Sobre a crítica de Caco Barcelos à imprensa brasileira
Posted by eduguim on 23/10/11 • Categorized as Esclarecimento
Em nome da verdade factual e da honestidade intelectual, não poderia deixar de reparar erro absolutamente involuntário que posso garantir que só cometi por ter reproduzido de cabeça frase do jornalista Caco Barcelos que eu o ouvi proferir em 20 de setembro em um programa da Globo News, o programa “Em Pauta”. Foi um tipo de erro que a grande imprensa vive cometendo, mas isso não repara o erro.
Acabo de receber link para vídeo no You Tube que não postei aqui antes porque a Globo News não pôs em seu portal na internet. E a Globo News fez isso porque, como o leitor poderá ver na transcrição e na reprodução desse vídeo logo a seguir, o jornalista Barcelos fez críticas duríssimas à imprensa brasileira.
Qual foi o meu erro? No título do post que publiquei neste blog no dia seguinte ao do programa, ao reproduzir de cabeça o que assistira na tevê no dia anterior – e isso porque, repito, a Globo preferiu não disponibilizar na internet cenas de um seu jornalista criticando o jornalismo da grande imprensa – acrescentei um adjetivo a termo que Barcelos usou em comentário extremamente crítico que fez ao jornalismo brasileiro.
O título do post foi: “Caco Barcelos: ‘Faço jornalismo, não militância política’”. Ele, porém, não disse exatamente assim: não usou o adjetivo “política”, disse só “militância”, e foi referente a pergunta da jornalista Eliane Cantanhêde sobre o que achava da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, uma organização que quem conhece sabe por que Barcelos chamou seus membros de “militantes”.
Todavia, como se verá no vídeo, o uso da palavra militância tem tudo que ver com o que o meu post relatou em 21 de setembro, que foi uma das críticas mais profundas e bem feitas que a imprensa brasileira recebeu numa grande rede de televisão talvez em décadas.
Vejam como são as coisas: esse vídeo apareceu só agora, apesar de a Globo escondê-lo, porque pessoas que se opõem a mim foram procurá-lo pensando em me desmentir e em defender a mídia tucana. Fazendo isso, porém, permitiram que uma das mais bem embasadas críticas que já vi serem ditas publicamente ao jornalismo brasileiro – e em uma grande tevê – viesse à tona.
Peço ao leitor que leia a transcrição do programa ou assista ao vídeo, ao fim do post, e se pergunte se o uso da expressão “militância política”, em vez de só “militância”, muda em algo o conteúdo do discurso de Barcelos. Reflita se esse discurso não foi uma dura crítica ao jornalismo “declaratório”. Veja como termina a fala de Barcelos, em absoluto constrangimento dos que ali estavam. Aliás, penso que o uso do termo “militância” teve um claro duplo sentido.
Minha obrigação, enfim, está cumprida. Havia que desfazer imprecisão que este blogueiro cometeu, mesmo que não tenha mudado em absolutamente nada o âmago do post que publiquei em setembro e que não poderia permanecer sem reparação. E agradeço aos que, ainda que pelas razões erradas, prestaram um serviço à sociedade ao recuperarem esse belo – e raro – momento do jornalismo brasileiro.
Reproduzo, abaixo, diálogo entre os jornalistas Eliane Cantanhêde e Caco Barcelos em que ele usou o termo “militância” e no qual teceu fortes críticas à imprensa brasileira, se levarmos em conta que acusar a imprensa de condenar as pessoas levianamente é uma crítica para lá de dura. Isso mostra que o termo impreciso “militância política” exprimiu, em larga medida, as críticas indubitáveis que Barcelos fez e a Globo escondeu.
—–
Eliane Cantanhêde – Oi, Caco. Olha, eeee… Esse ano tem sido um ano muito bom pro jornalismo brasileiro, né…
Caco Barcelos – Você acha?
Cantanhêde – Eu acho… Sabe por que?
Barcelos – Ahn?
Cantanhêde – Você tá vendo que a presidente Dilma, por exemplo, tá capitalizando muito a coisa da faxina, mas quem descobriu as histórias do Palocci, do Alfredo Nascimento, do Wagner Rossi e, agora, do Pedro Novaes foi a imprensa, evidentemente trabalhando, ali, com o Ministério Público, Polícia Federal e os órgãos de investigação. Mas a imprensa tem tido um papel decisivo nessa “faxina”. Eu queria saber se você participa da Abraji, que é a Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos – você é um jornalista de ponta nessa área – e o que você acha desse tipo de organização. Se vale a pena, se é importante, em que pode melhorar…
Barcelos – Acho muito importante mas eu não participo. Eu nunca acho tempo para fazer militância ao lado do meu trabalho. Ali não é exatamente militância, mas precisa de organização, precisa de disciplina, precisa participar dos Congressos. Eles me convidaram gentilmente, algumas vezes… Não consegui, embora não participe da entidade. Imagina se participasse. Então não me sobra tempo. Eu adoraria escrever um outro livro, que tem uma apuração longa, já acumulada. Só acumula, lá. Acumulam os dados e eu não consigo escrever. Infelizmente eu não consigo ter outra atividade que não seja de ir pra rua todo dia atrás de alguma história.
Mas eu tenho uma preocupação com esse momento da imprensa brasileira. Não sei se você… O que você acha do que eu vou te falar: me parece que muitas das acusações que fazem à imprensa estão sendo baseadas em declarações de uma determinada fonte. Evidentemente que boa parte dos que faz… Dos que fazem esse tipo de é, é jornalista muito criterioso e tem cuidado antes de divulgar. Mas há colegas que já divulgam sem sequer checar o outro lado. Sem sequer fazer uma apuração mínima antes de saber se há procedência, ou não, na acusação. Sabe por que que me preocupa isso? Porque eu lembro de um episódio semelhante, a gente falava também, assim, que o jornalismo estava vivendo um momento muito interessante, muito, muito inquietante, inclusive, porque levou ao impeachment do presidente Collor. Foi uma iniciativa também, ali, da imprensa. Mas eu acho, também, que foi uma iniciativa que nasceu do jornalismo declaratório, não é? Foi o irmão dele que fez aquela denúncia… O que aconteceu com o nosso presidente? Ele foi punido politicamente. Sofreu o impeachment. Na Justiça ele não foi punido. Por que que não foi punido na Justiça? Por que a Justiça é venal? Não sei… Ou será que a gente não investigou tão seriamente como poderia e não levou uma prova mais contundente para a Justiça avaliar? Nós, da imprensa, o Ministério Público, etc., etc.
Vou te devolver a pergunta dessa maneira. Você concorda comigo, discorda?
Cantanhêde – Posso falar?
Barcelos – Pode, lógico.
Cantanhêde – Olha, eeee… Vamos pensar o seguinte: não é só declaração, né. Como é que foi a história do Palocci? Os nossos jornalistas, lá na Folha de São Paulo, ficaram dois meses trabalhando naquilo. Eeee… Um deles obteve informação de que Palocci tinha comprado um apartamento de quase sete milhões de reais – o que não é pueril, né, e não é uma declaração, mas um fato. O repórter foi duas vezes a São Paulo, foi lá no local. Depois descobriu que o apartamento tava no nome de uma empresa. Foi lá, descobriu que a empresa não tinha placa, não tinha secretária, não tinha coisa nenhuma, e que, ahnn, o Palocci, na verdade, no ano eleitoral em que ele era o homem-chave da campanha da presidente Dilma Rousseff – era, enfim, uma figura-chave do PT –, ele, simplesmente, ganhou… Aumentou o patrimônio dele acho que em 80%… Uma coisa assim, eu não me lembro mais os detalhes. Mas isso não é declaração, Caco. Isso é um trabalho de investigação que durou dois meses e envolveu muita gente, envolveu viagens, apuração… Tanto que…
Barcelos – Eliane, você falou do Palocci…
Cantanhêde – O Palocci falou, na Globo, eeee… Teve um espaço enorme para se defender e não se defendeu.
Barcelos – Bem, agora, Palocci é um exemplo, mas todo dia são uma meia dúzia de exemplos… Você falou um exemplo onde seus colegas apuraram bastante. Mas você concorda que há muitas… ahn, ahn.. denúncias feitas, inclusive, ao vivo! Imagine se você está ao vivo… Que critério você tem de checagem, se você está ao vivo na internet, no rádio, na televisão? Isso está acontecendo hoje. Tem iniciativas muito sérias, importantes e conseqüentes. Mas, ao lado disso, me parece que denúncias preocupantes.
Felizmente, acho que a maior parte do que está se falando, está se comprovando verdade. Mas, na seqüência, é aí sim da investigação. Mas o início sempre começa com declarações contundentes, envolvendo o nome de muita gente, muita gente que acaba sendo punida e muita gente que não tinha nada que ver com a história, mas, na pressa da, da denúncia eu acho que a gente acaba cometendo algumas irresponsabilidades, me parece.
(…)
—–
Note o leitor do que Caco Barcelos está falando. Esse jornalismo que condena pessoas inocentes e acusa sem provas e sem checagem, muitas vezes destruindo vidas e reputações para sempre, está solto por aí. E isso acontece com profissionais renomados, em concessões públicas. Não sei vocês, mas acho que meu erro não foi tão grande assim, diante do exposto. Todavia, está reparado. Aqui não se mente.
Abaixo, o vídeo do programa




O Caco só parece ter esquecido que estava falando com uma jornalista que não faz jornalismo, mas militância política.
não, ele sabia….
Com algumas raras exceções,ja não se faz jornalismo no Brasil,mas matérias ordenadas ou que agradem as redações.
Trabalhadores em Educação aprovam posição da Presidenta Dilma
A decisão da presidente Dilma Rousseff de manter o ministro Orlando Silva à frente do Ministério do Esporte recebeu apoio dos trabalhadores em educação. Reunidos em São Paulo, neste sábado (22), os representantes da 15ª reunião do Conselho Sindical da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE) aprovaram moção que denuncia e repudia “a ilegítima e condenável prática da grande mídia” e reafirma o “apoio aos que, injustamente, sofrem com suas calúnias”.
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=166947&id_secao=1
e a quem puder passar adiante:
Diversas entidades promovem dia 27 de outubro, às 14 horas, ato público pela abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Assembleia Legislativa de São Paulo para apurar as denúncias de venda das emendas por parlamentares.
Fazem parte da organização do Ato: CUT, CMP, UMM, MMM, AFUBESP, Comitê Lutar Não é Crime, Apeoesp, PT, PCdoB, PSOL e PDT.
http://www.sindsaudesp.org.br/noticia.asp?acao=verNoticia&id=2334
http://www.sindsaudesp.org.br/noticia.asp?acao=verNoticia&id=2335
Até que enfim a esquerda se move e se apresenta unida. As iniciativas merecem ampla divulgação e participação.
Eduardo,
Desculpe, mas não compreendi o reparo feito por você. Nada alterou a ausência do termo (política). Evidentemente, o Caco não se referia a militância proficional, mas sim a militância política. Portanto, o uso desta expressão, tenha ele ou não dito desta maneira, nada modifica a precisão do sentido do que falou o grande Caco Barcelos.
Sua interpretação não sofre nenhum reparo.
Um abraço.
Fiz isso porque tem umas pessoas que se aproveitaram da imprecisão para me acusarem de mentiroso por aí, via redes sociais. Mas, também, porque não quero uma vírgula, num post meu, que não seja verdade.
Hahaha!
Eduguim, interessante, fiquei curioso com essa história da cruzada da mina aí!
Agora tem um “carta aberta” no Teia Livre, onde em tom professoral, uma jornalista, a @bruxaDO, te da aulas de como fazer um texto.
(Coments: engraçado é o pedido de comentem lá, para não parecer que ela está sozinha. E ela fala do “efeito manada” que você sempre quer produzir! (aushuahsuashu, rs) Vai entender. Nada como ser “Humano, demasiado humano”)
O mais interessante, apesar de concordar com algumas coisa bem pontuais do que ela disse, e que critico aqui as vezes, mas critico aqui, no seu espaço, onde você pode se defender, e não que isso seja coisa de “vida ou morte”, é que se ela fala que o Caco disse algo “contra o jornalismo Declaratório e sem checar as declarações ou o outro lado” é justamente aí que entra a crítica dele na “questão de usar o jornalismo como militância”, pois, quando usamos isso, estamos sendo pautado por um subterfúgio, e usando a suposta “isenção” do jornal para apresentar uma verdade, uma tese, ou defenestrar um “inimigo” usando esse poder midiático. Mas, mas…
Mas sabe o que eu achei mais estranho – para não dizer escroto! – nesse episódio, é que de fato você faz militância pela mídia, e quando estamos em disputa político-ideológico, o “isentismo” que ela propõe não entra em cena, pois temos que mostrar que temos lado, afinal, entendo, que o “Blog da Cidadania” não é mais um “Observatório da Imprensa” – e nem esse é muito isento! – mas posso estar errado, e sua pretensão seja outra?
Flw
P.s.: e acho que a motivação desta cruzada, pelo que vi de um post lá no blog da @amanditas1904 é um fato antigo, o da entrevista dos blogueiros com Lula, e uma suposta – eu não sei o que rolou? – subrepresentação das mulheres…
Eu não sei direito quem é quem. Ora, qualquer um tem o direito de me criticar onde quiser. Se critico, podem e devem me criticar. Não conheço esse site que você falou, mas se publica uma bobagem dessas não deve ser grande coisa. Tanto assunto importante e algum desafeto que arrumei por aí transforma sua antipatia por um mero blogueiro em post ou matéria, sei lá… Enfim, meu caro, é a democracia. Cada um fala o que quer e escuta o que quer, ou o que não quer. Só não fico dando asa. Baixam uns espertinhos querendo polemizar comigo toda hora. Quando vejo que é isso, bloqueio mesmo. Se ficar dando bola pra todos, fico doido. São centenas de comentários neste blog todo dia, mais comentários no Facebook, mais comentários no Twitter. Já pensou se nessas centenas de mensagens diárias – às vezes chegam a milhares – aparecem uns 10 querendo polemizar? Vou ter que parar de trabalhar pra dar conta. Não dou a menor bola. Sugiro que não perca tempo com isso. Há coisas importantes acontecendo.
Tem razão, só foi curiosidade mesmo, como você disse tanta coisa para se discutir, e alguns querendo ensinar “bons modos” a blogsfera!
Flw
Caro Edu,
Erros são atributos naturais do ser humano. Talvez a prova maior entre homem e máquina.
Agora, nêgo véio, sua credibilidade continua inatacável, 100%. Um homem é o que é, pelo que faz, e não pelo que diz ser.
Grande abraço.
Alo Edu: Esse post me fez lembrar do famoso caso Ibsen Pinheiro, que junto com o caso da Escola Base, se tornou um dos maiores escandalos da nossa Imprensa.
Nesta caso do Ibsen Pinheiro, na época o jornalista da Veja, confundiu um depósito de 1000 dolares com 1 milhão de dolares, e quando avisou o Editor-chefe da Veja, ele alegou que não poderia voltar atras porque já haviam imprimido 1milhão de revistas e o prejuizo seria grande. Então ficou tudo por isso mesmo sem correção nem retratação.
Postar comentário que fiz lá no Nassif!
E, muita humildade da sua parte Eduguim, publicar uma “erramos”, masmo não tendo “obudsman”, aqui.
Mas só não entendi um coisa, vc fala que PSDBistas estavam atrás desta matéria para te “desmascarar”, mas lá no Nassif, que aparece com isso é o Stanley Burburinho, ele é do PSDB? (Ironia modo ON)
Flw
dom, 23/10/2011 – 20:12
Paulo Eduardo
É, verdade, Caco não estabelece essa dicotomia entre Jornalismo e Militância, fala inclusive que “não milita por falta de tempo, pois está sempre correndo atrás de histórias para contar!”
Mas para bom entendor, e para usar o termo, foi uma esbofetada com luva de pelíca. Ele deixou claro, e acho que isso é o mais importante, é a crítica ao jornalismo declaratório, que fica nas redações e não sai para rua, trabalha só com lista de contatos. E sim, ele estabeleceu um corte entre o que o Catanhestra faz e o que ele acha o que é jornilismo, bem como o respeito pelo ética jornalistica de apurar e apurar, ouvir a outra parte, e a partir daí emitir uma opinião e produzir uma matéria!
Flw
P.s.: acrescentaria, a falta de caráter da midiona ainda, o colocar frases na bocas das pessoas para construir consensos e falsas teses!
O Stanley publicou por um motivo diferente, mas quem desencavou esse vídeo foi uma militante do PSOL que vive mentindo sobre blogueiros progressistas
Sim! Entendi.
E boa na “retratação” ou “erramos”, mesmo que algo desnecessário, mas um procedimento correto, o primeiro passo é não fazermos igual a essa midiona rastaquera, mesmo que o enfrentamento político possa as vezes querer falar mais alto!
Eita,”esquerda” udenista safada!
Flw
Pô, vi os twittes da tal @amanditas1904 e @bruxaOD, qual é que rola!? Coisa doida!
E mais, não saquei muito bem, a mina tem blog feminista, tem link’s de todos ou quase todos da blog’spro no blog dela, participa dos encontros de blogueiros ou puxa link sobre, da qual vc é da comissão organizadora ou quase isso, sei lá, e faz essa cruzada, por algo que a própria globo havia censurado e vc não podia ver, estranho, heim?
Flw
PSOL, cara…
Acompanhei o seu “linchamento” virtual após o aparecimento do vídeo, eu estava online ontem quando a menina que tinha prometido o vídeo fez o upload.
Achei no mínimo desnecessário o tom das críticas, que se aponte o erro e questione, mas as pessoas se aproveitaram do fato de que você não estava presente para descer o sarrafo.
Sua atitude digna só mostra que na verdade o afã adolescente de que eles tanto te acusaram na verdade veio da parte deles. Mas é isso aí, não se deixe abalar por isso não!
Não me importo. Quem critica tem que saber que será criticado. Tudo bobagem, coisa de garotada querendo aparecer às custas de um mero blogueiro enquanto a máfia midiática faz o que Barcelos descreveu nesse programa.
A palavra certa é “mesquinharia”. Abraços e continue com o bom trabalho!
Edu pra mim não precisava, não vi o que essa sua imprecisão mudou o tom da conversa. Parabéns pela honestidade, mas achei exagerada
Honestidade nunca é demais, mas obrigado
A diferença entre quem faz jornalismo e quem faz militância já aparece logo no início:
“Eliane Cantanhêde – Oi, Caco. Olha, eeee… Esse ano tem sido um ano muito bom pro jornalismo brasileiro, né…
Caco Barcelos – Você acha?”
Ou pelo tradutor de entrelinhas:
E.C. – Esse ano tem sido muito bom pro jornalismo conservador ligado à direita, por conta de todas essas denúncias que deram o que falar e derrubaram ministros.
C.B. – Você chama isso de jornalismo??
“(…)Na Justiça ele não foi punido. Por que que não foi punido na Justiça? Por que a Justiça é venal? Não sei… Ou será que a gente não investigou tão seriamente como poderia e não levou uma prova mais contundente para a Justiça avaliar? Nós, da imprensa, o Ministério Público, etc., etc.(…)”
Segundo entendi, a deposição de Collor foi um caso ‘alimentado’ pela midia, que não investigou a contento. Mas o PT à época foi com tudo em cima disso, convocou os caras pintadas e conseguiu o que queria, tirar o Presidente democraticamente eleito. Há farto material que pode comprovar tudo isso.
Claro que sim, queridona socialite, nisso que você diz é a luta política, e o PT soube capitalizar com as estripulias colloridas!
Quando questiona-se o papel da mídia, estamos questionando o seu papel de principal partido da oposição, e não se ela estivesse investigando com o mesmo afinco todos os malfeitos de todos os partidos, coisa que ela não faz desde que o PT se alçou ao poder federal.
Agora ficar só no PT, daí não dá, não dá mesmo!
E mais inventando factóides, atrás de factóides, coisa que não tem nada de similar com o caso Collor.
Flw
Pessoas como você que luta pelo bem geral da nação, procura reparar imediatamente ao tomar ciência do verdadeiro conteúdo do fato, pois o que realmente o diferencia da grande mídia tradicional e golpista é a honestidade com sua consciência. Abraço e parabéns.
É obrigação, apenas isso.
Eduardo: faz tempo que não comento como sabes. Não entendi porque, escreveste post por um mero detalhe, mas aprecio tua honestidade intelectual. Tens minha confiança aqui no Sul
Edu, não precisa publicar, pois meu comentário não é específico a esse tópico, e nem pretendo apimentar o debate. São apenas observações.
Acompanho seu trabalho e sua militância há tempos, no blog e no twitter. Não duvido de suas boas intenções. Apenas acho que ultimamente talvez estejam lhe faltando instantes de reflexão – aqueles necessários para a gente manter o equilíbrio, a humildade e o respeito ao contraditório.
Todos estamos sujeitos a pequenas falhas quando falamos de relações humanas de quaisquer espécies. Todos nós, especialmente quando estamos em alguma posição de liderança, somos instados a corrigir um pequeno detalhe aqui e acolá em nossas atitudes. E, creia, os detalhes bem pequeninos é que são os maiores vilões em nosso progresso como cidadãos. Você sabe disso, é claro.
Em momentos assim, seria cômodo pensar: quem não estiver satisfeito que deixe de ler minhas ideias.
Mas, oras, sendo suas bandeiras tão caras à democracia que perseguimos, por que não tentar conseguir mais ouvintes e leitores em vez de desperdiçá-los, não?
Em qualquer jornada são necessários ajustes constantes na rota. Assim também na vida.
Um abraço!
Maria Rita, esse pessoal prestou um serviço à democracia, só que pelas razões erradas. Mas é gente pequena, que se preocupa com um blogueiro enquanto impérios de comunicação fazem o que Caco Barcelos relata. Você acredita que tiveram todo esse trabalho achando que iam me desmoralizar? Lembra-me dois sujeitos que foram ao encontro de blogueiros de Brasília com cartazes – acredite se quiser – me atacando. Está cheio de maluco por aí. Se ficar dando asa pra gente assim, estou perdido. O respeito ao contraditório está expresso neste blog em dezenas de milhares de comentários. Não preciso provar nada, nesse quesito. Só não ajudo gente a aparecer às minhas custas. Grato por seu comentário.
Que legal Edu!
Deram-nos a chance de ter esse precioso vídeo, santo “erro” cometido por você, rogo que continue cometendo esses alarmantes “erros”, quem sabe assim teremos chance de resgatar mais fatos históricos, que circulam pelo jornalismo e terminamos perdendo por desencontro de horários.
Não entendi o motivo da polêmica, mas juro que não vou fazer o menor esforço em entender.
Um grande abraço e conte com nossa solidariedade.
valeu, João
Eu só consigo ouvir/assistir essa “jornalista” se antes tomar um dramin.
Edu vi uns comentarios no TT contra vc e não entendi nada, vídeo mostra o que vc relatou. FAz bem não dar bola. Abs véio
Não posso dar bola a essas coisas nem se quiser, cara. Faço muitas coisas ao mesmo tempo – comércio, militância política… Mas até foi bom, acho importante que fique demonstrada a dimensão da crítica de Barcelos. Ele fala muito mais do que meu post original dizia. É um belo momento do jornalismo. Oxalá todos os ataques que recebo diariamente trouxessem luz como esse. Valeu a pena.
pela fala do Caco parece que o termo “militância” se referia mais à questão da associação de jornalismo investigativo, do Caco ser membro ativo da mesma, oficial.
Quanto à leitura do programa como um todo, dos diretos e das entrelinhas ninguém pode botar nenhum reparo a seus posts, vc está coberto de razão.
Quanto a quem desencavou ou uploadou o video, devemos agradecer. Mesmo que seja da linha-auxiliar neoudenista junto à demotucanalha…
Forte abraço Edu e familia!
Acho que ele quis dizer “militância” política mesmo:
1 – a pergunta da EC, da forma como foi feita, é pq ela vestiu a carapuça da palestra do Caco no MPF 3 de SP, em 09/11, qdo ele falou em “jornalismo declaratório”;
2 – A Abraji tem como presidente o Fernando Rodrigues da FSP e a maioria dos demais membros é da FSP, Globo e Estado.
3 – um dos parceiros da Abraji é o Transparência Brasil que foi fundado pela Denise Frossard do PPS/RJ.
4 – sabendo disso o Caco deu a resposta que deu. No meu entender ele quis dizer sim militância política, ela entendeu e não gostou.
Exato. Foi algo meio subliminar e que acabei incorporando.
Caro Edu,
Ninguem, mas ninguem mesmo de bom senso entendeu diferente de voce. O que eu acho é que sua personalidade, sua formação moral, seu caráter foram atingidos por comentários néscios porem inquietantes para sua formação nobre. O seu interior sentiu-se abalado, e daí? são comentários néscios. Meu amigo, vc tem que estar preparado para esses ataques idiotas. Vou parar por aqui porque não estou em off.
O Caco não disse mas não faz a menor diferença, o Edu ter acrescentado essa irrelevância.
“Faço jornalismo, não faço militância” pode se tratar de quê?
Militância é vocábulo convencionalmente associado à política, e a entrevista girava unicamente sobre os políticos.
Xô, militontos!
Eduardo Guimarães você poderia iniciar uma campanha nacional para que o congresso nacional aprove a aplicação da lei de imprensa em vigor nos EUA. Vamos copiá-la e ninguém poderá dizer que ela é ditatorial, que estão censurando ou amordaçando a imprensa brasileira! E se a lei fosse tudo isso, não estaria em uso no país chamado “a maior democracia do mundo!” Aí, eu quero ver a Veja, o Globo, a Folha de São Paulo e o “Estadão,” decretarem falência de tanto pagar as pesadas multas pelos crimes de calúnias, injúrias e difamações!!
É Impressionante a desonestidade intelecutal da jornalista tucana.
Isso fica claro quando ela cita, ardilosamente, o exemplo de Palocci, para tentar confrontar o argumento de Caco. Ele, de forma bastante polida, ainda devolve pra ela o óbvio: que aquele era apenas um caso específico, mas que existem dezenas de outros (do jornalismo declaratório) que acontecem diariamente e fica tudo por isso mesmo.
Eu acho que nesse momento, pra essa entrevista sensacional se transformar num dos maiores momentos da TV BRASILEIRA DE TODOS OS TEMPOS, Caco deveria ter emendado a fala dela, apontando a falta de isonomia da mídia empresarial – cujo correto era ir a fundo com o mesmo afinco para investigar da mesmíssima maneira os partidos, pessoas, causas etc_ alinhados idelogicamente a ela.
Claro que entendemos as razões para Caco não aproveitar essa “deixa”, mas que a levantada de bola da joranlaista, exaltando o trabalho infatigável da turma da FSP, merecia um chute de primeira, indefensável, no ângulo…ah isso merecia.
abraços
Volta e meia a grande imprensa aponta “aparelhamento” no governo federal, apontando presença de petistas em certos cargos de comando. Ué, e não era para ter petista? Por sinal, nos governos tucanos existem petistas? O termo aparelhamento só se aplica a partidos de esquerda? O termo “aparelhamento” precisa deveria ter sido melhor explicado no texto. Quando existe aparelhamento? Quem usa e abusa do termo “aparelhamento” para se referir ao outro não olha para os próprios pés, estou me referindo ao PSDB. O que sei é que, se qualquer ocupante de cargo público cometer qualquer irregularidade deve ser punido. Mas tem que ter prova e direito de defesa e não questão politica tão somente.
Paulo B:
Kassab aparelhou a cidade mais importante da América Latina com apadrinhados de Serra e Aloysio, como a Soninha “toda nua” e Clóvis Chaves. A imprensa não questionou a qualificação de nenhum deles. Não se ligou no fato de que Chaves morava em Rio Preto, só foi para Sampa acompanhar o então chefe da Casa Civil (ele não conhecia São Matheus? E daí? Conhece o Aloysio e o Serra, já basta).
A imprensa também considerou normal a subprefeita da Lapa posar sem roupas, a pretexto de angariar fundos para os “bicicleteiros”. Fosse assessora de Lula e cia, Soninha teria incorrido em “falta de decoro”.
Enfiar o pernambucano Roberto Freire nos conselhos municipais, com um “pro labore” suculento, também não é aparelhar.
Prefeitos fora de exercício? Ah, todos pra São Paulo, ou em estatais como a ERPLAN, de Rio Preto.
Fazer o quê, com essa imprensa de uma nota só?
Faz parte do show, Letícia. Estou sempre tranqüilo. Ninguém chuta cachorro morto, como sempre digo.
É uma turminha de militontos, mas fizeram um bom trabalho. Escarafuncharam a internet só pensando em me atingir e acabaram nos dando esse vídeo fantástico, que lava a alma da gente. Antes assim