A medicina é branca

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No último dia 19 de setembro, senadores, militantes e especialistas debateram os dez anos de existência do sistema de cotas raciais nas universidades. A conclusão dos participantes dessa Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) foi unânime: a ação afirmativa mostrou ser bem sucedida ao promover significativa inclusão da população negra no ensino superior público.

Como saldo da política de cotas para negros, 160 instituições públicas de ensino superior  adotam hoje algum tipo de ação afirmativa, totalizando cerca de 330 mil cotistas, 110 mil deles afrodescendentes. São 32 universidades estaduais e 38 universidades federais que têm sistemas de cotas raciais, 77% delas por iniciativa própria e as demais em virtude de legislação do respectivo Estado.

Em nenhuma das instituições universitárias em que foram implantadas as cotas houve diferença minimamente significativa de desempenho entre alunos cotistas e não-cotistas. Além disso, os cotistas desistiram menos dos cursos para os quais se inscreveram.

Tampouco houve relatos de conflitos generalizados entre cotistas e não-cotistas e a escassez de mão-de-obra especializada que há hoje no Brasil torna improvável que os que estão se formando pelo sistema de cotas venham a sofrer qualquer discriminação no mercado de trabalho, até porque terão resultados acadêmicos (notas) iguais ou melhores do que os dos formados não-cotistas.

Nesse aspecto, vale discorrer sobre uma área na qual a política de cotas para negros deve promover uma revolução, sobretudo no Sul e no Sudeste do Brasil. Quem vive nessas regiões sabe que nelas é praticamente impossível encontrar médicos negros. A quase totalidade desses profissionais é branca e descendente de europeus. Aos negros e pardos estão reservadas as posições de enfermeiros e demais auxiliares da saúde.

São Paulo deve ser um dos Estados onde a situação é pior. Nesse Estado, o racismo na medicina será pouco reduzido por conta de o governo local se recusar a adotar ações afirmativas contra a exclusão racial na área. Todavia, supõe-se que, com o tempo, talvez ao longo desta nova década, como o Brasil aumentará, em alguma medida, o contingente de médicos negros, alguns acabarão migrando para regiões onde a exclusão racial na medicina é maior.

O aumento do número de médicos negros no Sul e no Sudeste também deverá reduzir um dos principais problemas da Saúde pública nas regiões, que é o de médicos mais experientes buscarem o atendimento aos setores sociais mais abastados em busca de maiores ganhos, o que deixa o setor público com escassez desses profissionais.

O Brasil vem formando poucos médicos porque, até então, estudar medicina só estava ao alcance dos mais abastados. Pode-se considerar, na melhor das hipóteses, que, para se formar médico, o estudante precisa de pelo menos uma década de dedicação integral aos estudos, sem poder trabalhar e ser remunerado, e tendo que arcar com dispendioso material didático. Formar-se em medicina é muito caro mesmo estudando em universidade pública.

A continuidade das políticas de cotas para negros, portanto, é a única chance de não apenas fazer justiça social, mas de reduzir um problema que aflige a toda a população que não dispõe de planos de saúde e que é maioria esmagadora dos brasileiros: a escassez de médicos oriunda do elitismo na profissão. No Brasil contemporâneo, a medicina é branca. Mas isso está mudando.

—–

Apenas um negro passou em medicina na Fuvest 2008

Simone Harnik

Do G1, em São Paulo

01/03/2008

Ao todo, 37 cursos não têm nenhum ingressante negro na primeira chamada.

Os convocados negros somam 1,8% dos calouros.

Somente um estudante negro foi convocado em primeira chamada para cursar medicina em 2008 pela Fuvest. A Universidade de São Paulo (USP) em São Paulo e em Ribeirão Preto e a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa ofereceram, ao todo, 375 vagas. A informação é do questionário socioeconômico do vestibular 2008, respondido por 369 ingressantes no curso.

O número de indígenas foi maior que o de autodeclarados negros: dois contra um. A Fuvest, fundação que realiza o processo seletivo, divide os estudantes em cinco categorias. Além dos negros e índios, 28 estudantes se declararam pardos, 59, amarelos e a grande maioria, 279, brancos.

Em medicina, a proporção de negros em 2008 não é muito diferente dos últimos vestibulares. O vestibular 2007 foi o que teve mais negros, entraram quatro. Nos dois anos anteriores, somente um estudante se declarou negro. E há cinco anos, nenhum se declarou negro.

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102 Comentário

  1. esta imagem é muito forte,nem precisa de texto,deve é ser distribuída na rede,Aqui no Brasil serviria para mostrar como o sistema de cotas funcionou la,e o que resultou, Parabéns a toda esta equipe,que cumpriram,alem do dever profissional,agiram como seres humanos,cidadãos.

  2. puts

    ..vc já se perguntou se POBRE, independente da côr, se POBRE chega lá ;;pq vc não macheteou que a medicina continua pra RICO, assim como engenharia, odontologia, economia (noa) etc

    eita ..francamente ..haja manipulação de conceitos ..tipico de quem vê as coisas pelas aparências

    RACISTAS, isso sim …RACISTAS é quem levam um debate sério como este, de aspectos econômico-sociais, só pra este lado, o da côr ..o do teor e matiz dos pêlos que nos recobrem ..que pobre…

    • O fato concreto é que você não encontra médicos negros no Sul e no Sudeste; encontra um pouco mais no Norte e no Nordeste. Esse fato é demolidor, inescapável e prova como as cotas são necessárias. O resto é enrolação de gente intelectualmente desonesta que quer negar o que todos vêem. Ainda bem que o Brasil resolveu dar uma banana pra vocês e fazer o que tem que ser feito.

      • Eduardo Guimarães,
        .
        Os anti-cotas apenas provocam querendo tumultuar o debate. Eles insistem que as cotas são apenas para negros. As cotas também beneficiam os brancos pobres. Mas eles tentam argumentar por esta via para atrapalhar quem está chegando agora ao debate.
        .
        Parabéns pelo texto.
        Francisco Antero.

      • FATO nada , teu concreto tá cheio de água por todos os lados ..vá a causa..

        ..FATO é que há décadas o ensino publico é uma JOSTA ..pior, financiado com imposto regressivo e pago por POBRE, pra servir das melhores vagas aos RICOS ..independente da côr

        FATO é que o BRASIL de há muito NÃO proibi ninguém de estudar pelo CÔR, mas pelo bolso

        Imagine então se o BOLSA FAMÍLIA fosse só fosse pra preto ..e os outros, aonde eu meto ?

        Verdade é que não precisamos imitar eles, os EUA, um país em que seus vivos feriram vivos

        Aqui, pela fórmula, inocentes vivos estão pagando por pecados de pobres ..vivos pagam por fantasmas ..milhares de aflitos ficarão esquecidos só por não estarem de acordo com uma régua de cor

        Há opções e melhores, mais eficientes e JUSTAS, as cotas SOCIAIS ..uma que não nos deixará marcas e nem vítimas tardias que olhariam pra trás como hoje fazem os negros, pra nos esfregarem de como outras “etnias” foram injustas com eles e com seus destinos ..pra que?

        pra que pagar na mesma moeda ..não peço pra RICO, peço pra quem quer e precisa

        Há opções melhores que as cotas RACISTAS ..estas que nos perpetuam de defeitos e vícios, coisa NAZISTA, revanchista, vingativa ..que escolhe (sem necessidade) a quem curar ..cota embasada em história ..mas história cortada, manipulada, editada, escolhida a dedo e ao bem prazer de quem a cita

        O país precisa de futuro, e NÂO de revisão do passado sepulto ..precisa, sem ódio, incluir quem necessita ser incluído

        veja mais deste debate

        http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-necessidade-de-qualificar-o-debate-sobre-as-cotas#comments

        e sobre a banana, grato, ela é rica em potássio ..da minha parte fico tranquilo em dizer que em minhas fórmulas eu NÃO esqueço, e nem dou o beiço, em NINGUÉM

        abrá

        ahh sim, e sobre racistas (cotistas RACISTAS incluso) , cadeia com eles ..pois já temos uma pá de leis (há décadas) que nos mostram como fazer, basta querer..

        • Por que quase não há médicos negros? Objetivamente, sem enrolar, please

          • Eduardo Guimarães,
            Se o Romanelli lesse Frantz Fanon, ele responderia e te pediria perdão pelas incongruências ditas por ele até antes da leitura.

          • objetivo ..vá ao INCOR perto da tua casa e repare

            a MAIORIA dos enfermeiros é NEGRA ..POBRE, pobre (cuja maioria é composta de negros e pardos) não consegue se manter em curso nobre ..medicina é um curso pra RICO, pra quem pode entrar e ficar sem trabalhar por um bom tempo

            dê ao POBRE preparo, condições isonômicas de competição e permanência e veja o que ocorre ..e se a maioria é negra, pelo esforço e empenho, que sejam bem vindos ..mas não pela côr ..isso é esculhambação e “judiação”

            Não podemos nos valer de critérios RACISTAS pra tentarmos fazer valer o que seria o bem (cotas racistas) ..caso contrário estaremos validando os que usam do mesmo argumento em seu proveito, hoje e amanhã

            CIDADANIA é indistinta ..não vê cara, vê bolso e coração, direitos e deveres, empenho e reconhecimento

            ISSO não é um fenômeno RACIAL (como nos fez parecer crer correntes xenófilas aliadas dos EUA) mas, aqui, um fenômeno econômico-social de idos tempos ..cujos artífices (pro bem e/ou mal) já estão mortos

            NEM sempre o que é bom pra eles é pra nós ..aliás, dificilmente

            Por favor, vá aos mesmos locais de onde vc tirou a imagem pra ilustrar a sua pauta ..vá lá e veja que até 40 anos atrás LÁ, na terrinha que muitos querem copiar, lá negro não podia andar em mesmo ônibus, almoçar nos mesmos lugares, morar no mesmo bairro, ter os mesmos empregos e frequentar as mesmas escolas ou praças ..lá tinha SEGREGAÇÃO, e oficial ..aqui não ..mesmo que alguns queriam forçar

            aliás, nem precisa ir muito pra trás não, é só vc relembrar as imagens do Katrina ..quem sabe assim a sua memória seletiva se recompõe ..

            Machado de Assis, o ícone da nossa literatura e Aleijadinho, nosso maior artista, eram negros ..será que a nossa história não é MUITO mais complexa do que alguns estão tentando nos dizer ?

            não existe milagre nesta história ..só com a CIDADANIA plena, indistinta, é que penso que conseguiremos vencê-los (aqueles que só se pedem de direitos e benecis pros seus)

            pronto ..já escrevi demais de novo ..não tem jeito

          • Com as cotas, a geração de jovens negros não precisará esperar mais vinte anos até que a Educação no Brasil permita a alguém de cor da pele diferente estude medicina.

          • Pq poucos médicos negros?
            Pq maioria dos negros (por razões já exaustivamente debatidas e conhecidas) é pobre!
            Devem ser incluídos, sim!
            Mas há que se pensar tb em como incluir branco pobre…
            Uma passeata do MST /RS, com certeza mostrará branquelos tão “excluídos” quanto…
            As cotas raciais são mais que justas, são necessárias!
            Mas temos de pensar ,sim, nos excluídos pela pobreza, tenham a cor que tiverem!
            Acredito num mundo que ofereça oportunidade, independente de sua cor, ou regiãoonde venha a nascer.. Sonho?
            Sim assumido!
            Espero que meus descendentes (sabe-se lá em quantas gerações) tomem conhecimento via escola, de que em gerações passadas a cor da pele, o credo religioso (ou falta de), ou o local de nascimento poderia determinar um destino pior ou melhor! E esperao que achem que “antigamente era tudo muito esquisito”!
            Não fui eu que “tive o sonho”…mas, sonho o sonho de M L King, fora de moda, ou não!

          • Há muitas políticas de cotas sociais e há políticas de cotas raciais. Ambas são necessárias. Fazer uma não exclui fazer a outra.

          • É cada uma que aparece… Quem não pode estudar porque tem que trabalhar, simplesmente não estuda porque é impossível. Uma coisa impossível é diferente de uma coisa não desejada. Quem costuma ser relapso com os estudos, diga-se de passagem, é a juventude da classe média. Isso porque, como dizia o grande Milton Santos, infelizmente um dos únicos intelectuais negros do Brasil (quando deveríamos ter centenas, milhares), a classe média não quer direitos, a classe média quer ter privilégios.

            Dar cotas seria tirar o privilégio da classe média estudar sozinha na Universidade Pública. É isso que a tradicional classe média não quer. Tendência que oxalá será revertida pela ascensão da nova classe média, que por sinal é mais escurinha. Para desespero dos “não racistas” Kamel e Magnoli, os ideólogos contemporâneos do mito da democracia racial.

          • Sempre houve “cotas” no Brasil. Antes eram os filhos dos barões do café que iam para Coimbra, enquanto seus pais faziam fortuna graças a chibata aplicada à “cota” escravizada. Depois foram a Sorbonne ou Harvard, onde só entravam, de brasileiros, filhos de generais (FHC é um deles) ou de banqueiros.
            Não defendo (e não vejo ninguém defender) a eternidade das cotas para negros, índios, pobres. Em duas ou três gerações de alunos, isso se tornará desnecessário. Mas por enquanto, é nada mais do que democratizar o acesso à Educação, o que nunca houve neste país, pô!
            Interessa-me mais o nível do Ensino, particularmente o da Medicina. O aluno hoje passa 60% do tempo aprendendo a manipular aparelhos, sem contato com o paciente. Segundo a Federação Nacional dos Médicos, em pesquisa recente, quase 80% dos novos médicos não sabem disgnosticar um infarto! Os médicos receitam segundo as mordomias que lhes são oferecidas pelos laboratórios. Os convênios de saúde privada estabelecem cotas de exames que o médico não pode ultrapassar. O SUS sustenta as despesas das empresas privadas de “saúde”, que raramente pertencem a médicos.
            Esses são alguns dos problemas que devemos discutir e enfrentar. O resto é choradeira dos netos de Coimbra…

      • Vou chutar o balde ja que o tema é este .
        Quem em SP comprou um sapato vestido joia perfume em loja que o negro é dono eu falei dono e não balconista .
        material de construção ,açougue,carro como podemos ver até no comércio é difícil sera que eles não querem ou os braquinhos não entra para comprar.

    • nao. Nao roma, a meu ver nao há no post manipulaçao alguma, nem confusao de conceitos pobre e/ou negro.
      O que há na realidade social, na escola de elite e na (i) mobilidade social é a sobreposiçao de conceitos.
      O centro, o core da pobreza é negro. O NAO-ALUNO e o NAO-médico é pobre e negro. Tem a aditiva “e”. E as mais das vezes continua a ser aquele por ser este…
      Nao neguemos isso nem escolhamos um caminho escapista de soluçao.
      É cota racial, tambem social, temporaria os vinte ou trinta anos que forem necessarios ate curar esta chaga tupininiquim. Na sua vertente ‘ apartheid educacional’ .

    • é ,a maioria da população pobre é NEGRA……não sei se vc percebeu

      • Na verdade, no Brasil, os negros e descendentes de negros são maioria em tudo, inclusive na população em geral

        • Edu, eles não são maioria da classe média e muito menos da classe alta.

          Eu concordo com quem defende a cota social, mas tbm acho necessária a cota racial. Não creio que elas sejam mutuamente exclusivas, e acho que há razões diferentes para cada uma.

          É verdade que a maioria dos negros não chega à faculdade de medicina por serem pobres – ou seja, por não terem tido chance de estudar em igualdade de condições com os demais.

          Mas tbm é verdade que a maioria desses negros são pobers por suas famílias terem sido escravizadas em um futuro quase remoto (não faz tanto tempo asim como alguns querem fazer parecer), mas tbm por terem sido excluídas por sua cor de pele em um passado muito mais recente (poucas décadas).

          Em outras palavras, há uma razão racial par que os negros que, como bem colocou o Edu são maioria em (quase) tudo, não serem maioria nas classes mais altas. Afinal, se os negros compõem a maioria da população, mas não fazem parte da minoria rica na mesma proporção, algo relacionado a sua cor de pele deve tê-los alijado dessas classes – o que NÃO acontece com os brancos.

          Enfim, as cotas raciais são necessárias para reparar ESSA condição, populando as classes mais ricas com negros na mesma proporção da população em geral, como seria de se esperar. Por outro lado, as cotas sociais são necessárias para reparar a outra grande injustiça brasileira: a diferença entre as escolas dos pobres e dos ricos.

          Duas coisas distintas, com suas próprias razões, sua própria justiça. E NADA disso adiantará se não houver uma revolução educacional imediata. Sem isso, viveremos tentando reparar uma injustiça cada vez maior e não conseguindo, eternamente.

    • Responda à pergunta que foi feita. Quantas vezes você já foi atendido por médico ou dentista negro?
      Aproveite e responda também quantas vezes você já foi atendido por médico ou dentista branco cujos pais eram pobres.
      E ainda, quantas vezes você foi atendido por médicos e dentistas brancos cujos pais também eram “doutores”?

      No primeiro caso certamente sua resposta será nenhuma vez.
      No segundo caso você não terá informação para responder, mas vai desconfiar que dificilmente isso deve ter acontecido.
      Nossos médicos e dentistas encaixam-se, na imensa maioria, na terceira situação.

      E aí só tem dois caminhos para resolver essa injusta distorção:
      fazemos a revolução e implantamos o socialismo real em que todos terão o mesmo ponto de partida ou,
      incapazes (AINDA!) de fazê-la, intervem-se através da ação do estado.

  3. Edu, esse post me fez lembrar um episódio acontecido há aproximadamente cinco anos. Era a primeira vez que eu ia ao consultório da minha nova dentista, Dra. Luzia, após ter confiado por durante anos a saúde da minha boca a uma outra dentista, Dra. Beth. Naquela manhã em que eu fui ao consultório da dentista que eu ainda não conhecia, enquanto aguardava ser chamado para o atendimento, saiu do consultório uma senhora negra, vestida de branco, usando uma toca e uma máscara cirúrgica, retirada para debaixo do queixo. Eu me levantei e, me dirigindo a ela, lhe perguntei: “a Dra. Luzia já chegou?” ao que a senhora me respondeu: “já sim, você é o Rafael, né? Pode aguardar que ela já irá lhe chamar”. Eu agradeci e me sentei novamente. Depois, por um instante me senti extremamente envergonhado. O que me fizera supor que aquela senhora não seria a dentista? Evidentemente que teria sido a cor da pele. Estou relatando isso porque considerei que esse episódio teve uma importância pedagógica. O racismo está muito enraizado na nossa cultura e, em gestos “corriqueiros” nós o praticamos involuntária e inconscientemente. Naquele instante, acho que eu merecia como resposta algo do tipo: “sim, a Dra. Luzia já chegou sim, sou eu”. Para rematar, como disse Mino Carta em editorial de março, “há quem pretenda que o preconceito à brasileira não é racial, é social, mas no nosso caso os qualificativos são sinônimos: o miserável nativo não é branco”. Em tempo: a Dra. Luzia era mesmo branca. E eu apóio essas políticas de cotas como meio de tentativa de superarmos o que há de mais atrasado no Brasil e que se configura como nosso maior entrave civilizatório: as heranças da escravidão, que se atualizam repaginadas na forma, mas conservando a essência das relações entre senhores e escravos. Naquela manhã, por mais que me envergonhe reconhecer isso, eu me dirigi a uma mucama. Era esse o lugar que eu já havia reservado a ela, antes mesmo de saber quem era ela. Infelizmente a permanência dessa psicologia escravocrata é algo muito forte entre nós, e é importantíssimo combater esse comportamento, inclusive nos “pequenos” gestos do dia-a-dia.

  4. Meu caro Eduardo , no Brasil, tem médicos em EXCESSO, é mal destribuídos. Sou médico há 35 anos em BH, a situação salarial aqui é caótica. Veja no site do CFM e da AMB sobre a abertura indiscriminada e crminosa de faculdades de medicina, no desgoverno FHC. O maldito queria fazer um excesso de mão de obra de médicos para desmoralisar a profissão. Cuidado Eduardo, vc é um homem de bem , que admiro muito, não embarque neste discurso canalha , dos neoliberais que falta medico. Para vc ter uma ideia , a proporção de médico por habitantes nas dez maiores capitais do Brasil , é maior que em Toronto , Copenhaghe e Estocolmo. Temos é que fechar TODAS as faculdades/butecos de medicina que o cínico do FHC abriu.

    Abraços

    • Marcos BH,

      A situacao em BH nao eh caotica ela simplesmente reflete a ignorancia da sociedade mineira.

      Como TODOS os medicos que se formam em BH sao de familias de classe media alta, oriundos de BH ou das cidades do interior que vem estudar na capital, nenhum deles apos se formar quer sair de “Belzonte” e ficar longe do Minas Tenis Clube, dos Shoppings, da vidinha da Savassi e da zona sul da cidade.

      Todos, repito, todos eles e elas, querem atender em um grande hospital meio-periodo e depois correr para as fazer ponto em uma clinica no outro meio-periodo.

      Nao existem hospitais regionais no interior do estado, bons o suficiente, para realizar cirurgias, logo os medicos fazerm de tudo (aceitar salarios de fome) para continuar na “Capital”, para realizarem meia duzia de cirurgias e complementarem o orcamento.

      Tem muuuuuuuuitas cidades do interior que oferece vagas para Clinico Geral e outras habilitacoes medicas pagando salario de 5, 6 ou 7 mil reais por mes.

      Por que entao o medicos formados em BH nao vao para estas cidades?

      O caos em MG nao eh na saude e sim na politica!!!

      Um estado que elege senadores que moram no RJ e politicos que quando adoecem vao se tratar em SP…
      sinceramente….merece ter a saude que tem!!!

  5. Meu caro Eduardo , não perca seu tempo

  6. Sou flagrantemente a póliticas de cotas seja para quaisquer segmentos da sociedade. Moro em Uberlandia e a Universidade Federal de Uberlandia tinha o PAIES que reservava vagas para os alunos do segundo grau. Ora a lei e a constiuição reza que todos são iguais perante a lei e que privilégios são inaceitaveis em um estado de direito, laico e impessoal. Não vejo os representantes dos direitos dos afro descendentes exigirem e se manisfestarem com tanta enfase e firmeza para uma melhora nas condições de ensino no primeiro e segundo graus. Houve uma greve sofrida e terrpível em nosso estado e cadê as elites afrodescendentes favorecidas pela “lei do privilégio” garantido. Não consigo conceber que a injustiça prevaleça para o favorecimento sem que haja uma porta de saída para a questão, é um caso de leniência conveniente. No mais se isto for considerado lícito, que tal cota para “gays”, idosos, anorexicos, loucos, obesos, neuroticos, proletários e o mais justo os pobres, sejam negros, pardos, amarelos, brancos, azuis ou de todas as cores. Pergunto: Até quando haverá este privilégio? Cadê a portga de saída? Onde estão seus defensores nas greves dos professores, na mídia e no congresso exigindo o ensino b´sico de qualidade para todos. Que tal uma cota para quem trabalha 12 horas pordia, paga todos os impostos possíveis e imagináveis e não tam acesso privilegiado nas insitituiçoes de ensino que sustenta com seu trabalho, sacrificio pessoal e familiar.

    • Em um país de maioria negra, quase não há médicos negros. Os outros que você citou não foram escravizados.

  7. Como bem lembrou o Francisco Antero, as cotas NÃO são só para negros, mas também para pessoas carentes. A direita finge que não tem essa informação, só para tumultuar o debate.

    Essa foto é poderosa. Lembrei-me da opinião que o Eduardo teve que ouvir numa festa: “eu não aceitaria me tratar com um médico negro”. Esse aí não teve escolha…

  8. Na abertura da Conferência de Saúde do Ceará, Odorico Monteiro, cearense do Ministério da Saúde, disse que enquanto não tiver estudante do Lagamar e do Bom Jardim (bairros pobres e negros de Fortaleza) na Faculdade de Medicina, vai faltar médico para o PSF nesse “fundão” do Brasil. Ser contra cotas – raciais, sociais – é querer submeter-nos, a todos, a essa sensação escrota de que há melhores e piores. Nossas diferenças devem ser enaltecidas e levadas a um mesmo patamar da beleza e da riqueza humanas. Nossa diversidade nos diferencia como povo, como nação. Somos muitos e muito diferentes. Queremos mais. Queremos a realização, a felicidade de cada um, construindo a felicidade de todos. Pretos, brancos, amarelos, índios – todos – com as mesmas oportunidades, com as mesmas condições intelectuais e econômicas, de esboçar um mundo melhor para as gerações que virão. Cotas não são concessões – representam, antes de mais nada, um dever moral daqueles que têm certeza de que um médico negro pode salvar o imbecil da Ku Klux Klan.

    • Tremendo comentário. Parabéns

    • É isso aí…perfeito!!! Uma das melhores medicinas do mundo é a cubana. Como um país pobre conseguiu isso?

      Li no Facebook um comentário do Emir Sader : “Perguntam:Quantas vezes ja’ foi atendido por um medico negro? (Para provar como a medicina aqui e’ branca). Respondo: muitas. Todas em Cuba”.

      As cotas raciais, não são boas para os negros, são excelentes para o país todo. Todos nós lucramos com isso. Não é nenhum favor, é uma necessitada fundamental para o desenvolvimento de uma grande nação.

  9. PLAYBOYS FRITAM E ESQUARTEJAM PESSOAS. ALEM
    DE NÃO MORRER, ELES TÊM BONS ADVOGADOS

    “JÁ DEU” , do Blog Flavio Gomes

    Semanas atrás a Audi me convidou para andar com alguns carros na pista da Fazenda Capuava, em Indaiatuba. Dirigi um TTS, um RS5 e um R8. São supercarros, velocíssimos, muito potentes, têm um torque inacreditável, freiam absurdamente. São carros de corrida vendidos para “civis”. Só dá para entender tudo que eles fazem numa pista. Só.

    Já tinha guiado carros rápidos, principalmente na Europa. Uma vez o Zé Mariante, colega que cobria F-1, ganhou num sorteio um Porsche para ficar durante um fim de semana de corrida em Hockenheim. Numa autobahn qualquer, em trecho com velocidade liberada, chegamos a 240 km/h. Com segurança, mas com o cu na mão. Poucos segundos, só para bater recorde pessoal, e depois velocidade normal.Twitter

    Por quê? Por que somos bundões? Não. Porque não somos treinados para guiar a 240 km/h. As noções de espaço e tempo são diferentes de qualquer coisa que tenhamos experimentado com rodas e volante em nossas vidas pregressas. Distâncias de frenagem, reações nas curvas, mudança de faixa, tudo fica diferente. Eu fiz autoescola de Fusca. Meu primeiro carro foi um Gol a ar 1.6. Como posso me achar preparado para acelerar um Porsche a mais de 200 km/h?

    Tenho muitas multas. A imensa maioria de estacionamento sem cartão da Zona Azul, rodízio (uma estupidez, porque tenho carros com vários finais de placa) e celular. Por excesso de velocidade, a última foi por passar a 64 km/h numa ponte onde o limite era de 60 km/h. Sou um bom motorista, minha chance de fazer merda é muito pequena, mas meio burro.
    CARNE MOÍDA

    Não aprendemos a dirigir nas velocidades que esses novos supercarros atingem, entre outras coisas porque elas não são permitidas no Brasil. A 100 km/h as pessoas já se embananam todas. O que se faz de cagada no trânsito brasileiro é algo monumental. Todos se acham grandes motoristas. Quando enfiam 150 ou 180 km/h numa estrada reta, se acham pilotos, também. São uns babacas.

    A imensa maioria dos motoristas brasileiros não tem a menor noção de nada, porque não se ensina a dirigir no Brasil. Se ensina a tirar carta de motorista, o que é bem diferente. São muito comuns as legiões de idiotas que pegam suas motos importadas e saem a quase 300 km/h pelas estradas paulistas e sei lá mais onde. Adoro quando um desses toma um tombo e vira carne moída.

    O Brasil vive um momento econômico de prosperidade e fartura. Com ele começaram a ser importadas supermáquinas como os Audi citados, e mais Lamborghinis, Ferraris, Camaros, Mustangs, Porsches, Corvettes, Vipers e a puta que o pariu. Tudo com 300, 400, 500 cavalos. Começo a ter saudades das carroças lerdas do Collor. Eram inofensivas. Esses novos símbolos de riqueza e virilidade estão caindo nas mãos de outra legião de idiotas, a dos filhinhos-de-papai de pinto pequeno que acham que vão comer meninas de unhas vermelhas com seus carrões.

    A BONITINHA DO LAND ROVER

    Eles saem nas baladas, bebem, enchem a cara de energético com uísque, tomam todo tipo de bola e saem pela madrugada, ou pela manhã, porque é cada vez mais normal balada acabar em horário comercial, armados para destruir as vidas de outras pessoas que não têm supermáquinas, que trabalham e pegam ônibus ao amanhecer, ou estão na rua de madrugada para fazer entregas, ou estão voltando para casa.

    Os casos recentes são numerosos. Teve o cara do Porsche que matou a menina numa Tucson no Itaim, o doido do ABC de cuecas com um Camaro preto, o deputadinho assassino do Paraná, a bonitinha da Land Rover na Vila Madalena, o carniceiro das bicicletas em Porto Alegre, e agora esse fedelho de 19 anos num Camaro vermelho que bateu em não sei quantos carros, feriu seis pessoas, um deles com 90% do corpo queimado dentro de uma Chana, ou Towner, uma dessas, que estava indo ao trabalho na Zona Norte. Aconteceu pela manhã. O moleque de 19 anos tinha saído de uma balada às 6 da matina. A foto abaixo, do Camaro destruído, é de Mário Ângelo, da Agência Estado.

    Ninguém se fode verdadeiramente quando causa esses acidentes. É uma distorção das leis brasileiras, que deveriam enjaular essa gente e cobrar de suas famílias indenizações milionárias para as vítimas. Se o papi desse moleque tivesse de vender sua casa no Jardim Acapulco, ou o apartamento de vinte zilhões na Vila Nova Conceição, para pagar as vítimas, no dia seguinte todos os papis milionários trocariam os supercarros de seus molequinhos por Celtas e Corsas.

    O IDIOTA DO PAPAI

    (Os papis merecem um parágrafo à parte. Como é que alguém dá de presente para um menino de 18 ou 19 anos um Camaro de sei lá quantas centenas de mil reais? Porra, ninguém sabe o que é ter alguma dificuldade na porra da vida? Começar por baixo? Andar de ônibus de vez em quando? Ter um primeiro carrinho pequeno, modesto, baratinho? Cuidar dele, lavar aos sábados, passar uma cerinha? Será que um idiota de 40 e poucos anos, os da minha geração que hoje são pais, não percebe que um menino de 20 não tem a menor capacidade mental para dirigir um carro desses? Será que um idiota da minha geração não percebe que dar um Camaro para um moleque de 20 anos é estragar sua vida, criar um monstro? Será que um idiota da minha geração não percebe que se seu filho sai de casa à noite e volta ao amanhecer está fazendo merda em algum canto? E que a chance de fazer uma merda enorme com um carro de 500 cavalos é ainda maior? Minha geração é uma bosta.)

    Mas enquanto isso não acontecer, enquanto não esfolarem as finanças dos papais de filhinhos que saem matando por aí, as autoridades de trânsito do Brasil poderiam fazer alguma coisa imediata. Como, por exemplo, exigir uma carteira de motorista especial para dirigir carros com mais de 100 (eram 200 no texto original, acabei de baixar) cavalos de potência.

    Exigir dos compradores desses automóveis que só servem para exibição de masculinidade exames psicotécnicos, atestados de bom-comportamento, histórico escolar, idade mínima. Além de cursos de direção, se possível caríssimos, e prestação de serviços voluntários em hospitais que atendem vítimas de acidentes por seis meses antes de sentar a bunda num negócio desses e colocá-lo nas ruas.

    Moro ao lado de uma das avenidas mais movimentadas de São Paulo, num trecho sem radares. Da minha janela, de madrugada, vejo verdadeiros animais motorizados compensando as diminutas dimensões de seus falos enfiando o pé no acelerador desses carros, ou torcendo o pulso na manopla direita de motocicletas suicidas.

    Torço para que todos morram fritos e esquartejados, o que acontece às vezes com os motoqueiros, mas menos com os outros protegidos por airbags e bons advogados. Esses não morrem, matam.

    FONTE: http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/

  10. Por que será que se discute e há polêmica somente quanto as cotas reservadas aos negros, já que há um 2 cotistas brancos para 1 cotista branco?

    Acho que todos sabemos a resposta….

    Dos aproximadamente 330 mil cotista brasileiros, há 110 mil negros e 220 mil brancos, portanto o dobro, não há polêmica quanto aos cotistas brancos, só se discute os cotistas negros, se é para ser justo então deveria haver bem mais cotistas negros, já que são a metade da população.

    • Exato. Essas políticas urgentes estão sendo retardadas porque este país tem cultura racista e porque são os brancos racistas que controlam a mídia, que faz companha contra o que é um direito da maioria absolta deste povo, que é negra ou descendente de negros.

      • Quando falo com alguém que é contra as cotas, pode ser não tem problema este é um país democrático, pergunto: és contra TODAS as cotas, ou só as reservadas aos negros? geralmente fico sem resposta…

  11. Edu

    Esta situação tb ocorre nas Forças Armadas, onde o numero de oficiais negros é ínfima, (quem lá viu o oficial negro! ) e tb na Engenharia. Há um meu que deu aulas durante 22 anos, com matricula de cursos semestrais, ou seja 44 semestres de aulas, com uma media de 30 alunos por turma, nos cursos de Engenharia (Eletrica, Mecanica e Civil) na UFES so teve 2 (isso mesmo dois) alunos negros em todo esse tempo.
    Luiz

    • Servi CPOR em Belo Horizonte, e lá tinha três oficiais superiores negros, dois majores e um tenente-coronel. O coronel foi, inclusive, o primeiro negro a ser aprovado no ESCEME, escola de comando e estado maior do exército, no ano de 1993.

  12. Sou Negra O MEU NOME e Lívia Zaruty e digo em bolsas para medicina nem 20% dos negros NAOOOO sentem o INTERESSE de se escrevem..

    Sinto em dizer mais muitos dos negros ainda NAOOOOO seguem o caminho da medicina por pura falta de interesse, eu sou negra e escolhi Design Grafico e nao precisei de COTA NENHUMA graças a Deus,

    Se nao tenho grana LUTO pra conquistar por MERECIMENTO a minha vaga!!

    Mais a cor de minha pele , nunca vai ser arma de privlegios raciais!!

    Nao e racismo..TODOS PODEM FAZER A PROVA , o problema e ignorancia social!! SIM!!

    • Temos, aqui, um novo dado científico: negros não gostam de medicina. Acredite quem quiser.

    • Sinto dificuldade de acreditar se voce é mesmo negra.

    • Lívia Zaruty, vá tentar ser famosa de outra maneira, vá, negra….
      Tenho certeza que tu tem um desequilibrio, uma vontade de ser vista como gente, mas
      está indo pro lado errado.

      Ninguém aguenta mais em toda a net você dizendo: EU, EU, EU, EU, LIVIA ZARUTY, LÍVIA ZARUTY…
      Zaruty é de quem mesmo? Seu nome não é Silva? Que moça mais chata, puxa vida! Apesar do nome já constar no cabeçalho do post faz questão de escrever em caps look MEU NOME É …. Pra ter certeza que vai ficar gravado no Google. Oh moça….

      Depois vai aos encontros, palestras, seminários da causa negra, tira montão de fotos, não diz uma linha sobre o que ouviu e publica fotos dizendo ‘sou linda, totosa, filma eu Galvão, quero trabalhar na Globo!” Não deveria ir se não concorda com nada. Tá procurando fama em lugar errado. A comunidade preta não te reconhece a não ser como a Capitã, sabes do que, não é? Então… Mal informaaaada…

      Sorte ter se casado com um italiano que lhe deu um nome, senão tava lá na comunidade, né?

    • Falou a Condoleezza Rice tropical.

  13. Romanelli está cheio de razão. O que falta é inclusão dos pobres, ou seja, poder aquisitivo e econômico. E quem frequenta hospitais como eu frequento ( problema meu), vê sim que a MAIORIA dos atendentes é de negros ou mestiços. Muito bem treinados, diga-se. Fazer uma faculdade de medicina, de odontologia, de farmácia ou enfermagem custa dinheiro por causa da aquisição do material. Alguém aí me diga se no Brasil as universidades dispõem de bibliotecas completas para servir aos estudantes. Nos Estados Unidos da América do Norte, alunos NÃO GASTAM DINHEIRO COM LIVROS nem no ensino médio, tudo é provido pela escola.
    Quanto à foto….gostaria muito de saber os dados de origem.

    • Em um país de maioria afrodescendente, praticamente não há médicos negros.

      • Como eu disse, gostaria de saber a origem da foto. Nâo ‘me entra’ na cabeça’ que façam atendimento a uma pessoa usando esse capuz da klu-klux-klam. Nessa situação o capuz já teria caido, ou melhor, teriam arrancado para fazer um atendimento melhor.

        • Pelo visto, você parece não acreditar na hipótese de um médico negro atender a um racista branco se este estiver estrebuchando. Provavelmente acha que o médico o deixaria morrer. Ou, então, acha que médicos negros não existem

          • Não senhor Eduardo. Só acho que essa foto pode ser de algum filme ou seriado. Posso muito bem estar enganada, nunca deixo de admitir meus erros, daí a necessidade de saber de onde veio a foto. E seria notável se o senhor parasse de pensar com a cabeça dos outros, achar que os que não pensam como o senhor são ou fazem ‘assim ou assado’. A minha vivência com ‘outros’ povos não é pouca, e pelo que conheço da medicina americana, essa cena teria sim médicos e atendentes negros, mas não só negros. Ou ele foi atendido num país e/ou hospital onde só existem pessoas negras?

          • Na sua visão, alguém falsificou uma cena para provar o que não acontece, ou seja, que médicos e enfermeiros negros possam ter atendido a um ser que odeia os negros, que tenham lhe salvado a vida,, que tenham pago com bondade a sua maldade. É isso o que você pensa.

          • Essa foto é de uma peça publicitária de uma revista americana chamada Large Magazine.

    • A causa IMEDIATA é o poder aquisitivo, é verdade. Mas essa pobreza não surgiu do nada, e nem existe em um vácuo.

      Se os negros são a maioria da população, eles deveriam ser a maioria em todas as classes sociais. Se não o são, algo relacionado a sua cor de pele deve estar provocando o fenômeno. Então, diga-nos: qual a causa desse desequilíbrio?

      É o fato dos negros terem sido e continuarem a ser discriminados e, portanto, sua situação peculiar ser causada pela própria sociedade?

      Ou é culpa deles mesmo, e a sociedade não tem nenhuma responsabilidade e as cotas são privilégios?

      Sinceramente, não vejo nenhuma outra opção que não redunde em uma dessas duas opções. Ou a sociedade é culpada por ter excluído os negros no passado e no presente, reservando-lhes apenas a pobreza, ou eles são os culpados por sua própria situação, por serem incapazes de ir além.

      Eu acho que é a sociedade que é a responsável e a culpada. E vc?

    • O sistema de cotas para negros foi a resposta mais rápida que o governo encontrou para reparar um erro secular contra cidadãos que sofreram e continuam sofrendo discriminação dupla, pela cor da pele e pelas condições sub-humanas a que sempre foram submetidos. E olha que Rui Barbosa ja havia sentenciado que justiça tardia não era justiça e sim injustiça manifesta. E para aqueles que acreditam no Principio Constitucional de que todo cidadão é igual perante a lei, digo que essa é uma das maiores mentiras da nossa Carta Magna. Maluf e Daniel Dantas estão soltinhos da silva, apesar dos pesares.

  14. Acho que a Livia deveria estudar mais a história do Brasil e saberia o quanto o devemos aos negros.
    Infelizmente o racismo existe e aqui no sul me parece ser mais forte. Hospedei um casal adotante em minha casa e saí com eles para comprar roupas para os novos membros da familia e passei vergonha no bairro onde moro, fomos em uma loja e o atendimento foi péssimo, todos olhando para eles e para as crianças com uma cara feia que me deu vontade de ir embora, só não fiz para não expor ainda mais. Um bando de descendentes de italianos que se acham superiores não sei pq!? Essa foi a experiência mais enriquecedora de toda minha vida.
    Superiores são pessoas como eles que já adotaram três crianças e não tem preconceito de cor, idade ou sexo. Esses sim são os dignos brasileiros de quem devemos muito nos orgulhar!

  15. Quando estou discutindo o assunto, e digo que há 2 cotista brancos para 1 cotista negro, e pergunto para quem é contra, se contra todas as cotas ou só as reservadas para os negros, geralmente fico sem resposta.

  16. é por estas e por outras que sou a favor de cotas pela raça e origem (social e escola pública), bem como das bolsas de Pro-Uni. Não é suficiente reverter apenas a questão da formação médica para termos profissionais na atenção básica à saúde em áreas remotas ou nas periferias. O problema também é de origem. Os médicos formados hoje são oriundo das classes sociais mais abastadas e tem enorme dificuldade em trabalhar em comunidades com as quais não tem nenhuma identificação. Tenho trabalhado com médicos egressos de Cuba, todos já regulares no país. Além da formação excelente, voltada para os problemas de saúde mais comuns da população, com alta resolutividade, eles tem a característica (pelo convênio com Cuba) de serem todos de origem proletária. E observo que é isto que faz toda a diferença.

    • Exato. Sempre defendi essa idéia, devemos incentivar e facilitar a entrada de pessoas da periferia a fazerem curso de medicina, para que voltem e trabalhem em seus bairros. Falo isso porque moro na periferia e sei da dificuldade nos postos de saúde de manterem médicos por mais tempo. Parece-me algo tão lógico e só vemos a mesma reclamação, “não tem médicos para trabalhar na periferia… cansativo.

  17. O Ali Kamel com seu “Nós não somos racistas”, infelizmente, faz mais sucesso do que deveria, mesmo entre negros e pardos. Só na cabeça dele vige o medo de implantar o apartheid no Brasil. O diabo é que ele tem muitos seguidores. Assim como o Demetrio Magnoli. Em tempo, observem: Magnoli, um nome italiano. Exatamente um tipo de estrangeiro beneficiado pela exclusão dos negros saídos da escravidão a falar que ações afirmativas são desnecessárias!

    Justamente os italianos que vieram para o Brasil receberam ações afirmativas do governo. E hoje o Demetrio Magnoli, um “italiano”, vem dizer que os negros não precisam de cotas. Nada acontece por acaso.

    • Só lembrando que os italianos, espanhois, alemães que aportaram por aqui com o fim da escravidão estavam literalmente passando fome na terra natal!

  18. Dados recentes do IPEA.

    Raça também: 75,2% da classe A/B é branca, enquanto 72,6% dos pobres são negros ou pardos (ditadura racial?). Há mais mulheres do que homens em todos os estratos. Na classe E, a diferença é de 0,95%, ante 7,23% na elite econômica (igualdade de gênero?).

  19. Anti-cotistas sempre repetem o mesmo argumento: “ah, tem de incluir o branco pobre”. Especialmente o braço midiático da direita (leia-se: o PIG) malha muito nesse argumento.

    Qual nada! Não querem incluir coisa nenhuma. É conversa mole!!!

    Esse ranço, esse preconceito está enraizado no país desde a escravatura. Eles (a Zelite) não querem incluir nada!

    Querem, sim, exclusão: do pobre, do negro, do índio, etc.

  20. Caro Eduardo
    Sou totalmente a favor das cotas raciais. Embora ache que é uma solução paliativa e só válida como uma medida provisória. Tem que se ir as causas do problema do porquê os negros não chegam às facukdades de Medicina. Na faculdade pública em que estudo aqui no RJ, só tem DOIS estudantes, mulatos, em toda a faculdade. NENHUM NEGRO. E NENHUM professor negro.
    Sou totalmente a favor de uma política efetiva de educação e saúde de qualidade no ensino básico bem como no ensino secundário . EDUCAÇÃO PÚBLICA, DE QUALIDADE, EM TEMPO INTEGRAL e com assistência alimentar e de saúde acopladas, como eram os CIEPs de Brizola..
    Os negros não pleiteiam em massa a área de Medicina simplesmente porque sabem que o curso é longo e após o curso terão que fazer residência, especialização e isso leva mesmo uns dez anos. Os livros são caríssimoe e concluir o curso exige estudo e estágios práticos, ou seja dedicação integral e exclusiva. Muitos estudantes pobres desistem no meio do caminho, por não suportar a carga horária e o dispêndio de energia e recursos financeiros. Já assisti entristecida a três casos desse tipo, na minha turma de quartoanistas.
    Além disso, os exames vestibulares costumam ser muito puxados o que exige que o vestibulando tenha frequentado bons colégios e tido dedicação exclusiva aos estudos. 85% dos meus colegas de turma estudaram em bons e caros colégios particulares. Essa é a realidade. E 15% estudaram em colégios públicos com excelência,como o Aplicação da UERJ , da UFRJ e o Pedro II. Esses 15% , embora tenham estudado em colégios públicos, são oriundos da classe média. Ou seja, não existe UM ALUNO SEQUER sequer na minha turma que seja de família pobre.
    Creio que aproveitando o fato de que nossa Presidenta é competente economista devemos focar em cima de melhorar essa questão dos juros altos e da dívida pública. Nesse sentido, adorei as idéias da Auditora Maria Lúcia Fattorelli, cujos vídeos e site foram colocados aqui ontem por comentaristas no post de ontem. Sugiro a todos que vejam aqueles vídeos. Precisamos de mais recursos públicos para investir nos serviços públicos essenciais de educação e saúde, com urgência, para tentar reverter esse quadro perverso e injusto.

  21. Nunca vi um médico negro em Fortaleza, minha cidade natal. Nunca vi um médico negro em Recife, minha cidade atual. E olha que para cá, Pernambuco, vieram muitos africanos obrigados a plantar cana… Não recordo de ter visto nenhum médico negro em toda a minha vida, nem na televisão. Médicos negros existem???

    Nos EUA, racistas até a medula, eu sei que eles existem. Com todos os defeitos que os Norte-americanos têm, eles tiveram a dignidade de se reconhecer racistas; aqui não. Aqui, o Ali Kamel sentenciou: “Não. Nós não somos racistas”. E assim querem deixar morrer, melhor dizendo, querem matar o assunto: como se apenas por dizer que o racismo não existe fizesse com que ele de fato deixasse de existir. Querem que tudo fique como antes.

    • Deve ser falta de universidade, né?

      • falta de vergonha de quem governou o país até 2002

      • Não. Em Fortaleza e em Recife há faculdades de medicina. Frequentadas por brancos. Há excelentes médicos em ambas as cidades, de cujos serviços eu, minha família e meus amigos já pudemos usufruir. Ocorre que, nessas duas cidades, nunca vi acadêmicos de medicina nem profissionais médicos negros.

        Dizem que a realidade é diferente em países como Cuba e Venezuela. Não sei. Nos EUA eu sei que é. Eles têm cotas raciais. Os racistas norte-americanos são mais avançados do que os racialmente democráticos brasileiros, no quesito inclusão racial – até presidente negro eles têm.

  22. Apesar da teimosia e da irredutível intransigência dos racistas, os dados apresentados são bastante eloquentes. Mais dez anos e esses resultados acentuarão ainda mais a eficácia das cotas sociais e raciais introduzidas no ensino superior brasileiro.

  23. O fato é que no Brasil ainda prevalece um sistema de castas altamente perverso.Uma minoria tem direitos as melhores universidades e totalmente custeadas pelo Estado e para acessá-las estudam em escolas “privadas” que no fim das contas terão as mensalidades totalmente descontadas no imposto de Renda.E não apenas os estudos,os custos com planos de saúde privados são pagos atravé dos mesmos artifícios tributários.Resumo da ópera:o estado é quem paga tudo para a elite preconceituosa há séculos neste sistema.Aos pobres,não brancos resta as faculdades caça níqueis que cobram preços absurdos e entregam um ensino absolutamente medíocre aos formandos em uma de enorme gama de cursos.Inclusive tenho sérias restrições a forma como é feita os financiamentos pagos pelo governo sem exigir dos senhores dono de instituições de ensino superior melhorias no ensino.

  24. Eduardo, contestaram lá atrás que a foto pudesse ser falsa. Dando a entender que seria natural que médicos negros deixassem este Kux Klux Klan morrer.
    .
    Estes infeliz deve ter sido espancado num ato legítimo de reação de uma comunidade negra.
    .
    Dizem até que a montagem dá-se em função do capuz que não caiu. Ora, se for uma peça única é natural que o capuz não venha a cair no chão. A foto para mim é verdadeira..
    .
    E percebam a previsibilidade dos anti-cotas. Como eles insistem que cotas são apenas para negros. Apenas tumultuam o debate.

  25. São Paulo sempre me surpreende de forma desfavorável. Em 80 quando entrei em Medicina na Bahia, alguns poucos negros entraram também, considere que esses alguns foi há trinta anos. Desconheço a realidade de hoje, porém, pelo que vejo em todo o Estado, deve ser bem melhor.

  26. O problema é mais simples na verdade: Estudar medicina é muito caro. Se o sujeito não tiver “paitrocínio” e berço ele vai ter que fazer milagre para pagar materiais de estudo caros e conseguir se manter ao mesmo tempo, bolsa de estudos é só um ou outro que consegue (e isso quando algum fdp não desvia estas bolsas para os “bem nascidos”). E isso se ele conseguir vaga em uma universidade publica, que nas particulares a mensalidade de um curso de medicina é maior do que o salário da maioria da população.

  27. Edu, eu acho que o dilema é o seguinte: as cotas sociais incluem a classe C, que estudou em escolas públicas menos ruins, e enfrenta menos problemas pessoais, sociais e familiares que as classes D e E. Num Estado onde negros são minoria mas ainda assim estão, sim, concentrados em bairros pobres e favelas, nem sempre as cotas socias incluem negros (pois aqui, a classe C é marjoritariamente branca).

    Assim, as cotas raciais acabam incluindo as classes D e E; no entando, também “incluem” filhos das classes A e B, que são ão boyzinhos quanto seus colegas brancos.

    Por mim, era 70% cota social, com alguma estratificação pois, no Brasil, existe mais de uma pobreza; e isso seria suficiente para incluir negros.

    • Negros não são minoria, são maioria. Só não é negro quem é branco. Quem é mestiço, nesta sociedade, é tratado como negro. Ou pior do que negro. negros e descendentes de negros formam mais de 50% da população.

      • Edu, quem mora em São Paulo acho que o mundo é como São Paulo. Negros e pardos são minoria no Sul. Venha e veja. Abraço.

      • Hahaha, agora fui ver, falei em “Estado” mas não falei que era o Paraná. Só pra me corrigir então, eu estava falando do caso específico do Paraná. Aqui a maioria é branca, mas, como você deve ter adivinhado, essa maioria é menos maioria à medida que vc se encaminha pra periferia…

        Não posso adivinhar como é a realidade em outros estados. Só sei que no Paraná cota social não inclui suficientemente os negros e pardos da nossa população – por esse motivo que te expliquei, porque atende a classe C, e até onde sei os negros são minoria na classe C… para incluir os negros, no Paraná, precisa de cota racial ou um modelo que ainda não existe, ou seja, ter mais de um tipo de cota social.

        Mas francamente, qual é a vantagem pra sociedade de dar uma mão pra um boyzinho ou patricinha, ainda que seja negro? Acho que cota racial só com exigindo comprovação de renda ou histórico de escola pública, senão…

        • Segundo o PNAD 2009, do IBGE, mais de 50% dos brasileiros são negros ou descendentes de negros

          • Sim Edu, a maioria no Brasil é preta ou parda. E tem mais cara: vá ver a população contada como branca. Estão mais para para mestiços que para “brancos de olhos azuis”, quer dizer, mais para o fenótipo do Lula.

            Uma boa parcela do Brasil tem origem nas migrações do século XIX (afinal, elas ajudaram a povoar o Brasil); uma parcela grande, mas ainda assim minoritária! E os sobrenomes italianos, alemães, ou portugueses de alto pedigree (ou seja, aqueles que descendem da aristocracia colonial, não dos portugas analfabetos como meu avô Aires) dominam o empresariado, a política, a medicina brasileira…

            Por isso eu acho que a eleição do Lula foi mais que um marco social, foi um marco étnico. O Lula é branco, mas não tem a cara dos brancos que costumamos ver fazendo coisas importantes no jornal… tem cara de pobre.

            Tudo isso pra dizer: a etnia que parece apta para ocupar altos cargos e seguir grandes destinos não chega a 30%.
            (Não quis dizer que para os negros a situação não seja sempre mais difícil que para os brancos; quero dizer que o racismo/elitismo brasileiro tem essas nuances)

  28. Sou totalmente a favor das cotas.Até porque,muitos estudantes negros e pobres,jamais teriam condições de estudar em uma Universidade,não fossem elas.Fiquei pensando sobre o tópico e após pensar,lembrei que conheço um médico Cardiologista e Geriatra negro.Casualmente,conheço sua história,pois é pai de uma amiga minha.Mora em Porto Alegre.Segundo minha amiga,sua avó deu o filho para um casal que não podia ter.Esse casal deu condições para que estudasse e ele é ( segundo alguns pacientes),muito bom médico.Com certeza,nesse imenso contingente de profissionais gaúchos,deve existir muitos mais.Mas que não é comum ver negros em posições até então apenas dos brancos,não é.O fato relatado mostra que esses abnegados fizeram juz ao seu juramento e salvaram um inimigo,que em posição contrária,não exitaria em enforcá-los.A KKK é uma chaga da sociedade americana,que não foi apenas racista com os negros,o foi com os judeus também,por ocasião da II G.Guerra.Apesar dos esforços de um almirante alemão,que tinha a bordo milhares de judeus (hoje israelitas),não conseguiu desembarcá-los nos EUA,sendo obrigado a voltar à Alemanha,onde “sua carga” foi conduzida aos campos de concentração.Gestos de amor e solidariedade, ou de inclusão,a fim de reparar o descaso e o esquecimento secular, infelizmente não são entendidos,ou são até distorcidos,porque a sociedade não é apenas racista,é hipócrita ao negar o fato.

  29. O pai do Gilberto Gil era médico, ginecologista. Como o Eduardo já respondeu em um dos comentários, no NE, em especial na Bahia, é menos raro encontrar um médico negro.

    Há poucos anos, um estudante negro do último ano de odontologia foi levar a namorada ao aeroporto de Guarulhos, às 05h00, e a PM o “confundiu com um bandido” e o matou.

  30. POR FALAR EM DISCRIMINAÇÃO E NAS VISÕES IMBECIS, REDUCIONISTAS, SIMPLIFICADORAS, TOLAS E DETURPADAS QUE A ACOMPANHAM, VOCÊ, INFELIZMENTE, ACABA DE SER VITIMADO POR UMA DELAS : NÃO É APENAS NO “SUL E NO SUDESTE” QUE NÃO EXISTEM MÉDICOS NEGROS : É EM TODO O BRASIL, CARA PÁLIDA! MORO EM RECIFE, SOU CUNHADO DE UMA MÉDICA, TENHO DOIS AMIGOS DE INFÂNCIA QUE VIRARAM MÉDICOS E DUAS PRIMAS QUE TERMINARAM MEDICINA RECENTEMENTE(COMPARECI ÀS FESTAS DE FORMATURA DE TODOS ELES)E POSSO AFIRMAR TRISTEMENTE(E BOTA TRISTEMENTE NISSO!)QUE NÃO HAVIA NENHUM FORMANDO NEGRO. SEM CONTAR MINHA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA PESSOAL : SOU FORMADO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS PELA UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO(UM DOS MELHORES CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO DO PAÍS – ALÔ! EXISTEM CURSOS UNIVERSITÁRIOS EXTRAORDINÁRIOS FORA DO “EIXO” DECADENTE DO RIO E SÃO PAULO) E TAMBÉM NÃO HAVIA NENHUM ALUNO NEGRO ENTRE OS MEUS COLEGAS DE FORMATURA. ALIÁS, ATÉ O NÚMERO DE ALUNOS COM ALGUM TRAÇO DE MESTIÇAGEM(QUE NÃO POSSUÍAM CARACTERÍSTICAS 100% EUROPÉIAS, ERA MÍNIMO : NÃO CHEGAVA A 10% DO TOTAL DE UNIVERSITÁRIOS). POSSO AFIRMAR COM SEGURANÇA POIS, COMO FUI DO MOVIMENTO ESTUDANTIL, PASSAVA CONSTATEMENTE NAS SALAS PARA DIVULGAR INFORMES AOS ALUNOS. SÓ LEMBRO-ME DE, EM TODAS AS TURMAS E NOS DOIS TURNOS EM QUE O CURSO FUNCIONA, TER CONHECIDO UM ALUNO NEGRO. Faço essas “correções” não para “me orgulhar” de nada : O Nordeste não é melhor ou pior por ser bem mais branco dos que vocês sulistas pensam. Como também vocês não são melhores ou piores por serem bem mais negros do que desejam admitir : TODAVIA, TODOS NÓS, NORDESTINOS, NORTISTAS E SULISTAS; SOMOS BEM PIORES POR ESTARMOS EM UM MODELO SOCIAL RACISTA E TERMOS QUE CONVIVER COM A “CARA” DESSA EXCLUSÃO NA NOSSA FRENTE. NÃO ME LEMBRO DE JAMAIS TER SEQUER ME CONSULTADO COM UM MÉDICO NEGRO : MAS INFELIZMENTE CONTO ÀS CENTENAS OS “POSTOS INFERIORES”(AUXILIARES DE ENFERMAGEM, RECEPCIONISTAS)QUE SÃO OCUPADOS POR NEGROS NA SAÚDE. E ESSA SITUAÇÃO REVOLTANTE OCORRE EM RECIFE, EM SÃO PAULO, EM MANAUS, EM BELO HORIZONTE, EM CUIABÁ, EM NATAL. Distorção que começa na escola : num país em que o ensino público, que deveria ser o único existente e universal, ainda é de qualidade inferior(apesar da melhoria que os Governos Lula e Dilma vêm realizando para corrigir essa distorção), no qual os que desejam uma educação de melhor qualidade precisam recorrer ao ensino privado, são os estudantes de lá(brancos na quase totalidade, uma vez que é esse o perfil étnico do que estão nos níveis mais elevados de renda, e assim têm condições de custear uma escola particular)que conseguem ingressar nas universidades públicas(estaduais ou federais), que são as melhores e onde localizam-se os cursos mais “conceituados”, e por isso mesmo têm os vestibulares mais difíceis. OU SEJA, VIVEMOS UMA PERVERSÃO EDUCACIONAL REVOLTANTE : SÃO OS ALUNOS MAIS “RICOS”(BRANCOS E DAS CLASSES MÉDIA E ALTA)QUE CONSEGUEM INGRESSAR NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS, GRATUITAS, QUE TÊM OS MELHORES CURSOS E QUALIDADE DE ENSINO, E POR ISSO MESMO OS VESTIBULARES MAIS DIFÍCEIS, JÁ QUE TIVERAM RECURSOS PARA CUSTEAR A EDUCAÇÃO PRIVADA, DE QUALIDADE SUPERIOR. GRAÇAS A ISSO, IRÃO FAZER SEUS CURSOS SUPERIORES EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS, PAGAS PELOS IMPOSTOS DE TODOS OS CONTRIBUINTES, PRINCIPALMENTE DOS MAIS POBRES, QUE PAGAM MUITO MAIS TRIBUTOS QUE OS RICOS NESTE PAÍS, TANTO PORQUE SUA RENDA É MENOR(O QUE QUER DIZER QUE, MESMO QUE A BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS FÔSSE ISONÔMICA, AINDA ASSIM PESARIA MUITO MAIS PARA ELES, POR TEREM MENOR RENDA); COMO TAMBÉM PORQUE ESSA BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁRIA ATINGE PRINCIPALMENTE O CONSUMO(QUASE NÃO INCIDINDO SOBRE A RENDA E A RIQUEZA), PREJUDICANDO COM ISSO OS MAIS POBRES, CUJOS RECURSOS SÃO DESTINADOS QUASE SE QUE INTEGRALMENTE PARA O CONSUMO. O Sistema de Cotas é o começo de uma MAIS QUE MERECIDA CORREÇÃO(PELO MENOS É UMA COMPENSAÇÃO) dessas distorções, cujo conserto demandará anos e necessitará de medidas bem mais contundentes relativas à distribuição da renda e da riqueza. Todavia, dentro da correlação de forças existente em nossa Sociedade, na qual a classe dominante perdeu apenas uma parte do poder político, mas detém o econômico e o militar, O SISTEMA DE COTAS É UMA MANEIRA FANTÁSTICA DE INICIAR-SE A CORREÇÃO DESSA BARBARIDADE HISTÓRICA QUE RESERVOU O DIREITO À INSTRUÇÃO QUASE QUE EXCLUSIVAMENTE A UMA ETNIA. EM TODO O BRASIL, AINDA QUE ESSA INSTRUÇÃO SEJA PAGA PELOS RECURSOS DE TODOS, PRINCIPALMENTE DAQUELES A QUEM ELA É NEGADA! O programa vem sendo um sucesso em todo o país(os alunos cotistas, até por conhecerem a necessidade de perto, agarram-se a essa oportunidade e revelam-se bem melhores que os não cotistas). O êxito dele complementa-se com as mudanças no IMBECIL VESTIBULAR, o qual está sendo progresivamente substituído pelo ENEM(exame de caráter bem mais amplo, que avalia de fato o conhecimento do aluno, ao contrário do adestramento exigido pelo vestibular que, além de antididático, só contribui para a exclusão por beneficiar aqueles que podem pagar pelas “aulas” de adestramento promovidas pela indústria dos cursos preparatórios)e aos poucos começa a realizar mudança fundamentais, não apenas na educação e na economia brasileiras(já que contaremos com uma quantidade muito maior de profissionais com curso superior, graças também ao aumento do número de universidades. Como também veremos um incremento significativo na renda das classes mais oprimidas); mas principalmente na cidadania(milhões de brasileiros, negros, índios e mestiços, começam a ter acesso à educação que sempre foi-lhes negada)e na consciência de nosso povo(com a educação, aumentará a consciência política, já que essas pessoas compreenderão o modelo histórico de exclusão que privou-os durante décadas do acesso ao conhecimento para poder dominá-los e evidentemente exigirão que esse modelo, e todas as instituições e pessoas que o representam, sejam banidos de nossa sociedade). DÁ PARA ENTENDER PORQUE A GLOBO ODEIA TANTO AS COTAS RACIAIS E O ENEM E TAMBÉM PORQUE ESTIMULA TANTO OS ESTEREÓTIPOS QUE IMPEDEM QUE ATÉ BRASILEIROS BEM INTENCIONADOS COMO VOCÊ CONHEÇAM REALMENTE O SEU PAÍS?

  31. É claro que é muito mais óbvio a adoção de cotas sociais que independe da cor da pele das pessoas. Seria dar uma “banana” aos brancos pobres.
    Cota racial é o atraso. É uma espécie de racismo às avessas para querer se desculpar do passado, no qual os negros foram escravizados, descontando-se a ira sobre os brancos pobres.
    E, além disso, como definir (na maioria dos casos) que alguém é “negro”? Qual seria o critério? Estando em um país onde existe uma gama enorme de mestiços. Como se faria a segregação, digo, separação de quem é negro?
    Se faria análise da pele por um espectrofotômetro, de preferência nas partes mais íntimas do corpo onde se toma pouco sol? (se não eu poderia ser aprovado como negro e entrar na cota se o exame fosse feito logo após passar minhas férias na praia)

    Se faria análise em um teste de DNA?

    Auto-declaração não vale senão todo mundo vai falar que é negro pra entrar na conta, hehe…

    A realidade é que não adianta querer discutir isto com os “esquerdistas da gema”, pois a luta racial é parte integrante e inseparável do núcleo da “cartilha” para a tomada do poder. Defenderão-a até o fim, mesmo que não haja um mínimos de argumentos lógicos e de bom senso.
    A luta pelas cotas raciais pregadas pela esquerda radical é apenas mais um tipo de demagogia barata para tentar cooptar parte da população.

    • apesar de todas as bobagens terem sido extraídos do manual do bom racista, vale informar ao facistóide, aí, que na hora de discriminar ele e os degenerados iguais a ele sabem muito bem identificar os negros

  32. Edu, gostaria de dizer que:
    Moro em Araruama (RJ) e há uns 5 anos atrás fui diagnosticado tendo pedras na vesícula, após sentir fortes dores, por uma médica gastroenterologista negra em São Pedro da Aldeia, que infelizmente não recordo o nome… fui operado pelo marido dela, negro, excelente Cirurgião-Geral e Proctologista, que atende em toda a Região dos Lagos. Uma cirurgia perfeita para um paciente de mais de 120KG, na época, chato, preguiçoso, medroso… e ando procurando este médico novamente pois na época ele disse que estava se especializando em cirurgia bariátrica. O nome dele é Dr. José do Carmo.
    Não consigo me ver fazendo uma cirurgia bariátrica sem que seja com este médico.
    O que eu gostaria de dizer é que foram os únicos médicos com os quais fui atendido durante toda a minha vida, e talvez tenha sido as minhas melhores relações com médicos que já obtive, visto que já fui consultado por ortopedistas, endocrinologistas, oftalmologistas, otorrinolaringologistas, cardiologistas, neurologistas, dermatologistas, todos da cor branca.
    Acho mesmo muito estranho que o percentual de médicos negros seja tão pequeno e acho mesmo que o meu percentual é ainda muito maior do que a média nacional… é muito dificil ver médicos negros neste país.

  33. Eduardo , o CFM , já comprovou junto com o Ministério da Saude , que , enquanto não houver uma POLITICA de bons salarios, para levarem os medicos , para o interior do Brasil , nada será resolivido.
    Vou te dar um exemplo pessoal , faz dez anos que fui trabalhar como cardiologista em Porto Seguro _BA, lugar que adoro e frequento há 30 anos !!!!!!!!! Fiquei lá 2 anos , ganhei , um bom dinheiro , e voltei para BH.
    Motivos : a prefeitura pagava mal e dava cano , só existia praia como lazer, não existe UMA livraria na cidade , e a noite as unicas diversões são beber , fumar maconha e cheirar cocaína !!!!!!!!! TÔ FORA
    Faz 10 anos que voltei para ganhar bem MENOS e NÃO me arrependo.
    Como disse o comentárista , acima João Barbos, aqui vou para a Savassi pois lá temvárias livrarias, penso que ele deve detestá-las !

  34. “a frase ” voce ja se perguntou se pobre, independente da cor, chega lá”
    é marciana, é um ET, se aplicada como é o caso, ao Brasil.

    Acontece que pobre, nosso pobre, NAO EH independente da cor. Repetindo, nosso pobre NAO EH independente de sua cor.
    Só isso.
    Factualmente, só isso.
    precisa mais?

  35. Infelizmente, tem pessoas que só sentem a dimensaão e a dor da injustiça, quando ela aparece na sua casa, na sua família.Eduardo, concordo contigo:quase não se vê negros na medicina.Os conservadores me assustam por isso: não abrem portas para todos, são seletivos.

  36. Claro! Assim como não há presença expressiva de afrodescendentes em qualquer profissão oriunda de curso universitário que demande tempo, dinheiro, base escolar. Enfim, capital social.
    O escravagismo não se esvai com a simples assinatura da lei abolicionista, e a lei de cotas é um mecanismo imprescindível para que a “Senzala” não fique tão distante da Casa Grande.
    E salve a Lei Afonso Arinos! Até que ela surgisse, nem a conquista do diploma em medicina assegurava ao negro tratamento igual. Por ex.: um famoso médico em Rio Preto foi aceito como sócio no mais vip clube – com a condição de que a família não entrasse nas piscinas.

  37. Os anti-cotistas não entendem muitas coisas sobre as cotas. Em primeiro lugar, elas não são uma vantagem ou um privilégio concedido a uma raça em particular, mas a reparação de uma desvantagem imposta a essa raça no passado. E não, não se trata “apenas” de reparar a escravidão, mas sim toda a discriminação a que os negros foram submetidos por toda a história do Brasil, INCLUSIVE nos dias de hoje, em pleno sec XXI, a despeito das bravatas de Kamel e cia.

    Outra coisa que não entendem é que as vagas dos cotistas não estão sendo “subtraídas” de quem deveria tê-las por direito – uma ideia que fica implícito na maioria dos argumentos anti-cotas. Afinal, se há esse direito, ele foi “subtraído” de toda uma raça no passado, ao ser-lhes negada a igualdade de condições. Se esse “direito” nasce da possibilidade de ter cursado boas escolas, e essa possibilidade é um PRIVILÉGIO dos poucos que podem pagar por essas escolas, então não existe direito algum àquelas vagas, mas sim um privilégio.

    Privilégio não origina direito.

    Outra coisa que eles não conseguem entender é que eles estão errados em achar que o povo – neste caso a parte mais pobre e marginalizada do povo – são vagabundos e incapazes. Novamente, é algo que fica implícito em muitos dos argumentos anti-cotas (e em muitos outros, diga-se, como os contra a Bolsa Família, por exemplo). Dizem eles que os cotistas terão performance inferior, ou que são os únicos culpados por sua própria condição ou, ainda, que lançarão mão desses “privilégios” para não terem que estudar/trabalhar.

    A elite e a classe média SEMPRE considerou – muito embora sem admitir expressamente até a última década – que o grande culpado pelo subdesenvolvimento brasileiro era o povo, que eles consideram ser vagabundo, ocioso, preguiçoso, incapaz, etc.

    Afinal, como pode um país dirigido por uma elite culta e rica não ir pra frente? Com certeza não deve ser culpa dessa elite formada nas melhores universidades do mundo, não é mesmo? A culpa deve ser do “zé povinho” que não lhes segue o “exemplo”.

    Esse tipo de visão míope pode ser encontrada hoje, explicitamente, nos mais vocais defensores da direita, especialmente nos “argumentos” contra a bolsa família. Em todo debate sobre o assunto, sempre aparece alguém dizendo, claramente, que o povo é vagabundo e a BF, assim como as cotas, é apenas mais uma coisa para que eles tirem proveito e “vagabundeiem”.

    E, saindo muito do tema, ouso dizer que esse é o grande terror que eles tem de Lula: depois dele, ficou claro que o problema JAMAIS foi o povo que a elite passou séculos subjulgando e minando a auto-estima. Esse povo não é vagabundo, nem ocioso, nem incapaz, nem estúpido mesmo quando analfabeto. Ao contrário, foram sempre as elites cultas e capazes que deixaram o país no buraco.

    Imagina, então, quando as cotas provarem que esses “incapazes” aos olhos da elite são tão ou mais capazees que seus diletos filhos formados na europa e nos EUA? Pior, e o que pensará o povo quando perceber que não precisa ser guiado pela elite e que se dá bem melhor ao deixar de ouví-la?

    Imagina quando essa elite tiver que agradecer aos mais pobres por terem usado a merreca da bolsa família para alimentar a nossa economia e financiar nosso crescimento?

    Impensável! Tanto quanto seria, para a classe média, ter um pobre negro e favelado estudando com seus filhos…

  38. Gostaria de acrescentar um dado a essa discussão toda…..

    Faço medicina, em uma universidade estadual, no estado de São Paulo. Me formo esse ano e na minha turma tem 2 negros em uma sala de 64 alunos.

    O vestibular é vinculado a Unicamp e assim sendo há pelo menos uma somatória de nota caso o aluno tenha feito ensino medio e fundamental em escola pública.

    1 deles passou sem necessitar da soma de escola pública, alias tinha feito escola particular, fruto de mãe solteira que trabalha nos 3 períodos e irmão mais velho que rala que nem louco.
    Outro não, passou graças à pontuação a mais.

    Cerca de 30% dos alunos que entram por aqui acaba sendo por esse tipo de pontuação. São alunos tão bons quanto, mas que tem muita dificuldade em custear os 6 anos de curso integral sem possibilidade de trabalhar.

    Vendo como as coisas são por aqui, vejo a necessidade de o sistema de cotas ser mais necessário ainda…… perai……. quase 5% só da minha sala sao negros? e quantos negros há no Brasil?
    Se a estimativa eh de que 30% de pobres entram aki, qual a proporcao de pobres no Brasil?

    Cerca de 80% dos alunos de curso de Medicina são os filhos de pais burgueses, classe média, que fizeram sempre escola particular, cursinho, curso de lingua estrangeira e redação particular.

    Um simples exemplo prático…… nada a acrescentar….

  39. Quotas raciais fariam sentido se ,em algum momento do vestibular, o candidato fosse barrado pelo simples fato de ser negro. Isso não acontece, mesmo porque, ao longo de todo processo seletivo de ingresso em uma universidade, há uma preocupação muito grande, por parte de seus organizadores, em impedir que o examinador possa saber a quem pertence a prova corrigida por ele. Na verdade, o que ocorre é que, por razões históricas, se pinçarmos da sociedade brasileira duas amostras da população, uma composta por negros e a outra composta por brancos, certamente teremos um percentual maior de pobres na primeira. E é por ser pobre, filho de pobre e neto de pobre, com tudo que isso, via de regra, representa (impossibilidade de acesso a boas escolas, ambiente familiar de poucas letras, etc), que um candidato negro não passa no vestibular de uma invariavelmente disputada faculdade de medicina, ou, antes disso, simplesmente não conclua o ensino médio ou até mesmo o fundamental. Não me parece que cotas raciais sejam o remédio adequado para a situação aqui descrita. Mais sensato seria termos então quotas sociais (para pobres), o que acabaria por beneficiar indiretamente os negros. Para finalizar, penso que quotas raciais poderiam fazer sentido naqueles situações em que há realmente a possibilidade de discriminação pela cor da pele. Isso dificilmente acontece nos processos seletivos de ingresso no serviço público, vez que, com algumas exceções (penso aqui nos casos de concursos que têm uma fase oral), caracterizam-se pela impessoalidade. Já na iniciativa privada, imagino que, por ato discricionário do encarregado da seleção, um candidato, a despeito de seus méritos pessoais, possa ser recusado simplesmente pela cor da pele, embora essa motivação obviamente jamais venha a ser revelada. Para essa situação, em que há uma possibilidade real de discriminação racial, as quotas raciais poderiam ser um bom antídoto.

    • A cota racial não combate a discriminação de hoje, mas a de sempre.

      Como vc mesmo colocou, há uma desproporcional quantidade de negros nas classes mais pobres e nas mais ricas, fruto de um processo histórico. Esse processo chama-se discriminação, racismo, marginalização.

      E a cota racial combate os efeitos desse processo, que se sentem ainda hoje. Esse processo histórico não ocorreu no vácuo, nem foi gerado espontaneamente. Foi a sociedade que o promoveu, e é a sociedade que é a responsável, e é ela que sente os efeitos disso hoje e que precisa reparar os danos que causou, reestabelecendo a igualdade de oportunidade que negou por tanto tempo.

      E esse reestabelecimento não pode ser feito em prestações, durante gerações, sob pena de adicionar ainda mais danos em cima daqueles. Ela precisa ser imediata, pronta, efetiva. Não podemos esperar que os bisnetos dos marginalizados de ontem finalmente tenham alguma igualdade de oportunidades com os bisnetos dos que marginalizaram. Já se passaram gerações demais e a cada dia que passa a nossa vergonha só aumenta.

  40. Eduardo, a coisa é tão séria que observando no site do CREMEB (conselho regional de medicina do Estado da Bahia) temos a imagem dos 42 conselheiros e conselheiras e das imagens vemos apenas 3 negros, ou seja 7%. Ocorre que o percentual de negros na Bahia supera 70%, estando em volta de 74%.

  41. Quer resolver a falta de médicos na rede pública? Implante o ponto eletrônico!

  42. Gostaria muito de cursa medicina, é um sonho…..

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