se esta canalhice for humor, Maluf Estupra Mas Não Mata é o estadista do milênio.

  3. É o vale-tudo do capitalismo. Se ofensas dão lucro, ofendamos e danem-se os ofendidos. Se falta de empatia é lucrativa, às favas as dores alheias.

    Limites e responsabilidades não são lucrativos, então que se explodam.

    Gente medíocre e sem talento como esses do CQC (aliás, a falta de talento do Tas chega a constranger) não tem muita opção de se destacar sem ser pela brutalidade, pela exploração do mais basilar, pela ofensa, pela polêmica. Querem aparecer – PRECISAM aparecer – a qualquer custo.

    Mesmo que o custo seja a própria humanidade ou a dor dos outros. Sempre haverá quem ria da desgraça alheia, e poucos são inescrupulosos o suficiente a ponto de usar a dor alheia pra se promover.

    Realmente, se a empatia é o que nos separa dos animais, gente como o Rafinha, e os que riem de seu “humor”, incapazes de reconhecer a si próprios como tal, por pura falta de empatia, não o são.

    É o que lhes permite rir da dor alheia. E dizer que deixarão de rir quando a dor não for mais alheia, mas própria.

    Mais do que sobrar egoísmo, falta-lhes humanidade e respeito por ela. Rafinha não se entende um humano. Ele se acredita superior, imune às dores deles, pois apenas ele, seus interesses e sua dor, importam.

    Mais do que rir e fazer pouco da dor alheia, esse tipo de gente se alimenta dela, como vampiros. Eles torcem pela dor, pela desgraça, e a veem apenas como fonte de lucro ou de diversão.

    Às favas com ele e com seus seguidores. Rafinha os explora e não os respeita, exatamente como merecem.

  4. Agora estão distorcendo a verdade. Inveja de quê? O que Lula tem a ver com isso tudo. A direita é uma imitadora cruel. É formada, em sua maioria, pelos riquinhos da vida. Eu não vejo um pobre na sua cúpula, vejo o pobre emocionalmente sendo usado, conforme os ditames da atual psicologia aplicada à propaganda e publicidade. Ela, de uns tempos para cá, está usando todos os termos que a esquerda usou durante os últimos 8 anos de um covarde massacre contra governo anterior. Estão usando os termos: inveja, nunca antes… viúvas do… E assim por diante. Ela não cria nada; surrupia. Ela sim é despeitada, covarde, perigosa, dissimulada e invejosa, para não dizer outras coisas piores.

  5. É a falta de inteligência. Não são só jovens. São muitos hipócritas. Joga-se qualquer merda nos olhos e ouvidos da população e ela aceita como se fosse correto. Seguem estas bestas humanas (humanas?).
    Os valores estão deturpados na humanidade. Vale mais quem mostra a bunda, de quem uma o cérebro. Um jogador de futebol ganha em um mês, mais do que um cientista, que descobriu um remédio para uma cura, ganha em um ano. Eu não perco meu tempo vendo estas porcarias.

  6. Edu, dê uma olhada no post ‘Humor’ de Rafinha Bastos é a alegria dos ressentidos, do Blog do Mello – http://blogdomello.blogspot.com/2011/05/humor-de-rafinha-bastos-e-alegria-dos.html
    É bem interessante.
    Abraços

  7. Edu,

    Recentemente vi uma materia na carta capital que falava da educação bahai(não sei se eh assim que se escreve, a pronuncia é barrai) em uma cidadezinha do interior paulista a educação consiste em ensinar valores morais as crianças. É disso que estamos precisando. Lembro bem que no início do meu ginásio eu tinha duas materias que falavam muito sobre isso: Moral e Cívia e OSPB, agora esses valores sumiram das escolas públicas e das famílias.

  8. Esse rafita e seus seguidores devem ser daqueles que peidam na mesa e morrem de rir do constrangimento dos outros.

  9. Esse cafajeste e seus energúmenos seguidores só saberão o que é passar por situações de degradação, com a qual eles usam para fazer humor e se divertirem, quando suas mãezinhas, irmãzinhas e filhinhas passarem por uma situação semelhante, aí o bicho pega, se pá para capar.

  10. Eduardo não podemos ser ingenuos, uma infima parte da sociedade brasileira pare Rafinhas Bastos a todo instante. Alguns Rafinhas obtem mais sucesso que outros, que são passados todos os dias pelo tubo de ensaio das grandes corporações midiaticas. Essas que, em ultima analise, são as mais ardorosas defensoras do direito constitucional, a tão defendida, e realmente necessária, liberdade de expressão, mas não querem se comprometer com a contrapartida da responsabilidade. Desfraudam hipocritamente essa bandeira na busca do aproveitamento de brechas como essas para passar subliminarmente suas mensagens de supremacia, ao mesmo tempo a sensação de que de se associam na busca dos interesses dos cidadãos. Mas, como vemos, antes pelo contrário, deixam claro sua marcação de posição, definem a sua fronteira. Vamos deixar claro, definem apenas para aqueles como voce e eu, com alguma percepção, sua auto avaliada supremacia humana, sobre os por eles definidos, ou sentidos, inferiores.
    A muito, para a maioria da cidadania, isso tem passado despercebido. Não ficava percptivel a existência dessa diferença que eles teimam firmar. Hoje, e desde sempre, essas diferenças sobre quem merece a cidadania, existiram. Sempre tiveram à mão um Rafinha da ocasião, como alter ego, seu boneco de ventiloco, para reforçar a mensagem subliminar de que sua supremacia precede sobre a cidadania daqueles que a sentem como direito de igualdade. O Rafinha só existe por que foi concebido e é nutrido, senão seria, como outros, descartado no tubo de ensaio.

  11. Estou com vergonha de sentir vergonha por essa degradação moral e intelectual do meu povo brasileiro. Quando tudo é permitido, nenhum direito ou valor é respeitado: only the money.
    Passo bastante tempo na Holanda, onde surgiu o tal Big Brother na TV: lá durou duas ou três temporadas e acabou por falta de audiência e patrocínio. No Brasil parece-me que estamos na décima versão, dirigida por aquele filhinho do Boni, aquele que se orgulhava de jogar sacos de urina da sua cobertura na cabeça de pessoas pobres que passavam pela sua calçada. E o cara está solto, juro!
    O Brasil nos alegra em muitas coisas, e nos orgulha, mas sua comunicação está entregue aos piores canalhas. Não foi à tôa que o Reinaldo Fenômeno uma vez disse que preferia educar seus filhos na Europa, o que gerou críticas amargas da nossa mídia colonizada. Com vergonha, sou obrigado a concordar com ele. Embora o Uruguai, o Chile, a Venezuela, a Argentina, Cuba também sejam boas opções: igual ao Brasil, em termos de ignorância, não há páreo.

  12. Edu, esse programa foi “importado” da Argentina : “Caiga quien caiga, conocido por sus iniciales CQC, es un programa de televisión argentino, que emite el canal Telefe, en Argentina. El formato fue adquirido por Globomedia para su emisión en España en 1996 e Italia (donde es conocido con el nombre de Le Iene Show), en 1997. El formato fue vendido posteriormente a Israel, Francia, Chile, Brasil, México, EE.UU., Portugal y Holanda.” Não gosto do humor deles, alias, acho que não é humor é mau gosto e falta de respeito mesmo. O trio argentino é bem melhor que o brasileiro, mesmo assim, não dá pra assistir.

  13. Aonde estão os promotores de justiça, delegados e juízes para punir esse fulano que se diz, comediante humorista sei lá. Ele é um criminoso isso sim, faz apologia ao crime de estupro dentre outros. Liberdade de expressão e de imprensa tem que ter um limite, censura total neles. GOVERNANTES, TOMEM VERGONHA NA CARA.

  14. Gostaria de opinar, porém nunca assisti um único programa dele.

  15. Você sabe o que quer dizer canalha Edu?
    Título preconceituoso.
    Daqui a pouco não saberei distinguir você dos demais do CQC.

    • Significado de Canalha

      s.f. A plebe mais vil, gente desprezível.
      S.m. e f. e adj. Pessoa sem moral, desonesta; patife, infame, velhaco.

      … e então ??

      • Eu diria que tudo o que você citou são características do tal programa do CQC.

        Eu assisti os primeiros programas e gostei, com o tempo comecei a perceber o quanto o programa foi se tornando uma cara da direita, protegendo as pessoas ligadas ao PFL , ao PSDB e a candidatura do finado José Serra e descendo o pau e com força em cima de pessoas do PT e à candidatura de Dilma Roussef.

        Faz um bom tempo que não assisto o que considero ser um lixo hoje: o CQC.

        • Se o tal Rafinha Bastos é uma pessoa destituida de carater,isso é patente pela falta de respeito contra seus semelhantes que o seu humor apresenta.Mas o que dizer das telenovelas que apresentam estilos de vida completamente opostos ao estilo de vida do brasileiro comum,recheadas de personagens destituidos de qualquer dimensão interior mais profunda movidos apenas pelas ambições mais vis,mais torpes?O que dizer de programas de variedades,que vendem futilidades,banalidades,como se fossem coisas essenciais para a vida das pessoas?Ninguem de bom senso,acredito,gostaria de ser o Rafinha Bastos,porque ninguem de bom senso gostaria de ter o sucesso que o Rafinha Bastos tem,posto que o humor que faz com que o Rafinha Bastos tenha o sucesso é um acinte,um tapa na cara das pessoas que são objeto desse humor sem graça alguma.Porem o Rafinha Bastos que faz ¨sucesso¨no twitter com seus dois milhões de seguidores é produto de uma midia que insiste em tratar a sociedade toda como se constituida fosse por debeis mentais.

  16. O pior de tudo são as mensagens subliminares que a Rede Globo passa em suas novelas. Estava agora mesmo no You Tube vendo vídeos das novelas globais dos anos 70. Fixei-me em Irmãos Coragem, que sempre foi uma novela muito admirada por mim, e assisti vários vídeos, sendo o último deles, Pedro Barros controla o garimpo em Coroado. Alguém denunciou a Pedro Barros que tinha garimpeiro vendendo diamante para os gringos. Pedro Barros teve uma reação violenta e mandou torturar o garimpeiro que se não estou enganado era papel de Mílton Gonçalves. Observem a mensagem: o gringo bonzinho, muito bonzinho coitadinho, e o brasileiro mau, assassino, torturador, uma verdadeira bisca. Aliás, Pedro Barros, muito bem interpretado pelo ator Gilberto Martinho foi o vilão da novela.

  17. Esse cara é medíocre,mesquinho,é pequeno demaisquanto mais as pessoas difundem suas idéias,mais ele se acha no direito de se manter enaltecido.Sou jovem mais não entendo como muitos jovens de hoje se comportam,omo exercem sua cidadania,e cada dia só tendem a piorar!

  18. Esse cabeça de bagre RB é um simbolo da hipocrisia, mediocridade e racismo da nossa classe me(r)dia. Se identificam com ele. Q tristeza. mais um triste recorde p nosso país. Era de se esperar, povo sem educacao se torna perverso e bárbaro.

  19. Eduardo, parece que este seu texto engloba muita coisa. Um Procurador quer responsabilizar o Lula pelo “Mensalão”. Ao mesmo tempo dá um entrevista dizendo que foi faxineiro e se tornou um Procurador da república e, demonstra um ódio enorme contra Lula e os pobres do país.

    Veja a entrevista que saiu na Revista Brasília em Dia.

    Manoel Pastana – ‘Lula é nova versão de Luís XIV’

    Data de Publicação: 16 de outubro de 2010

    Por: Marcone Formiga

    Para começar, o entrevistado desta semana é um “self made man”, ou seja, um homem que conseguiu tudo o que tem sozinho, com trabalho árduo e incansável. O paraense Manoel Pastana iniciou a vida como faxineiro, em Brasília (DF). Tendo sempre estudado em escolas públicas, autodidata também por iniciativa própria, Pastana conseguiu a ascensão profissional degrau por degrau, até alcançar, na atualidade, a posição de procurador da República em Porto Alegre (RS). De passagem pela cidade, para o lançamento da segunda edição de seu livro “De Faxineiro a Procurador da República”, Pastana concedeu a entrevista que segue. A obra é um calhamaço de 400 páginas, que revela os bastidores da política, do poder e até mesmo do Ministério Público Federal. Pela contundência do que Pastana narra na obra, ele acha que seu conteúdo poderia incomodar muitos homens públicos poderosos, mas ressalta que, “até agora, ninguém teve a coragem de me acionar judicialmente”. Em seguida, ele acrescenta: “Sei que muitos se movimentaram, mas recuaram, pois tenho provas de tudo o que escrevi. Sou ousado, mas não irresponsável; foi por isso que minhas ações foram acolhidas pelo Judiciário”.

    Sem qualquer relação partidária, os cargos que Pastana ocupou em toda sua trajetória foram conquistados mediante concursos públicos. Assim, ele exerceu o posto de procurador por quatro anos no Amapá. Por iniciativa sua, o então presidente da Assembleia Legislativa do Amapá, Fran Júnior, teve seu mandato cassado, a exemplo do que ocorreu também com o deputado federal Antonio Nogueira (PT). Durante sua permanência naquele estado, Pastana teve que ser protegido por seguranças diante das ameaças de morte que recebera.

    Nas suas críticas, ele não preserva nem mesmo o presidente da República. Pastana ressalta que Lula, embora tenha muitos poderes, “não está acima da lei”. O procurador argumenta que o presidente é um agente público com deveres e responsabilidades, que devem ser maiores do que os de qualquer outro servidor, até porque deve dar o exemplo.

    Manoel Pastana acrescenta que o presidente Lula violou flagrantemente a legislação (artigo 36 da Lei 9.504/1997) ao fazer propaganda eleitoral antecipada em favor de Dilma Rousseff. “Há bastante tempo que ele vinha fazendo isso e continua fazendo”, afirmou. Além disso, Pastana é categórico ao declarar que o presidente Lula pretende governar como Luís XIV, para poder sentenciar: “O Estado sou eu!”.
    – O senhor concorda que o presidente da República no Brasil tem poderes de um monarca?
    – Nos termos da Constituição Federal, o presidente da República tem muitos poderes, mas ele não está acima da lei. Ocorre que o presidente Lula parece pensar que é soberano e acaba fazendo o que bem entende, agindo como se fosse um monarca absolutista do tipo Luís XIV, que dizia: “O Estado sou eu”. Por exemplo, na licitação internacional para a compra de aviões caças para a FAB [Força Aérea Brasileira], ele antecipou o resultado do certame, no dia sete de setembro de 2009, sacramentando que o vencedor seria o modelo francês.

    – Mas ele recuou, não foi?

    – Criticado pela imprensa, por não ter aguardado a avaliação técnica dos militares da Aeronáutica, Lula disse que até poderia ouvi-los, mas a decisão de comprar era política. Logo, quem decidia era ele. Esse episódio deixou bem claro que Sua Majestade, digo, Sua Excelência, o presidente Lula, fala e faz o que lhe aprouver e, quando questionado, seus assessores lhe arrumam qualquer justificativa para ele silenciar os críticos.

    – E fica por isso mesmo?

    – Ora, a decisão de comprar ou não os aviões realmente é política, mas a escolha da aeronave a ser comprada não é política. É como, por exemplo, a construção de uma ponte: a decisão de construí-la, ou não, é política, mas a escolha da empresa construtora não é. A construção cabe àquela que vencer o processo licitatório. O critério de escolha da aeronave a ser adquirida deve pautar-se nos princípios que norteiam a espécie, consoante o disposto no artigo 37, inciso XXI, da Constituição Federal, sendo que não existe previsão legal que autorize o presidente da República excepcionar o certame internacional, postergando o julgamento objetivo (art. 42 da Lei 8.666/1993).

    – A compra não cumpriu as exigências?

    – A compra do avião preferido por Lula constitui absurdo aos princípios de legalidade, economicidade e impessoalidade. Quanto a este princípio, a ofensa decorre do fato de Lula ter deixado patente a preferência pelo modelo francês, não em razão do interesse público, porque ele entende de avião de combate tão bem quanto o Tiririca conhece as atribuições do Congresso Nacional.

    – Foi um precedente?

    – Em várias situações, o presidente Lula guiou-se por vontade própria, sem importar-se com mais nada, comportando-se como um autêntico monarca absolutista. Houve casos em que até seus auxiliares agiram ao arrepio da lei e ele ratificou. Por exemplo, Cesare Battisti foi condenado pela Justiça italiana, por ter praticado quatro homicídios qualificados. Contrariando o art. 3º, inciso III, da Lei 9.474/1997, que veda a concessão de refúgio a quem tenha sido condenado por crime hediondo [homicídio qualificado é crime hediondo pela nossa legislação], Tarso Genro, então ministro da Justiça, ignorou a lei e concedeu refúgio ao criminoso italiano, sendo que Lula o apoiou, não obstante o protesto da comunidade internacional. Parece que o fanatismo ideológico falou mais alto, porque Battisti lutou na Itália pela implantação do comunismo naquele país, na luta armada, a exemplo do que fizeram alguns companheiros por aqui, como Dilma Rousseff, José Dirceu, José Genoino…

    – O que aconteceu?

    – O STF declarou a ilegalidade do benefício concedido ao terrorista italiano, mas deixou a extradição a critério do presidente da República. Lula está enrolando, e tudo indica que terminará o mandato sem efetivá-la. Caso Dilma seja a sucessora, certamente Battisti permanecerá no Brasil, e não será surpresa se for contemplado com um cargo público ou uma aposentadoria a ser suportada pelo contribuinte brasileiro, a exemplo de tantas outras de finalidade análoga.

    – E quanto ao mensalão?

    – No episódio do mensalão, o então procurador-geral da República (PGR), Antonio Fernando, registrou na acusação formulada junto ao STF que o PT teria formado uma “sofisticada organização criminosa” para se perpetuar no poder. O curioso é que, embora o procurador Antonio Fernando tenha feito tão “grave acusação” contra integrantes do referido partido, colocando como líder da quadrilha José Dirceu, que é amigo pessoal de Lula, mesmo assim o presidente gostou tanto de Antonio Fernando que o reconduziu ao cargo de procurador-geral da República. E quando o substituiu, por vontade própria [porque Antonio Fernando pediu para sair], Lula o elogiou.

    – Por quê?

    – Ora, é público e notório que Lula, assim como o PT, não tolera críticas. Basta ver que antes ele adorava a imprensa, agora não; logo, não seria lógico que iria elogiar graciosamente o procurador que formulou “grave acusação” contra integrantes de seu partido e do governo… No livro “De Faxineiro a Procurador da República”, de minha autoria, revelo os bastidores da política e do poder. Entre outras coisas que não chegaram a público, relato fatos que indicam os motivos de Lula ter gostado da atuação do procurador que promoveu a denúncia do mensalão. Antecipo a absolvição de José Dirceu e dos outros caciques do PT, porque haverá punições apenas a integrantes braçais da quadrilha, como Marcos Valério e outros pequenos coadjuvantes.

    – Como está a tramitação desse processo?

    – O processo penal do mensalão é o maior da história do STF. Foram cinco sessões apenas para o recebimento da denúncia, transmitidas ao vivo pela televisão. O feito tem 183 volumes de autos principais e mais 460 de apensos [com quase 40 mil páginas]. Acredito que dentro de um ou dois anos deve chegar ao fim. Tudo indica que o gigantesco processo terminará em uma gigantesca pizza, a não ser que o STF se esforce ao máximo, mudando completamente a jurisprudência da Corte, para condenar, com base na responsabilidade penal objetiva, os caciques petistas, apontados na denúncia como os líderes do esquema criminoso. É que eles não assinaram nenhum documento, embora tudo indique que eles faziam parte do esquema.

    – Afinal, quem deixou as digitais?

    – Quem deixou as digitais no esquema criminoso foi Lula, que assinou os atos normativos (uma medida provisória e dois decretos), cujo objetivo ilícito, destinado a fomentar o esquema do mensalão, salta aos olhos. Porém, como Lula praticou os atos materiais (assinando os atos normativos), mas não foi acusado, é impossível chegar aos prováveis autores intelectuais, pois rompeu-se o elo probatório, para responsabilizar os que não deixaram rastros materiais, ou seja, não assinaram nada.

    – O que aconteceu depois?

    – O então PGR, Antonio Fernando, tratou Lula como um monarca absolutista, já que, apesar de ter baixado atos normativos que ensejaram a efetivação do esquema criminoso do mensalão, conforme a própria denúncia, o soberano Lula ficou incólume. Ora, a não-responsabilização só deveria acontecer em uma Monarquia absolutista, na qual o monarca não responde pelos seus atos, e não em uma República, fulcrada no princípio da responsabilidade dos agentes públicos, incluindo o presidente.

    – Por que ele tem tanta ira da imprensa, que o levou a chegar aonde está?

    – A trajetória do presidente Lula denota que ele muda de acordo com a situação. Assim, quando as notícias na mídia lhe favoreciam, tanto que o levaram a se tornar conhecido no Brasil e no exterior como defensor do trabalhador e da ética, ele era “paz e amor” com a imprensa. Depois, mudou de posição, quando a imprensa passou a divulgar fatos que destoam da imagem que a própria mídia fez dele no passado. Antes de assumir a Presidência, ele era absolutamente contrário ao Plano Real. Dizia que as altas taxas de juros, suporte do plano, alimentavam a especulação financeira; contudo, manteve o plano e continuou alimentando os especuladores financeiros, que nunca ganharam tanto dinheiro, até mais do que no governo anterior. As altas taxas de juros e a elevada carga tributária, que sustentam o Plano Real, o qualificam como um remédio tarja preta: só deveriam ser usadas quando isso for absolutamente necessário, ou seja, para derrubar a hiperinflação e suportar as graves crises econômicas, que assolaram o mundo no final do século passado e início deste, que ocasionaram a quebra de países (como a Argentina) e arruinaram economias (como a do México, da Rússia e de outras nações). Ora, nos cinco primeiros anos do governo Lula, a economia mundial “bombou”. Logo, não havia necessidade de manter a base do plano. E mais: a crise americana de 2008 foi financeira, e não econômica, como as do passado. Atingiu diretamente os bancos ianques, com reflexo pequeno para países como o Brasil, que exporta pouco.

    – Mas o Plano Real continua melhor…

    – Quase ninguém se preocupa com um dos principais efeitos colaterais do Real: o estouro da dívida pública interna. Quando Lula assumiu, estava em torno de R$ 700 bilhões, agora já ultrapassou R$ 1 trilhão e 500 bilhões, ou seja, o endividamento produzido no governo atual é de R$ 800 bilhões ou US$ 477 bilhões, no câmbio atual. Isso representa quase cinco vezes o endividamento que os militares produziram em 21 anos de governo, cerca de US$100 bilhões. Os militares construíram a hidrelétrica de Itaipu, em parceria com o Paraguai, mas o Brasil bancou o investimento; a hidrelétrica de Tucuruí e várias hidrelétricas de médio e pequeno porte; a ponte Rio-Niterói, portos, aeroportos, milhares de quilômetros de estradas, ferrovias, enfim, inúmeras obras que fomentam até hoje a infraestrutura do país.

    – Por que o senhor critica a estabilidade da economia?

    – Alguém tem conhecimento de alguma grande obra efetivamente construída no governo Lula? Promessas há muitas, mas de efetivo apenas o hiperendividamento. A manutenção do Real tem uma explicação: o governo não precisa pegar dinheiro emprestado no exterior, como no passado. A estabilidade da economia e as altas taxas de juros são atrativas para o capital especulativo alienígena. É por isso que a dívida externa se estabilizou com o Plano e a dívida interna explodiu.

    – E quanto à divida externa do país?

    – Sem precisar sair de pires na mão para correr atrás de recursos no exterior, o governo endivida o país sem pudor e ainda engana, alardeando que pagou a dívida externa. Em 2005, um ano antes da reeleição de Lula, foi alardeado que o Brasil havia pago a dívida externa, notícia que foi amplamente utilizada na campanha eleitoral de 2006. Ora, a dívida externa era de US$ 230 bilhões, o que se pagou foi apenas US$ 15,5 bilhões – a parte do FMI –, que representavam cerca de 6% do valor total da dívida. Portanto, a notícia de que a dívida externa fora paga era falsa. Porém, o absurdo maior é que a dívida com o FMI tinha sido negociada, pelo governo anterior, para ser paga até 2007 a juros de 4% ao ano. De forma absolutamente irresponsável, o governo petista pagou tal dívida, aumentando a dívida interna. Na verdade, trocou-se a dívida externa pela dívida interna. Ele pagou uma dívida barata, com juros de 4% ao ano, fazendo dívida cara, com juros em torno de 19% ao ano. Seria como se alguém pagasse uma dívida consignada em folha de pagamento, a juros baixos, pegando o limite do cheque especial, cujos juros são muito elevados. Para se ter uma ideia, naquele ano [2005], a dívida pública interna cresceu R$ 130 bilhões.

    – Afinal, por que isso?

    – Tudo indica que essa desastrosa operação para as finanças do país tinha finalidade eleitoreira e deve ter rendido milhões de votos para Lula. No ano passado, mais uma vez, um ano antes da eleição, a máquina de propaganda do governo alardeou que o Brasil tornou-se “credor” do FMI. Isso tem sido amplamente utilizado por Dilma na campanha, diz a candidata: “Antes, o Brasil era devedor do FMI, agora é credor”. A pergunta que todo brasileiro deveria fazer é: se o Brasil tem dinheiro para emprestar ao FMI, por que não paga a dívida interna?

    – Como assim?

    – O pagamento de juros da dívida interna consome a maior parte de tudo o que é arrecado com os impostos, e a dívida só faz crescer: deve chegar a R$ 1 trilhão e 700 bilhões neste ano eleitoral. O governo gasta 10 vezes mais com o pagamento de juros da dívida interna do que com o Bolsa Família. Antes, Lula se dizia inimigo da corrupção e defensor incondicional da ética na política; depois, fez aliança com políticos que ele mesmo tachava de corruptos, na época em que “defendia” a ética. Por ocasião da prisão do ex-governador José Roberto Arruda, ele afirmou que as imagens do recebimento do dinheiro “não falavam por si”. Quanta mudança!

    – Mas o presidente sempre combateu o assistencialismo.

    – Antes, Lula discursava contra o assistencialismo na política. Em 2000, ele deu uma entrevista, assim: “Lamentavelmente, no Brasil, o voto não é ideológico (…). E, lamentavelmente, você tem uma parte da sociedade que, pelo alto grau de empobrecimento, ela é conduzida a pensar pelo estômago e não pela cabeça. É por isso que se distribui tanta cesta básica. É por isso que se distribui tanto litro de leite. Porque isso, na verdade, é uma peça de troca em época de eleição (…). Você trata o povo mais pobre da mesma forma que Cabral tratou os índios quando chegou ao Brasil [referindo-se às bugigangas que o descobridor oferecia para conquistar os índios]”. Tempos depois, já no governo, em uma entrevista em Belo Horizonte, ele proferiu discurso completamente diferente: “Alguns dizem assim: o Bolsa Família é uma esmola. O Bolsa Família é assistencialismo (…). Tem gente tão imbecil, tão ignorante, que ainda fala que o Bolsa Família é para deixar as pessoas preguiçosas, porque quem recebe o Bolsa Família não quer mais trabalhar”. Como se vê, Lula muda de “opinião” e de atitude conforme a situação; portanto, não é de se estranhar que ele tenha mudado em relação à imprensa. Aliás, desde o primeiro mandato que ele deseja colocar freio nos meios de comunicação. Porém, parece que lhe faltou coragem, por isso recuou. Contudo, caso Dilma seja eleita, ele certamente irá ajudá-la a implementar as mais de 600 propostas aprovadas na Confecom [Conferência Nacional de Comunicação], que têm por objetivo realizar reformas legislativas para controlar a mídia. Sob tutela, Lula voltará a ser “paz e amor” com a imprensa controlada.

    – Qual é, então, o objetivo do presidente?

    – Aliás, o objetivo do Lula e do PT é controlar tudo. Por exemplo, a pretexto de evitar a sonegação, a Receita Federal está colocando em prática uma parafernália de absoluto controle das atividades das pessoas, ou seja, na prática, não haverá mais sigilo fiscal e nem profissional. O Sped [Sistema Público de Escrituração Digital] é um procedimento que está sendo implementado pela Receita Federal de controle em tempo real. As informações contidas no livro diário e nos livros fiscais serão migradas para um layout e enviadas diretamente ao fisco. Além disso, há um supercomputador capaz de prever até uma suposta tentativa de se escapar da Receita, ou seja, a vida profissional ou financeira do cidadão ficará inteiramente à disposição do governo, estratégia de todo governo autoritário.

  20. Não seria o mesmo que apologia ao crime, a violência, ..ao estupro??? Isso não é crime?? Além do mais, esse tipo de humor não seria o “BULLYINGTV”. Já que Bullying é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou PSICOLÓGICA, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully, “tiranete” ou “valentão”) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Outro programa que se encaixaria com facilidade no “BULLYINGTV” seria o PÂNICO! Não adianta nada o esforço que se faz nas escolas se o que passa nesses programas é permitido e estimulado. Na televisão, a “valentia” vem do fato de os autores estarem a vários quilômetros de distância das vítimaS e estaS sim incapazeS de se defenderem e até mesmo acomodadaS (uma pena) também pela distância do agressor. Além do mais tem o agravante de serem pessoas (agressores) públicas de notório respaldo da audiência. O Estado fica entre a cruz e a espada, não quer reprimir pessoas públicas com legiões de “fãs” e ser taxado de autoritário, censurador, porém não pode se eximir do seu papel de defensor dos fracos e oprimidos. Resumindo.. tem que se fazer algo o mais rápido o possível para colocar LIMITES na busca dos pontinhos do ibope, mas o Estado as vezes precisa de ser provocado ou até mesmo colocado na parede para se sentir confiante para fazer o que tem por obrigação de fazer. Vejo isso mais como um “apoio” nas atitudes corretas, mas impopulares. Isso pode ser feito através do Movimento dos Sem Mídia, acho que tem tudo a ver com as bandeiras defendidas, é questão de CIDADANIA.

    Obs: desculpe-me pelos meus erros de português!:)

  21. Caro Eduardo
    A existência de indivíduos do calão desse “rafinha” bastos é o motivo principal da minha defesa do porte de arma de fogo pelos cidadãos.
    Gente dessa espécie despreza o cidadão comum e só os temem, os cidadãos, se estes tiverem condições de retaliar. E tais condições são um convite irrecusável a que aquelas imundícies ambulantes engulam o seu preconceito, arrogância e estupidez, disfarçando-os em cortezia melíflua, e que deve ser vigiada a todo momento.
    São as bestas em suas mais variáveis roupagens. Enquanto estão adormecidas, a sociedade permite suas existências benignas. Fora disso, ela, a sociedade, reage dentro dos paradigmas morais, presentes em todos os dogmas religiosos desde a antiguidade. Afinal, a espécie sempre soube o quanto são perniciosas as feras humanas.

  22. Eduardo,

    Concordo com tua análise sobre o Rafinha.

    Sobre humor … o proprio Tom Calvacante respondendo uma pergunta de outro cara do CQC, que perguntou se toda piada vale e se era permitido fazer com a tragédia do Japão (bem recente), respondeu algo mais ou menos assim:
    ” … toda piada vale, mas eu não faria essa neste momento”. Ou seja, não existe piada proibida, mas o comediante tem que ter sensibilidade de quando, onde, como e para quem fazer a piada. Concordo com o Tom.

    Quanto a tua conclusão de uma geração “perdida” de jovens … é a mesma conclusão batida de muitos dos senhores (para não dizer velhos) de cada geração. E provada errada em muitas épocas em muitos lugares, com alguma exceção que justifica a regra.

    Abraço,

    Manuel

  23. Ontem vi, por acaso, pois não assisto esse programinha, um “humoristas” do CQC provocando o senador Requião para ver se ele o agredia e assim melhorar o ibope. É uma vergonha a total falta de respeito desse programa com as pessoas! O Ministério Público deveria tomar uma atitude!

  24. Ninguem tem sangue de barata,o Requiao teve muita paciencia com aquele cara,depois culpam o senador.da nojo saber que existe um programa daquele.

  25. Parabéns pela análise clara e contundente. Pessoas pequenas, que não têm formação sólida, qdo alçadas à posição de celebridade adquirem a “síndrome de Deus”, i.e., tudo podem. É o momento por que passam seguramente as pessoas desse programa. Apesar dos estragos, comumente não são influências longevas. Uma pena que uma tv tão combativa, com jornalismo de qualidade, permita-se levar ao ar esse tipo de programa.

  26. Não apenas mulheres são estupradas. Crianças, meninos e meninas. Meu filho escapou de um porque foi um pouco mais esperto e era mais velho. Mas o amiguinho dele, na época com 5 anos foi levado, estuprado e abandonado na rua. No dia seguinte, outro menino que participava de uma atividade escolar foi levado para sala de uma igreja e estuprado. Se debateu até consegui fugir. Ninguém me contou. Eu fui na delegacia levar meu filho, para junto com os outros meninos fazerem reconhecimento. Será que ele também quer dar um abraço neste monstro? Eu fico com o pai do menino agredido que foi segurado pelos policiais para não surrar o estuprador. Quanto ao Rafinha, espero sinceramente que nenhuma pessoa próxima a ele se veja nesta situação, mas se isto um dia acontecer, que ele dê um forte abraço, neste ser que tanto admira.

  27. Edu:

    Parabéns, texto primoroso e necessário. Esse cara é um misógino contumaz, a primeira vez que me repugnou foi quando disse que “Jesus Luz gosta de comer velha (Madonna)”.
    Comuniquei a grosseria ao fã-clube da popstar, que reclamou à emissora. Pelo visto, de nada adiantou.
    Um grandalhão que atende por Rafinha. Quanto a isso, tudo certo. Nome no diminutivo para um sujeito que é POUCO.

  28. Quer seja bom ou ruim o humor de Rafinha Bastos, ele descobriu uma fonte inesgotável de risos e de lágrimas: a política brasileira. Para os políticos brasileiros — na falta da lei e da justiça — sobra a nossa risada sardônica, ácida, cruel. Nesse sentido, quanto pior, melhor.

  29. keridos amigos , nao sei se vcs sabem (creio q sim!)mas este programa é uma licença de um programa daki de buenos aires, com o mesmo nome e q ja existe há 14 anos, da produtora 4 Cabezas, cujo um dos donos e criador desse formato é uma pe …soa ate q talentosa, mas q as vezes peca por total falta de compromisso, por arrogancia, por preconceituoso, por mal educado e ainda pousa de “cool”, em algum momento ja foi , é certo, mas perdeu a mao em algum lugar do passado , imerso em estupidezes e escessos, via de regra faz um humor barato e discrimina as minorias (gays, pobres, negros, judeus, mulheres ,etc), e me parece q uma das condiçoes para a licencia de uso do seu produto, seria q as pessoas q a compram devem manter as mesmas “ideias”, eu coloco ideias entre aspas , pq fazer humor com falta de educaçao, antisemitismo, preconceito e arrogancia desmedida, é bastante facil,tosco e lugar comum, pode ser qquer coisa , menos criativo, neh! as pucas vezes q vi ahi no brasil tive essa sensaçao feia , aqui ja nao vejo mais ha algum tempo, ja cansou isso d se fazer d lokinho , insultar as pessoas (q as vezes ate pode estar justicado o insulto!) mas se perde a razao qdo se coloca no mesmo nivel do agressor, ou da pessoa q cometeu alguma falta, em nome do engajamento politico, de paladino do creem ser justo, o dedinho acusador ja nao serve mais , neh!!! onde estao os argumentos inteligentes? afinal d contas , nao isso q se propoem fazer, humor com inteligencia??? e grosseria nunca foi inteligente, neh nao !?!?

  30. “Está se formando uma geração de bestas-feras, insensíveis, truculentas, perversas, que, um dia, terá poder sobre as vidas de todos os brasileiros”

    O dia que um imbecil desse tiver poder sobre minha vida, mato ele a tiros e estouro meus miolos em seguida. Amarei ficar famoso por matar um idiota famoso!

    Simples de resolver! Simples!

  31. Conquanto me pareça moralista, intolerante e mal-humorado, o artigo tem lá seu sentido e contém uma boa dose de realismo, sintetizada na derradeira assertiva: “Espero não viver o suficiente para ver esse Brasil que está sendo gestado.”

  32. É uma lástima saber que comunicadores,formadores de opnião,espalhem idéias tao indiotas através de piadas , só para ganhar o seu maldito dinheiro. Estamos no Brasil, onde a violencia contra a mulher é altissima,tivemos a pouco o estupro e morte da jovem vanessa duarte no abc,e o monstro ainda não foi preso. É UMA PENA que pessoas da mídia fiquem cegos as coisas que acontecem no Brasile e usem seu poder de influencia para espalhar intolerancia e quem sabe até formar novos assassinos e estrupadores.
    Eu a partir de hoje boicoto o cqc, e acho que todo o cidadão que tem filhas , irmãs e que lutam por um brasil mais tolerante e justo pra todos os sexos, deveriam fazer o mesmo.
    Devemos fiscalizar a midia, pois somos nós que mantemos ou não maus elementos nos meios de comunicação.

  33. Edu,

    Aquilo que o pessoal do CQC faz pode ser tudo, menos humor. CQC, Pânico e Casseta são lixos. Humor é Chico Anísio e Carlos Alberto de Nóbrega,

  34. É horrível mesmo.
    É desagradável, é revoltante.

    Mas esta geração não é diferente das anteriores. Este tipo de “humor” cruel sempre existiu, de uma forma ou de outra. Demonizar o ser humano, seja um indivíduo, um grupo ou uma geração (“geração de bestas-feras, insensíveis, truculentas, perversas, que, um dia, terá poder sobre as vidas de todos os brasileiros”) afasta a compreensão do problema, e a consequente busca por soluções.
    E pregar a intervenção do governo não parece uma solução muito adequada. Até quando a população vai precisar de tutores?

  35. Século XXI e mais uma de suas fórmulas.

    Violência + humilhação = audiência

    Eureka !!!

  36. concordo com a pessima programacao da tv aberta brasileira, exceto canal cultura
    mas nao concordo com a parte ana maria braga (um dos poucos prog brasileiros com qualidade) e a xuxa nao vejo nada de tao mal..

  37. COMENTÁRIO, IMBECIL, RIDICULO “DOENTIO “PRINCIPALMENTE”.
    CADÊ A REDE BANDEIRANTES PARA SE DESCULPAR?
    O DONO NÃO É CRISTÃO?

  38. E eu espero viver o suficiente pra impedir que esse Brasil seja gestado!

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