Religiosidade e intolerância

Esperei que passasse a indignação para registrar episódios que corroboraram minha percepção de que a intensidade da religiosidade de um indivíduo pode ser proporcional ao seu grau de intolerância não só ao que contraria dogmas religiosos, mas até aos valores primordiais que tais dogmas impõem, tais como solidariedade, tolerância e compaixão.

A religião deveria tornar o indivíduo melhor, mais humano, mais solidário, mais generoso, mais piedoso, mas, na prática, nem sempre é o que acontece. Quanto maior o nível de religiosidade, maior parece ser a incapacidade de amar ao próximo como a si mesmo.

O que feriu profundamente a mim e à minha família foram novas demonstrações de intolerância de moradores do edifício em que resido, que fica em um bairro no qual, ao menos em tese, as pessoas deveriam ser mais esclarecidas e civilizadas. Esses moradores vêm implicando com a minha filha Victoria, de 13 anos, portadora de severa paralisia cerebral.

Detalhe: são moradores que frequentam intensamente paróquia da igreja católica próxima de minha residência, paróquia na qual exercem atividades voluntárias.

Victoria, por sua condição de saúde, usa serviço de home care. Por conta disso, minha residência parece um hospital. Sete dias por semana, já no alvorecer, começa uma romaria de profissionais de saúde em casa, tais como enfermeira, terapeutas e médicos.

A enfermeira que cuida de minha filha enquanto eu e minha mulher trabalhamos relata broncas que levou de moradores do prédio. Uma dessas broncas se deveu à fisioterapia que a menina faz às nove da manhã e às quatro da tarde, e a outra ao passeio matinal que a enfermeira faz com ela.

Minha filha não anda, por isso tanto a fisioterapeuta da manhã quanto o fisioterapeuta da tarde colocam um equipamento em suas pernas que as mantém retas, pois a tendência causada pela enfermidade neurológica é a de que fiquem sempre dobradas. Com o extensor colocado, os profissionais fazem a menina “andar”.

Por causa da mobília do apartamento, que interfere no percurso da caminhada que minha filha tem que fazer amparada pelos fisioterapeutas, é preciso usar o corredor do andar. Victoria, porém, costuma emitir sons característicos de bebês antes de aprenderem a falar e, como os profissionais “conversam” com ela, a terapia provoca algum barulho na área comum do prédio.

O vizinho do andar do meu apartamento, um juiz aposentado e solitário que perdeu a esposa faz poucos anos, adora esses horários em que a minha filha sai ao corredor. Ele também sai e se delicia com a menina fazendo terapia. Brinca com ela, conversa com os terapeutas.  Diz que Victoria é a sua “alegria”.

Acredite quem quiser, mas a vizinha de outro andar, conhecida no prédio como “beata”, foi ao meu andar, quando a menina saiu ao corredor para fazer terapia, e reclamou do “barulho” que ela, a enfermeira e a fisioterapeuta da manhã faziam não havia mais do que vinte minutos.

Já durante o passeio matinal, a enfermeira tem que driblar a escada do saguão do prédio para ter acesso à rua com a cadeira de rodas. Outro vizinho, também freqüentador assíduo da mesma paróquia que a “beata”, reclamou da demora que a falta de uma rampa gera e que obriga quem está entrando ou saindo do prédio a esperar. Esse vizinho, então, exigiu que a enfermeira saísse com a minha filha pela garagem, o que eu a proibi de fazer novamente.

Essa situação é recorrente. Vira e mexe essas pessoas reclamam do que expus. São pessoas que vivem enfiadas na igreja, exalando cânticos e orações, fazendo profissões de fé, pregando justamente o que lhes falta.

As religiões também são os piores entraves a direitos civis para homossexuais, a direitos da mulher, a métodos contraceptivos, enfim, são verdadeiras usinas de intolerância contra minorias, mas não só. Pessoas exageradamente religiosas frequentemente têm menos paciência, até quando se trata de uma criança que padece tanto quanto a minha filha.

Não, não há, aqui, uma generalização. É claro que ter religião não torna ninguém intolerante com a diferença e insensível com seus semelhantes. O que espanta é que a religiosidade exacerbada, aquela que beira o fanatismo, também leva o indivíduo a ter comportamentos como o que descrevi. Ratos de igreja, salvo exceções, são pessoas mal-humoradas, pouco solidárias e preconceituosas.

Não deveria ser o contrário? Quem se dedica mais a religiões que pregam tolerância, amor ao próximo, piedade e solidariedade não deveria ser alguém que tem mais desses atributos em vez de menos? E se muitos dos que se expõem exageradamente a dogmas religiosos agem assim, as religiões não acabam sendo responsáveis por suas carências espirituais e morais?

Sou de família católica. Estudei em escolas católicas. Casei-me no religioso e batizei meus filhos. Contudo, constatar fatos como esses durante a vida me afastou da igreja. Apesar de ter fé em Deus, ver o que religiões causam à alma me fez rejeitar intermediários com o Criador. Errar sozinho eu sei. Redimir os erros, também.

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240 Comentário

  1. “Imagine there’s no countries
    It isn’t hard to do
    Nothing to kill or die for
    And no religion too
    Imagine all the people
    Living life in peace”
    http://youtu.be/WXLyHLXLF8I

  2. As igrejas estão lotadas de fariseus hipócritas. Pensam que usar o nome de Deus em vão e louvá-lo em rituais lhes assegura um lugar no céu (como se Deus fosse um ególatra necessitado de elogios incessantes).
    Não por acaso, as melhores almas que conheci estavam fora delas.
    A fé sem obras é morta.

    • Religião e/ou religiosidade não transforma e nem deixa as pessoas melhores.
      Ser religioso é uma coisa, e ser espirituoso e outra.
      Pessoas com esse perfil na verdade nunca se converterão ao verdadeiro evangelho de Cristo, apesar de arrogarem como donos da verdade.
      Tenho aversão a religião, mas amo a Deus, o Pai de Amor sobre todas coisas.
      Não sou nenhum santo e pouco até ser mais pecador que você, porém afirmo sem medo de errar que a verdadeira religião é a quela de socorrer o necessitado e ajudar sem saber a quem.
      Em suma, Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo – Esta é a verdadeira religião.
      “Pelas suas práticas o conhecereis”.

      • Arimatea:

        Falou que a verdadeira religião é socorrer os necessitados? COM CERTEZA! Eis a razão de eu ter dito que a fé sem obras é morta (tá na Bíblia).
        Um caso bastante ilustrativo:
        Passava eu pela praça central. Hora de missa, igreja lotada de fiéis. Numa das laterais, um sem-teto deitadinho sobre míseros panos.
        Detalhe: era inverno e um dos raros dias terrivelmente frios nesta região. Corri pra casa, juntei o que pude e lá voltei, com agasalhos e comida.
        Tirei foto do necessitado e publiquei no meu jornal – encerrando o texto com a mesma frase ( A fé sem obras é morta).

    • As pessoas não deveriam ser rotuladas por frequentarem ou não uma igreja. Mas, concordo com você e também com o Eduardo, quando falam da “hipocrisia” das pessoas.

      Tem um conto do Machado de Assis que eu gosto muito: “A igreja do diabo”. Esse conto trata bem das contradições das pessoas. E das adequações das religiões. Penso que vale a pena: (http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor=58)

      Ainsa sobre igreja? http://coisasmiudasegraudas.blogspot.com/2012/01/das-igrejas.html

  3. Embora eu tenha nascido e crescido seguindo a igreja católica, há algum tempo me identifiquei com a doutrina espírita. Por que estou dizendo isso, não estou aqui para defender os espíritas, são tão hipócritas quanto os outros.
    Quero dar um exemplo de ignorância de pessoas que dizem amar seus irmãos, mas defendem a segregação. Ontem, 12 de janeiro estava assistindo ao programa “consciência” na TV Mundo Maior de cunho espírita e a entrevistada dizia que o Movimento dos sem Terra era formada por “espíritos atrasados” e que incitava a violência, que era preciso ser combatidos.
    Mas não disse sobre a violência praticada por fazendeiros no campo e da grande disparidade entre ricos e pobres.
    Aliás me parece que sua teoria é a mesma dos carismáticos católicos, a diferença é acrditar na reencarnação. O que pregam, é que se estou sendo roubado, meus direitos estão sendo surrupiados, devo aceitar com resignação, pois, é providência divina.
    Não melhor teoria para defender os interesses das elites.
    Concluindo, as religiões existem para manter o status quo, não estão nem aí para o povão.

  4. Como o velho Marx já dizia, as religiões são o ópio do povo. E na atualidade, em minha humilde opinião, quanto mais “religiosa” uma pessoa, mais egoísta, individualista e egocêntrica se torna. Para mim, a única “religião” a que deveríamos prestigiar e buscar perpetuar é a Humanidade em suas múltiplas formas, cores, culturas, pessoas, sentimentos, pois o que realmente podemos e devemos fazer enquanto vivos (pois após a morte ninguém sabe ainda o que ocorre) é buscar nos tornarmos melhores pessoas e melhorar nossas relações com nossos semelhantes para melhorar nossa vida num planeta que é de todos nós. Louvar e acreditar em algo que ninguém sabe se existe é muito simples, não requer esforçor algum, mas respeitar e reconhecer o semelhante como um igual em termos de párticipe da Humanidade exige um bocado de renúncia de si mesmo. Por isso que hoje vemos os templos religiosos abarrotados de gente, pois poucos são os que querem arregaçar as mangas para melhorar o que quer que seja nesse mundo. É por isso que sou agnóstico, pois para mim a discussão sobre a existência ou não de deus é uma questão de foro íntimo e que não agrega nada em termos de ação para melhorar a sociedade. Tanto faz se sicrano é de religião A ou se fulano é de religião B, o que importa é o que cada um individualmente e como membro de uma coletividade faz para transformar esse mundo num lugar melhor para todos.

  5. Eduardo, me solidarizo com você e com a Vitória. Gostei muito de sua crônica e sei que você está certo. Depois de muitas caminhadas, sei que o que conta mesmo é a busca por mundo mais justo e fraterno. Aos trancos e barrancos vamos caminhando e, acredito em Deus e nos Orixás que nesta caminhada coloca gente bacana na nossa estrada e nos faz crer que outro mundo é possível. Com relação a intolerância religiosa , você está certo: algumas religiões são usinas mesmo de intolerância e violência. Muitos que se dizem cristãos de carteirinha não sabem o que é ser solidário e fraterno. Fazem da Igreja um show midiático cujo unico sentido é alienar os fieis, transformam Jesus em garoto propaganda para vender seus produtos e dão pouco valor aos que não podem consumir… na verdade não entendem o evengelho; outros cristãos há, que transformam o diabo em seu marqueteiro na função de manter seus fiéis alienados e aí que a intolerancia come solta. Eles nem sabem muito de Jesus. Discriminam, são preconceituosos, perseguem as religiões de matriz africana, não possuem um pingo de amor e compaixão pelo próximo.Na minha opinião a religião tem servido mais para domesticar as pessoas…. amor mesmo pelo próximo não possuem. É certo quem falou que a religião é o ópio do povo. Porém, vendo esse universo maravilhoso, pessoas humanas como você, um guerreiro que desbrava caminhos na busca de um mundo melhor, um pai maravilhoso, ver a Vitória lutando pela vida, fica difícil deixar de crer em Deus.. e ver tanta gente crendo num mundo fraterno com pessoas conscientes… é Deus…são os Orixas que estão conosco. Muita força e saúde…

    • Adenilde:

      Gostei de seu texto de A a Z, “transformam Jesus em garoto-propaganda” merece destaque.
      Axé, companheira!

  6. Todos os tipos de intolerância derivam da cegueira causada pelos pontos de vistas míopes e hipócritas, perpetuados por aqueles que são incapazes de se formar pelo bom senso e pelo respeito ao seu semelhante. No coração do intolerante predomina o egocentrismo e a presunção de se achar melhor que os outros simplesmente porque tem melhor sorte na vida, mas se esquecem que a sorte pode virar. O próprio Jesus diz que o intolerante e hipócrita é semelhante a um sepulcro caiado, branco por fora na aparência, mas podre por dentro na essência.

    A intolerância deverá sempre ser combatida pela denúncia da injustiça cometida e do ato discriminatório, ser exposta publicamente em discussões para toda a comunidade e julgada sob os princípios a lei instituída para todos. A liberdade individual e também coletiva não deve jamais ser cerceada pela truculência de alguns que se acham o supra-sumo da sociedade. A intolerância religiosa causa asco, principalmente porque a religião seria, teoricamente, a instituição que tinha por princípio nobre e elevado melhorar cada ser humano para que o mundo fosse melhor, ensinando as lições de humildade e porque deveriam estar convictos que perante o Deus, o Ser mais justo e humilde do Universo, todos os seres humanos são, por nobre alma, merecedores da mesma justiça universal e do mesmo respeito mútuo

  7. Eduardo, minha solidariedade à você e sua família. Meu carinho em Vitória. Sei de sua luta há anos e fico muito triste em saber que fanáticos religiosos estão lhe criando problema. Infelizmente essa gente é numerosa no Brasil, seja católica ou de outras denominações. O Brasil está correndo o perigo de se tornar uma república religiosa.
    Paz e confiança!

  8. Olha Eduardo.
    Intolerantes tem em toda camada social, credo ou partido. Onde estiver seres humanos haverá de ter intolerantes.
    Abro aspas pra você ” Quanto maior o nível de religiosidade, maior parece ser a incapacidade de amar ao próximo como a si mesmo.” Eu colocaria de outra forma, penso que a religiosidade não é uma coisa em si mesma, nas resultado de uma ação humana. Quanto mais intolerante é a pessoa, mais as suas ações demonstrarão isto. Quanto aos ensinos bíblicos posso dizer que eles são diametralmente opostos a estas atitudes tomadas pelas pessoas em lume, no seu texto. Veja o que está escrito: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.” Tiago 1:27. Outro texto:”E o Senhor vos aumente, e faça crescer em amor uns para com os outros, e para com todos, como também o fazemos para convosco; “1 Tessalonicenses 3:12
    Fique na paz.

  9. Eduardo,

    Por conta disso, observando o comportamento dessas pessoas nas ruas, no trânsito, no bar e no trabalho, e depois, DENTRO DAS IGREJAS, é que me tornei ATEU. Os mais religiosos, são os mais injustos, hipócritas, verdadeiros vermes sociais.

  10. O gratificante foi saber que o vizinho de andar, juiz aposentado, curte de montão a nossa Victoria.
    Barulho do Bem só incomoda a quem é da turma oposta.

    Também já enfrentei intolerância em condomínio, mas não tinha a ver com religião. Queriam impedir a acompanhante que contratei para meu irmão de utilizar o elevador social.
    O zelador veio me comunicar :
    “Sabe, dona Geysa, as madames não gostam de dividir o mesmo espaço com as empregadas…”
    Cortei o papo:
    “Pra começo de conversa, não conheço nenhuma madame que more em 100 m2.
    Madames são minhas clientes (era corretora de imóveis), que têm aptos. de no mínimo 500 mil dólares. E eu não disse a ninguém que a moça é minha empregada. Por que ela é morena? Ora, e se for minha irmã adotiva?”
    Venci a “peleja”. Mas aguentei nariz torcido enquanto morei lá (rua Ministro de Godoy, Perdizes).

  11. No meio disso tudo existe uma expressão mágica “sou evangélico”. É uma expressão que NÃO precisaria ser usada em vão, basta ter carater, ser honesto, ter dignidade e realmente acreditar na existencia de Jesus, filho de Deus.
    Hojes estamos assistindo no nosso meio o uso dessa expressão “sou evangélico” para dar rasteira, chantagear, corromper e mentir. Diante disso, devemos nos precaver contra essas pessoas e devemos também acreditar sim nas pessoas que no seu dia-a-dia pregam a palavra de Deus em harmonia com seus atos, como ser honesto, ter caráter, honra e não ter medo de encarar as pessoas nos olhos.

  12. A memória me trai para declinar o nome do frei capuchinho. Contaram-me aqui em Curitiba. Rodeado de senhoras, o frei lhes pede: “Quando eu morrer, enterrem-me em pé”. Ao que elas retrucam: “Que isso! Por que, frei?” E ele: “Simples, porque assim já fico na posição para dar um pontapé na bunda das carolas que forem lá cemitério me encher o saco”.

    A essas beatas e beatos, mencionados por você, Edu, caberia a penitência de ler cem vezes o sermão da montanha. Serviria como lição para atribuírem menor importância ao ritual repetitivo que cansa, limita, frustra, emburrece e desvia o foco da essência cristã: a fraternidade.

    Permita-me especular: Acho que sua Victória lhe dá o tom e o estimula em seu idealismo. Quero lhe dizer que às vezes discordo do foco prioritário de seus textos e de algumas generalizações suas principalmente quando se refere às esquerdas, mas o respeito e admiro profundamente. Alíás, fui dos primeiros a pedir, num blog onde mais entro, para prestarem atenção no Eduardo Guimarães em suas iniciativas ousadas e generosas. Hoje muitos o acompanham e lhe dão importância, mas na época não.

    Se é mesmo possível transmitir energias positivas, receba com suas emanações o pouco que lhe posso oferecer. Um abraço caloroso.

  13. Correção: “… num blog onde mais não entro”.

    • Deve ser o mesmo do qual eu dei o pira.
      Não entro, mas continuo espiando. Hoje mesmo vi uma charge do Bessinha campeã, sobre as máquinas tucanas.
      Acertei?

  14. Eduardo, a minha total e mais irrestrita solidariedade com a sua preocupação e com a luta que você e a sua esposa têm com a menina Victoria, aliás, o ser especial que simboliza o que significa lutar e vencer. Da minha parte também temos, eu e a minha mulher, uma menina especialíssima em nossa casa, que também não consegue andar, porque sofreu a chamada PC pouco após o nascimento. A questão é a falta de solidariedade humana de muitas pessoas com o semelhante. Tais pessoas pensam que é virtude o seu egocentrismo mas, ao contrário, só demonstram fragilidade de formação e de caráter. Às vezes gente deste tipo tem muito mais consideração, apreço e cuidados com o cãozinho de estimação do que com um semelhante faminto e abandonado. Deveriam aprender na Igreja que frequentam que o egoísmo é a morte de qualquer sistema, organização, grupo. Ouvem os sermões e no entanto são surdos. Vêem o que amanhã poderá lhes acontecer, mas estão cegos. E quando abrem a boca, ao invés de edificarem, construírem, elevarem os que com que eles convivem, de sorte que eles mesmos possam crescer moral e civicamente, ao invés de agirem com bom senso, falam um amontoado de tolices. Pessoas assim desconhecem completamente a benção, a realização que traz o exercício do amor. São infelizes, amargas, dignas de pena. Não desanime nunca Eduardo. Como o título do último livro já tão falado, “a vida quer é coragem”. E isto você e a sua família já demonstraram ter de sobra.

  15. Este é o Deus ou Natureza de Espinosa:
    Se Deus tivesse falado:“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que Eu quero que faças é que saias pelo mundo
    e desfrutes de tua vida.Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
    Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
    Minha casa está nas montanhas, nos bosques,nos rios, nos lagos, nas praias.Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual
    podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
    Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho…Não me encontrarás em nenhum livro!
    Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? Pára de ter tanto medo de mim.
    Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.Pára de me pedir perdão.Não há nada a perdoar.Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
    Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar
    para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso? Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
    A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
    Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas. Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.Ninguém leva um registro.Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar,de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.E se houver, tem certeza que
    Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste…
    Do que mais gostaste? O que aprendeste? Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada,
    quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.Pára de louvar-me!
    Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
    Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro… aí é que estou, batendo em ti.
    Baruch Spinoza.

  16. Eduardo, agnóstico e irreligioso, talvez eu tivesse pouco a dizer sobre o assunto, a não ser uma ou outra vociferação contra religiões em geral e tudo mais.
    Mas, como sempre faço, encaminhei seu texto, por e-mail, para um grupo de amigos.
    Um desses amigos – Márcio Tadeu – me respondeu com uma mensagem que achei bastante interessante; no caso dele, com a visão de um cristão.
    Após autorização, colo abaixo a resposta que ele me encaminhou:

    “Meus queridos,
    Infelizmente o que posso dizer da “religião” é que ela mata a pessoa e as
    pessoas ao seu redor.
    Jesus Cristo lutava contra tudo isso quando esteve conosco. Os maiores
    opositores de Jesus eram os religiosos e doutores da lei de sua época.
    A religião nunca conseguirá moldar alguém. Somente as pessoas que buscam ter
    um relacionamento verdadeiro com Deus podem dizer que têm uma vida
    modificada.
    Sou um cristão protestante ou evangélico e infelizmente o que vejo ao meu
    redor não é diferente disso. Mas, felizmente em meu caso e no caso de minha
    esposa Marilda, podemos dizer que Jesus Cristo – e não a
    religião – mudou nosso viver.
    Estaremos apresentando essa menina em oração para que Deus possa fazer uma
    mudança em sua vida e na vida de seus pais, para que, com tudo que esteja
    acontecendo, essas pessoas “religiosas” a sua volta possam ver a luz que
    ilumina o dia de cada um através da vida dessa família, pois, como diz o juiz
    apresentado, ela realmente é um presente de Deus àquele prédio.
    Abraços,
    Tadeu”

    Abraços para você e família, Edu, e um beijão para a Victoria.

  17. Caro Eduardo

    Sempre me comove muito a tua dedicação à grande Victória, que aprendemos a amar ao conhecer seu sorriso e olhar seguro de pessoa muito amada. Creio que a maturidade na fé significa entender que ser cristão não significa necessariamente “seguir” uma religião, mas sim viver a mensagem do evangelho. Tenho certeza que você iria adorar ler o último livro do Leonardo Boff: Cristianismo – O mínimo do mínimo.
    Tenha certeza, pessoas mesquinhas serão mesquinhas em qualquer religião, partido político, enfim, onde estiverem. O importante é o enfrentamento com dignidade, que você nos ensina a cada dia!
    Um grande abraço
    Maria Luiza

  18. Edu,

    Será que não seria o contrário ?
    Há pessoas que incorporam a religiosidade na sua forma de relação com o próximo no dia-a-dia e talvez por isso, sintam menos NECESSIDADE de estar na igreja para exercer sua relação com Deus.
    Por outro lado, outras ainda não conseguem vivenciar o Evangelho, ou a Torá, ou o Talmude, ou o Baghavat-Gita (ou outro ensinamento “sagrado”) e por isso sentem essa URGÊNCIA em estar na igreja, nos templos e nos locais religiosos para buscar exercer sua religiosidade.
    Claro que do ponto de vista moral, há excelentes religiosos nos templos de fé e péssimos ateus fora deles, de forma que não dá para apontar nem o fato de se frequentar assiduamente uma religião nem o fato de não se frequentar o mesmo local como indícios de virtude.
    A virtude está justamente em conseguir levar para o dia-a-dia na prática do lar, do trabalho, do convívio com vizinhos, parentes, amigos e estranhos as ações de boa convivência (Quem não se lembra da resposta de Jesus quando questionado quem é o nosso próximo ? Aliás, sobre isso tem um excelente vídeo circulando na internet sobre generosidade, no link abaixo)

    http://youtu.be/nwAYpLVyeFU

    e atuar de forma ativa na sociedade para o seu melhoramento. Exatamente sobre isso, parabéns pela militância neste blog que tenho acompanhado de longa data, sempre com um ponto de vista diferente do que vemos ordinariamente na mídia (mesmo que não concorde em todos os pontos).

    Um grande abraço a você e à Vitória.

  19. CARO SENHOR EDUARDO VENHO ATRAVEZ DESTA LHE PERGUNTAR SE EREI EM COLOCAR MINHA HISTORIA DE VIDA EM SEU BLOG SE COMETE PODE MIM RESPONDER PEÇO DESCULPA SE COMETE TAL ERRO SOU CRISTAO PORQUE TEMO A DEUS E AMO O MEU SEMELHANTE QUE DEUS NOS ABENÇOEM A TODOS .ZE PINTO

  20. Saudações!
    Compartilho sua angústia perante os fatos relatados, sendo que também sou pai dedicado à família, tal qual você demonstra ser. E este fato (o dedicar-se assim), permita-me por favor, devo dizer-lhe que a meu ver deveria ser todo o seu conforto! Indubitavelmente você faz o máximo que pode, e, isto me parece o suficiente para que prossiga em Paz, com a Força que tudo sustenta, no caminho da Luz e do Amor.
    Quanto à religião, fazem já alguns anos que compreendi isto: religião não salva ninguém. Pelo menos é o que me parece. Mas, também não coloco-me na posição de ser contra a religião. Nasci católico, fui batizado, crismado, fiz 1ª comunhão, estudei em colégio de padres, até cheguei a sonhar em ser padre um dia, mas, depois me casei, e, minha vida tomou outros rumos… Hoje, sou agnóstico, não sigo religião alguma, porém respeito a toda e qualquer religião.
    Assim como existem pessoas que necessitam de acompanhamento especializado com determinados apetrechos e tecnologia condizente, para que possam melhor prosseguir, há pessoas que necessitam da religião, sem a qual simplesmente perdem-se na estrada… Agora, o fanatismo religioso, este, é realmente algo terrível… Pessoas fanáticas (ratos de igreja?) são, infelizmente, regra geral, quase que absolutamente desprovidas do uso do bom senso e do exercício da razão. Veja o caso de Leonardo Boff por exemplo, um dos mentores da Teologia da Libertação, pessoa a quem muito admiro, devido à atenção dedicada à Natureza e às pessoas que sofrem, em especial, aos miseráveis desta nossa sofrida latinoamérica. É, no entanto, extremamente mal compreendido, deturpado mesmo, e, até abominado, justamente pelo mesmo tipo de gente a que você se refere em seu artigo, ou seja, pessoas que demonstram não haver compreendido sequer uma vírgula, das palavras e principalmente do exemplo de vida de Jesus Cristo. Veja em: http://leonardoboff.wordpress.com/2012/01/05/em-busca-de-uma-sintese-integradora-os-tres-reis-magos/
    De tal forma, apenas persista em seu caminho, carregue “a sua própria cruz”, pois parece-me que está no Evangelho: “Quem quiser seguir-Me, pegue a sua cruz e siga-Me”… Não é isto? Combata o bom combate pela garantia da obtenção de seus direitos, pois afinal, você é cidadão brasileiro, sujeito de direitos. E contente-se, mas sobretudo, agradeça a oportunidade que você mesmo tem, de ser quem você é… Meus parabéns! E sucesso!!!

  21. Edu, esse povo retrata perfeitamente a visão do ‘faça o que eu falo mas não o que eu faço”…
    O que tem deste tipo por aí (e por aqui, em SC) não tá no gibi. Lá dentro da igreja todo mundo é santo, canta, reza, ora, sabe tudo de cor e salteado. Paga dízimo, leva até o padre, pastor ou o que seja pra almoçar em casa. Tem uma prima minha que traz o pastor e a familia dele de outra cidade até pra dormir na casa dela. Fora da igreja, o barraco vem abaixo. Provavelmente minha prima protagonizaria uma destas cenas que voce descreve em seu predio.
    Mas faz o seguinte: prioriza o bem-estar da sua querida Victória e manda o resto á . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . mais próxima igreja rezar… hehehe (não é lá que eles se sentem e se acham?)
    No mais, felicidade, alegria, paz, saúde e prosperidade, desejados a você, sua familia e todos os que me lêem, por um sujeito que não acredita em padre, bispo, pastor e freira faz uns anos, e nem por isso faria parte de uma papagaiada tão grotesca como a descrita no post.
    abraços
    Luciano

  22. Como disse Jesus, uma árvore é reconhecida pelos seus frutos. Assim, um grande homem é aquele que faz grandes coisas. Não importa a religião adotada, importa o que vc decide fazer com o ensinamento que lhe é ofertado pela religião, importa que as pessoas encontrem o amor, a bondade, a fé, que aprendam a perdoar, que procurem ser mais tolerantes, que cultivem coisas boas, pensamentos positivos, solidariedade, amizade, honra, honestidade, coragem, fé, determinação. Cada um planta o que quiser, mas a colheita é obrigatória. Ta na hora das pessoas pararem de usar a religião com fins políticos e econômicos. Religião deve ser vista como aperfeiçoamento moral. É olhar para dentro de si, procurando superar os próprios defeitos, é ajudar o próximo, é praticar o bem.

  23. Caro Eduardo,

    Já há algum tempo leio seus escritos e seu blog já está entre meus favoritos.

    O que contou neste texto é muito triste. A atitude mesquinha e intolerante de alguns de seus vizinhos é algo a se lamentar, seja qual for a religião – ou não-religião – da pessoa. Não é possível generalizar, uma vez que religião ou falta dela não define caráter de ninguém por si só, mas é alarmante notar como algumas das pessoas que mais lesam e ofendem o outro por ações, omissões e palavras são justamente aquelas que batem no peito na missa ou no culto para falar em amor e caridade… Acreditam estar acima dos demais mortais e que não importa o que tenham feito, já que Jesus teria pago na cruz pelos pecados da humanidade toda basta uma confissão aqui, uma doação ali para a igreja e “lavou, tá novo”.

    Tudo de bom para vocês e para a menina Victória. Que vocês tenham sempre força e alegria em toda a vida e possam sempre encontrar tolerância, carinho, amor, empatia, apoio – e sorrisos bons como os de seu vizinho de andar.

    Um grande abraço.

  24. Eduardo,é nessa hora que me socorro de pessoas ou espíritos(tanto faz)como os de Chico Xavier,Dom Helder Câmara,Bezerra de Menezes,Madre Teresa de Calcutá,Irmã Dulce,entre tantos outros.Os bons SEMPRE serão maioria.
    Continue sua luta.Beijos em Victória.

  25. O Senhor Jesus Cristo disse: Deixai o Joio ( anticristo ) crescer entre os trigos ( Verdadeiros Cristãos ), pois no dia da colheita ( Juízo Final ) serão separado e lançado no fogo ( Inferno ).

    A Igreja Católica sempre teve uma preocupação especial com os enfermos, como por exemplo a Caritas, que atua em mais de 200 países.

    Ser um verdadeiro Católico, não é frequentar a Igreja, ser biata ou biato, ser um verdadeiro Católico, tem que obedecer as ordens do Senhor Jesus, ´´Amais uns aos outros, como eu vos amei“

  26. Sendo pastor, já apanhei muito de gente religiosa. Aliás, quanto mais religioso, mais “beato”, com uma Bíblia gigante debaixo do braço e uma língua idem na boca, mais me arrepia. Certo estava o escritor inglês C. S. Lewis: “dos homens maus os religiosos são os piores”.

  27. Pastor de que Igreja e de qual Igreja?

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